Enslaved: criando algo novo, digno de nota e de palmas
Resenha - Axioma Ethica Odini - Enslaved
Por Marcos Garcia
Postado em 07 de outubro de 2010
Nota: 9 ![]()
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A cena Black Metal norueguesa de 1990, denominada por muitos acadêmicos como a "segunda geração", revelou bandas que marcaram o estilo e o Metal como um todo, tanto pelo som quanto pelas polêmicas. O ‘vovô’ MAYHEM (que na realidade, faz parte da primeira geração), DARKTHRONE, EMPEROR, SATYRICON e tantas outras que nem cabe dizer tantos nomes aqui, pois não haveria espaço. Óbvio que a mesma força que impulsiona a humanidade para o futuro, chamada ‘evolução’, mostrou seu dedo nessas mesmas bandas, e houve mudanças em cada uma delas, algumas se negando a evoluir e indo por caminhos tortuosos, outras decaindo vertiginosamente, e outras ainda que foram aglutinando mais e mais influências musicais e criando algo novo, digno não só de nota, mas de palmas.

E neste último grupo está o ENSLAVED, que nos chega com seu 12º. CD, chamado "Axioma Ethina Odini", que mostra o quão madura uma banda pode ser, o quanto ela pode evoluir sem perder suas raízes.
É óbvio que quem acompanha a banda há tempos sentirá que eles mantiveram o mesmo direcionamento ‘Progressive Black Metal’ dos últimos CDs, mas o que chama a atenção são alguns toques de psicodelismo à lá anos 60, principalmente pela sonorização usada no teclado, em vários momentos, e mesmo os vocais limpos apontam nesta direção.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O disco abre com a longa "Ethica Odini", que inicia com um som de ventos e tempestade e depois vem um belo riff de guitarra acompanhado dos teclados, e logo os vocais rasgados de Grutle Kjellson (também baixista da banda) contrapõem-se aos belos andamentos de forma brilhante, seja nos momentos mais fortes ou nos mais técnicos. Os vocais limpos de Herbrand Larsen (que também é o tecladista da banda) aparecem como uma bela surpresa em vários momentos, inclusive em partes amenas e agressivas. "Raidho" é a próxima, onde a música se inicia mais seca e com Grutle urrando como um urso e riffs de guitarra mais secos e "motorheadianos", lembrando a fase mais inicial da banda, mas logo a vitamina de Rock Progressivo se torna aparente em uma linda parte cheia de teclados e onde a bateria mais fica mais técnica (este Cato Bekkevold toca muito bem em todo o CD). A contraposição entre os vocais limpos e rasgados dão uma beleza incomum à música, bem como o excelente trabalho de Ivar Bjørnson e Arve ‘Ice Dale’ Isdal (este, conhecido por tocar também no I e no OV HELL). A faixa "Waruun" começa mais cadenciada, e depois começa a alternar partes lentas com outras mais rápidas e progressivas, em uma fusão perfeita de som agressivo e beleza na estética musical. Em "The Beacon", mais uma vez o início nos lembra aquela fase "Frost"/"Eld" da banda, em uma golfada de agressividade, e apesar de uma amenizada com vocais limpos, a levada de baixo e bateria mantém aquela velha aura da banda, mantendo o trabalho consensual com suas raízes. A música "Axioma", de apenas dois minutos, é apenas uma narrativa com vozes bem baixas e sons de sintetizadores, dando aquela velha climática Viking tão característica do ENSLAVED.
"Giants" inicia com um clima mais tenebroso, com riffs e levada bem lentos, e o clima ainda é mais aterrorizante mais adiante, graças aos vocais rasgados graves de Grutle alternado com os limpos, e os teclados dão aquela sensação de filme de horror, embora existam momentos mais polidos. Apesar dos vocais extremamente rasgados que abrem a música, "Singular" é bonita e bem trabalhada, com belos duetos vocais e teclados bem psicodélicos. No início de "Night Sight", ficam claras influências de bandas de Rock Progressivo, bem como aquela psicodelia sonora tão característica do final dos anos 60 e do início dos 70, unida ao peso do Black Metal da banda, o que faz dela, de longe, a faixa mais progressiva e bonita do CD inteiro, e os mesmos elementos estão presentes em "Lightening", sendo esta um pouco mais agressiva e o andamento é mais rápido que a anterior, fechando assim este belo CD.
Se alguém está em busca do que a banda fazia nos seus primeiros trabalhos, irá encontrar, bem como novos fãs terão acesso a uma excelente banda que ainda não teve seu real valor reconhecido por muitos.
Recomendo sem medo.
Tracklist:
01. Ethica Odini
02. Raidho
03. Waruun
04. The Beacon
05. Axioma
06. Giants
07. Singular
08. Night Sight
09. Lightening
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