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Gorgoroth: Sonoridade permanece intocada em novo álbum

Resenha - Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt - Gorgoroth

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Por Paulo Finatto Jr.
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Em meio a uma série de disputas jurídicas que envolveram o nome da banda e os ex-integrantes Gaahl e King ov Hell, o futuro do GORGOROTH parecia incerto. A banda, que é um dos nomes mais polêmicos do black metal norueguês, recentemente deu a volta por cima sob o comando do guitarrista Infernus. "Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt" não só marca o retorno de grupo após três anos de silêncio como apresenta uma formação extremamente renovada.

Em atividade desde o início da década de noventa, o GORGOROTH em pouco tempo se tornou uma das mais importantes bandas do movimento black metal escandinavo, em decorrência do impacto de discos como "Under the Sign of Hell" (1997) e "Destroyer" (1998). No entanto, o grupo não se firmou como uma unidade. A banda nunca manteve um mesmo line-up por muito tempo e em "Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt" isso não é diferente. O guitarrista Infernus – e único membro remanescente – é acompanhado por Pest (vocal, que retorna ao GORGOROTH após dez anos de ausência), Boddel (baixo, pseudônimo de Frank Watkins, ex-OBITUARY) e Tomas Asklund (bateria, ex-DARK FUNERAL). Por outro lado, a sonoridade dos noruegueses permanece intocada.

O processo criativo de "Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt" iniciou quatro anos antes, mais ou menos na mesma época em que Infernus foi condenado à prisão por participar de um estupro em seu país. Por não se envolver ativamente no crime, o guitarrista ganhou liberdade condicional em 2007 e anunciou dias depois que já havia composto o suficiente para um novo álbum do GORGOROTH. Com os novos membros efetivados, a banda viajou à Suécia para registrar as novas faixas – que contaram com a produção do baterista Tomas Asklund. Como os outros sete discos da carreira dos noruegueses, "Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt" conta com a mesma crueza e a mesma agressividade que marcaram o nome do GORGOROTH no cenário black metal mundial. A sonoridade do quarteto – que curiosamente ganha outros músicos nas apresentações ao vivo – mantém o mesmo padrão de "Ad Majorem Sathanas Gloriam" (2006).

Entretanto, alguns descasos da banda são perceptíveis em "Quantos Pussunt ad Satanitatem Trahunt". Embora possua a média de trinta minutos de duração por disco, o GORGOROTH certamente deveria aproveitar melhor cada uma das oportunidades, sobretudo essa mais recente via Regain Records. O álbum conta com grandes composições, como as duas faixas que abrem o repertório – "Aneuthanasia" e "Prayer". O ríspido instrumental dos noruegueses possui intensidade na medida certa e conta com variações rítmicas que não fazem de "Quantos Pussunt ad Satanitatem Trahunt" uma coisa monótona até mesmo para os fãs do gênero. No entanto, tão rápido o CD inicia tão rápido o CD acaba – o quê pode frustrar os que esperam sempre uma grande e extensa obra de black metal, como confirmaram ser os mais recentes títulos de bandas como ROTTING CHRIST e CRADLE OF FILTH.

Entre as outras músicas de destaque encontradas no disco, "Rebirth" – que conta com um andamento mais cadenciado e que se encaixou perfeitamente à voz de Pest – certamente é uma que deve ser mencionada. De outro lado, "New Breed" e "Satan-Prometheus" evidenciam uma agressividade constante e que, com mais de cinco minutos de duração, se desdobram em variações rítmicas muito interessantes. Não há dúvidas de que a proposta de "Quantos Pussunt ad Satanitatem Trahunt" é coesa e eficaz. No entanto, a crueza sonora do GORGOROTH poderia ser transposta para um disco com timbres mais límpidos e um som relativamente menos sujo. A busca por uma produção primorosa, o que a banda parece ser extremamente contrária à ideia, não deveria ser uma barreira.

Com uma qualidade perceptível, o repertório de "Quantos Pussunt ad Satanitatem Trahunt" tem força suficiente para se unir aos principais sucessos do grupo, como "Unchain My Heart!" e "Revelation of Doom", nas próximas turnês do GORGORTH. O álbum, que só não merece o rótulo de excelente por pequenos deslizes na sua produção que soa underground demais, certamente recoloca a banda entre os nomes mais importantes e blasfemos do black metal norueguês.

Track-list:

01. Aneuthanasia
02. Prayer
03. Rebirth
04. Building a Man
05. New Breed
06. Cleansing Fire
07. Human Sacrifice
08. Satan-Prometheus
09. Introibo ad Alatare Satanas


Malvada
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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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