Soulspell: Um dos melhores da história do metal brasileiro

Resenha - Labyrinth Of Truths - Soulspell Metal Opera

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collector's Room
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Épico, grandioso e ambicioso: assim é "Labyrinth of Truths", o segundo álbum do projeto SoulSpell, liderado pelo baterista Heleno Vale. Mais uma vez contando com dezenas de participações especiais – que vão de grandes nomes do metal nacional como Edu Falaschi, Carlos Zema, Leandro Caiçolo, Mário Pastore, Nando Fernandes e Iuri Sanson a ícones da música pesada em todo o mundo como Jon Oliva, Roland Grapow e Zak Stevens, além de muitos outros – o SoulSpell voa alto em "Labyrinth of Truths".

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Produzido por Tito Falaschi e composto totalmente por Heleno Vale – exceção feita à "Into the Arc of Time (Haamiah´s Fall)", parceria de Heleno com Maurício Del Bianco – o álbum é de uma qualidade que impressiona. Bastante superior ao debut "A Legacy of Honor" (2008), "Labyrinth of Truths" traz em suas composições elementos do metal melódico e, em menor grau, características também do hard e do progressivo.

A qualidade das músicas faz com que a audição seja empolgante, tornando inevitável o ato de acionar o botão de repeat no CD player. Para um disco alcançar esse status, principalmente explorando uma sonoridade calcada fortemente em um estilo como o heavy metal melódico, que há tempos perdeu relevância e tornou-se pra lá de repetitivo, ele precisa ser realmente muito bom, e "Labyrinth of Truths" é mais do que isso. O álbum é uma prova de fé e amor em um gênero musical que prima pela paixão de seus fãs, e que caminha com pernas próprias desde sempre, sem o respaldo da grande mídia. Uma das maiores verdades do heavy metal é que ele está alicerçado no apoio dos fãs, e discos como "Labyrinth of Truths" tornam essas bases ainda mais fortes, já que renovam o amor dos mais antigos enquanto conquistam novos fiéis.

Talvez esse seja o maior mérito de "Labyrinth of Truths": explorar com maestria quatro décadas de tradição para criar músicas que atestam toda a beleza do heavy metal. É impossível ouvir o álbum e, no meu caso – um cara criado pelo metal, com 25 anos de música nas costas e que já ouviu milhares de discos dos mais variados estilos -, não sentir um arrepio na espinha e um frio na barriga como se tivesse novamente 15 anos e ouvisse pela primeira vez, por exemplo, um álbum como "Somewhere in Time", que mudou a minha vida e me acompanha até hoje. E imagino que uma sensação similar deve ocorrer com ouvintes mais novos ao terem contato com "Labyrinth of Truths".

São nove faixas, todas ótimas. A riqueza dos arranjos, o intercâmbio de vozes, o instrumental primoroso, tudo conspira a favor. É difícil apontar algum destaque em um trabalho como esse, pensado para funcionar em conjunto – afinal, estamos falando de uma ópera – e que tem um impacto muito maior quando ouvido em sua totalidade. É claro que características particulares fazem com que algumas composições se destaquem em um primeiro momento – como a participação especial de Jon Oliva e Zak Stevens em "Into the Arc of Time (Haamiah´s Fall)", o sutil clima setentista de "A Secret Compartment" e a beleza barroca da balada "Adrift" -, mas o álbum soa mais forte a cada audição, colocando em primeiro plano detalhes que não tínhamos percebido antes.

Ouvir um bom disco é uma benção, e eu, você e todos nós fomos abençoados com "Labyrinth of Truths". Sem medo de errar, esse é um dos melhores discos da história do heavy metal brasileiro. Que venha o próximo – que já está gravado e tem a participação especial de caras como Blaze Bayley, Tim 'Ripper' Owens e Mike Vescera – e muitos outros!

Faixas:
1 The Entrance
2 The Labyrinth of Truths
3 Dark Prince's Dawn
4 Amon's Fountain
5 Into the Arc of Time (Haamiah's Fall)
6 Adrift
7 The Verve
8 Forest of Incantus
9 A Secret Compartment


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