Rush: 30 anos atrás, o clássico Permanent Waves
Resenha - Permanent Waves - Rush
Por Doctor Robert
Postado em 01 de outubro de 2010
O Rush talvez seja o power trio mais famoso da história do rock. Se não o mais famoso, pelo menos é o de maior sucesso comercial, com certeza. E o mais interessante: sem nunca ter feito concessões, nem se vendido ou se tornado comercial. Seu grande êxito se deu graças à sua extremamente fiel legião de fãs espalhada ao redor do mundo, inclusive dentro do próprio meio musical, tudo muito bem demonstrado no documentário "Beyond the Lighted Stage". Você que é fã do trio se lembra de como foi seu primeiro contato com o som do grupo?
Com certeza, para a grande maioria dos fãs brasileiros na casa dos trinta e poucos anos, o primeiro contato, mesmo que extremamente involuntário, aconteceu com a infame vinheta com que a Rede Globo anunciava o início de cada episódio da série "MacGyver" (aqui, "Profissão: Perigo"), onde se ouviam os acordes iniciais da antológica "Tom Sawyer" – abertura aliás que nada tinha a ver com a original norte-americana, muito menos a canção do Rush.
Fora essa experiência citada, lembro-me que meu primeiro contato de verdade com alguma música dos canadenses se deu na casa do grande amigo Giuliano (hoje vocalista e baixista do Recordando o Vale das Maçãs). Ele tinha em suas mãos duas fitas cassetes que seu professor de contrabaixo havia lhe gravado, contendo os álbuns "Permanent Waves" e "Moving Pictures". Lembro exatamente que a primeira música que ouvi foi "The Spirit Of Radio", e enquanto tentava assimilar o que ouvia, Giuliano dizia "esses caras são criativos demais...". Para o moleque que na época só ouvia Queen, Van Halen, Iron Maiden e Scorpions, aquele som parecia meio difícil de digerir – tantos arranjos diferentes, aquelas letras e títulos complexos, que falavam sobre livre arbítrio, a escadaria de Jacó... Mas continuei ouvindo junto ao amigo, e não demorou muito tempo até que estivesse idolatrando o grupo.
E eis que este primeiro álbum que ouvi do Rush está completando trinta anos de seu lançamento – apesar de a historinha acima ter acontecido alguns bons anos depois... Como uma singela homenagem ao disco que me introduziu ao maravilhoso universo do grupo, venho recordar junto aos internautas faixa a faixa deste que é, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos de sua carreira.
No final da década de 1970 o Rush se encontrava numa verdadeira encruzilhada: embora gozassem de prestígio cada vez maior, os excessos do rock progressivo eram vistos com péssimos olhos pela indústria musical e pela mídia. Mesmo tendo construído sua carreira e imagem alheios a estes fatores, o trio mesmo se demonstrava insatisfeito com os rumos que suas composições estavam tomando. Seu último trabalho, "Hemispheres", levou tanto tempo para ser composto e gravado que quase acabou ficando sem vocais, gravados meio "às pressas", após os três terem passado um tempo enorme esmerando seus arranjos intrincados.
Nessa mesma época, outro power trio ganhava cada vez mais espaço na mídia e elogios da crítica especializada, o The Police. Sua mistura de rock, ska e reggae fazia muito sucesso, e os canadenses não passaram incólumes ao seu sucesso – Neil Peart mais assumidamente, dizia-se grande fã. Assim, "Permanente Waves", produzido pelo então fiel escudeiro Terry Brown, mostra exatamente o período de transição entre o rock progressivo setentista e o som influenciado pelo new wave que viria a ser demonstrado pelo Rush nos trabalhos pós "Moving Picutres". Aliás, o som apresentando nestes dois álbuns de 1980 e 1981 é uma mistura tida por muitos como a melhor fase do grupo.
Logo na abertura, a excepcional "The Spirit Of Radio" que, após a ótima introdução na guitarra de Alex Lifeson, traz algumas dobradas de baixo e guitarra de tirar o fôlego, sempre acompanhados pela bateria indefectível de Neil Peart. Em seu andamento, percebemos uma canção de astral elevado, uma levada empolgante, variações de ritmos (com direito até a uma passagem reggae antes do solo de guitarra, citando claramente o The Police). Até hoje é presença obrigatória nos shows do trio, e continua como uma de suas melhores composições.
A segunda faixa é nada mais nada menos que "Freewill", tema de arranjos intrincados, com mais uma belíssima letra composta por Peart, que fala sobre o livre arbítrio e a liberdade de escolhas das pessoas ("se você escolher não se decidir, ainda assim fez uma escolha"). O momento mais festejado pelos fãs nas apresentações ao vivo deste tema fica por conta do solo, onde os três músicos praticamente solam ao mesmo tempo. Outra presença obrigatória até hoje em seus shows.
Encerrando o lado A do vinil, vinha "Jacob’s Ladder", que com seus mais de sete minutos mostra o trio retomando as origens de rock progressivo. Após o clima criado na introdução com Geddy Lee passeando pelos teclados e cantando em um tom mais sombrio, temos Lifeson dando um show nas guitarras com seus riffs e solos, até que a música volta aos teclados (com Lee agora no Moog) e Neil Peart tocando os mais diversos itens da enorme percussão que rodeava sua bateria.
Virando o disco, "Entre Nous" é mais uma grande canção que fala sobre relações pessoais e as diferenças entre as pessoas. Uma boa introdução, com o Moog sempre presente de Lee entre os arpeggios de Lifeson e a bateria de Peart. O refrão com belos acordes no violão de 12 cordas demonstra toda a versatilidade e criatividade de Lifeson no período – uma ótima versão ao vivo está contida no CD e DVD "Snakes and Arrows Live". A subestimada "Different Strings" é a música mais calma e intimista do álbum, merecendo uma audição mais cuidadosa para apreciá-la – muitos fãs costumam pular este tema, pois querem ver o trio "descendo a lenha".
Encerrando tudo, temos a fantástica "Natural Science", com certeza a faixa mais progressiva e a que mais lembra o Rush dos álbuns anteriores a este. Dividida em três temas diferentes ("Tide Pools", "Hyperspace" e "Permanent Waves", de onde saiu o título do disco), o trio aqui despeja toda a sua energia e fecha com chave de ouro este trabalho marcante, que caiu nas graças do grande público, abrindo mais espaço na mídia para os canadenses, ficando entre os dez álbuns mais vendidos da Billboard naquele ano e ganhando disco de platina pela RIAA (órgão norte-americano responsável pelas gravadoras). Foi "top ten" também no Reino Unido e em diversos outros países mundo afora.
Absolutamente indispensável aos fãs de boa música.
1. The Spirit of Radio 4:57
2. Freewill 5:23
3. Jacob's Ladder 7:28
4. Entre Nous 4:37
5. Different Strings 3:49
6. Natural Science 9:16
o Tide Pools 2:21
o Hyperspace 2:47
o Permanent Waves 4:08
Produzido por Rush e Terry Brown
Geddy Lee: Baixo, sintetizador polifônico Oberheim, sintetizador OB-1, Mini Moog, pedais Taurus, vocais.
Alex Lifeson: Guitarras e violões de 6 e 12 cordas, pedais Taurus.
Neil Peart: Bateria, tímpanos, timbales, sinos de orquestra, sinos tubulares, carrilhão, sinos, triângulo, crótalos.
Hugh Syme: Teclado em "Different Strings"; capa e direção de arte.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
O álbum "exagerado" do Dream Theater que John Petrucci não se arrepende de ter feito
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Registro do último show de Mike Portnoy antes da saída do Dream Theater será lançado em março
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
A contundente opinião de Anders Fridén, vocalista do In Flames, sobre religião
Cinco discos de heavy metal que são essenciais, segundo Prika Amaral
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Max Cavalera só curtia futebol até ver essa banda: "Virei roqueiro na hora"
O guitarrista que Dave Grohl colocou acima de Jimi Hendrix, e que Brian May exaltou



O desconhecido baterista que jamais será esquecido, segundo Neil Peart do Rush
De Neil Peart a Ozzy: 10 ícones do rock e do heavy metal que faleceram nos anos 2020
A música do Rush que mudou a forma como Kirk Hammett toca guitarra
O baixista que, para Geddy Lee, está acima de Paul McCartney - e que o próprio Paul não nega
O "músico mais talentoso" com quem Geddy Lee do Rush já trabalhou: "Teimosamente determinado"
O baterista que Neil Peart disse que "não veremos outro igual"
O pior momento do Rush, segundo Neil Peart; "não dava nem pra pagar a equipe"
A banda mais influente do rock progressivo, de acordo com Geddy Lee
A música do Rush que Geddy Lee diz ser "dolorosa" de ouvir
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai


