Distraught: A pancadaria do Thrash com a violência humana
Resenha - Unnatural Display of Art - Distraught
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 22 de janeiro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Com o seu mais recente disco, os gaúchos da DISTRAUGHT, definitivamente, se inserem entre os maiores nomes do thrash metal brasileiro. Embora possua um passado de respeito, a banda atingiu em "Unnatural Display of Art" um nível incomparável, até mesmo para o ótimo "Behind the Veil" (2004). A nova empreitada do grupo apresenta um interessante contraponto entre agressividade e técnica – e conta com as músicas mais inspiradas dos seus vinte anos de carreira.

Em atividade desde o início da década de noventa, André Meyer (vocal), Marcos Machado (guitarra), Ricardo Silveira (guitarra), Nelson Casagrande (baixo) e Everson Krentz (bateria – substituído recentemente por Dionatan Santos) uniram a pancadaria do thrash metal à temática da violência humana em "Unnatural Display of Art". No fim das contas, o resultado não poderia ter sido melhor, sobretudo em razão da excelente mixagem/masterização assinada pela dupla Heros Trench e Marcello Pompeu (KORZUS), no conceituado Mr. Som. A sonoridade da banda, que junta elementos ainda mais extremos (que vem do death metal) e referências até que modernas (como o LAMB OF GOD também faz), se traduz em composições de impacto e de muita personalidade.
Não há composição mais indicada para abrir o repertório de "Unnatural Display of Art" do que a intensa "The End of Times". Com certeza, são poucas as bandas (inclusive no restante do mundo) que conseguem transpirar agressividade sem abrir mão de uma execução verdadeiramente técnica – e os gaúchos da DISTRAUGHT são uma exceção a essa regra. O excelente instrumental do quinteto – com riffs cortantes e acompanhado de uma performance incrível do vocalista André Meyer – se repete em "Reflection of Clarity", outro destaque do álbum (e também das apresentações ao vivo). Por fim, o que Everson Krentz (substituído à altura por Dionatan Santos em meio à turnê) faz com a bateria é mais uma referência capaz de receber os melhores adjetivos possíveis.
De certa forma, seria um pouco injusto apontar quais as músicas que se sobressaem em "Unnatural Display of Art" por uma simples razão: todas apresentam uma qualidade extremamente louvável. No entanto, uma pequena porção delas conta com características verdadeiramente marcantes e bem-vindas: seja um refrão mais pegajoso e interessante para os shows ou um instrumental tão técnico que chega a beirar a perfeição. "Hellucinations", que conta com a participação do guitarrista convidado Diego Kasper (HIBRIA), é um claro exemplo disso, especialmente pela voz de André Meyer. Em uma vertente mais extrema, "Killing in Silence" e "Burial of Bones" são outros dois grandes destaques do CD e deixam claro que os músicos da DISTRAUGHT adquiriram muita experiência em todos esses anos de trajetória pelo nosso underground.
Na reta final do disco, outras músicas devem chamam a atenção dos fãs. O mais interessante no thrash metal da DISTRAUGHT é que os músicos gaúchos evidenciam uma busca por uma sonoridade bastante própria, sem que exista uma comparação recorrente com os ícones alemães do gênero (DESTRUCTION e KREATOR) ou com os representantes do movimento de São Francisco (DEATH ANGEL e ANTHRAX). Entre as músicas que fecham "Unnatural Display of Art", aparecem "Your God is Dead" (uma das melhores de todo o álbum) e "Hauting the Enemy", que novamente deixa clara a preocupação do grupo em construir um instrumental bem trabalhado e rico em detalhes (ou até mesmo variações rítmicas).
Não há dúvidas de que "Unnatural Display of Art" é um dos mais surpreendentes discos de thrash metal que surgiram em nosso país, nos últimos dois ou três anos. Para quem acompanha a banda desde o ‘debut’ "Nervous System" (1998), é possível notar que ela passou por uma evolução técnica que chegou ao seu ápice após todos esses anos. Entretanto, por mais que a banda possua grandes composições em "Behind the Veil" (2004) – como "Burning Pages" e "The Order" –, certamente as doze faixas do seu novo álbum são as que ficarão marcadas para a eternidade. Comprove você mesmo.
Track-list:
01. The End of Times
02. Reflection of Clarity
03. Cradle of Violence
04. Hellucinations
05. Evil Portrait
06. Killing in Silence
07. Burial of Bones
08. Your God is Dead
09. Conquering Domain
10. Hauting the Enemy
11. Villains
12. Alchemy
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