Blind Guardian: composições inspiradas, cheias de vigor

Resenha - At the Edge of Time - Blind Guardian

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Por Júlio André Gutheil
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois de quatro longos anos, e de uma espera torturante, temos para ouvir o tão aguardado novo disco de inéditas do Blind Guardian. A banda não precisa de apresentação nenhuma, já que uma carreira que beira os 25 anos recheados de músicas que viraram hinos entre fãs tem credenciais suficientes para dizer a que veio.
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Este “At the Edge of Time” tem mais peso (algo de que a maioria dos fãs sentiu falta no antecessor “A Twist in a Myth”), inúmeros momentos épicos e emocionantes, velocidade, vocais rasgados, vocais limpos brilhantes, solos inspirados, orquestrações, corais bombásticos e uma profusão de elementos folk e místicos que dão um clima espetacular ao álbum. Composições inspiradas, cheias de vigor, feeling, intensidade. Hansi, os guitarristas Andre e Marcus, e o agora mais a vontade baterista Frederick formam um grupo entrosado, coeso e com uma criatividade que parece não ter fim, que nos presenteou com um dos melhores discos do ano.

A introdução cinematográfica de ‘Sacred Worlds’ é de arrepiar. As vocalizes que antecedem o início do instrumental nos carregam na expectativa do que está por vir (por mais que já conhecêssemos a música nas suas duas outras versões, a editada da revista Metal Hammer e do jogo Sacred II – The Fallen Angel). O refrão desta música é imponente, grandioso, levando consigo a essência do termo “épico”. Provavelmente será um momento emocionante na próxima turnê ouvir uma multidão cantando-o a plenos pulmões. Em suma: uma peça fabulosa, de ritmo quase marcial, um verdadeiro hino de guerra empolgante e inspirador.

Dezoito anos depois da clássica “The Quest for Tanelorn”, a mística cidade criada pelo escritor inglês Michael Moorcock que some e reaparece em meio ao tempo e ao espaço dá vida a ‘Tanelorn (Into the Void)’. Uma faixa de riffs cortantes, acelerada e com um refrão poderoso entoado por uma interpretação inspirada de Hansi (que perdeu os cabelos, mas não o pique). Lembra bastante a fase do “Imaginations From The Other Side” (1995). ‘Road of no Realese’ soa melancólica, tem uma letra sombria, que conta uma história trágica, com vários personagens que desenrolam um tipo de diálogo bastante perturbador. É uma ótima faixa, uma semi-balada de contornos épicos, mas que tem uma digestão um pouco mais lenta, mas que com ouvidas mais seguidas e apuradas vai mostrando todo o seu valor.

A próxima é para os saudosistas da fase mais speed metal da banda. ‘Ride Into Obsession’ já começa numa velocidade estonteante, nos atirando de um lado para outro. O andamento do vocal é espetacular, Hansi mais uma vez nos brinda com uma interpretação irrepreensível, que desanda num refrão impressionante, de se cantar junto até perder o fôlego. Como de costume temos a balada medieval. ‘Curse My Name’ é uma música linda, repleta de dedilhados, percussões e vários instrumentos acústicos que dão um clima mágico a ela. Eu duvido que eles consigam algum dia criar outro clássico como “The Bards Song – In The Forest”, que seja entoado unissonamente por toda a platéia dos shows, mas de qualquer forma, as baladas que apareceram nos discos seguintes são todas de beleza inquestionáveis, singelas, tocantes e que sempre irão salientar a veia medieval dos bardos alemães.

‘Valkyries’ é uma música absurdamente linda, um tanto melancólica, mas que transborda feeling. O instrumental da música é épico, tocante, que evoca os deuses e as criaturas da mitologia nórdica. E a mitologia dos países escandinavos é de certa forma recorrente na temática do Blind, passando pelo clássico absoluto ‘Valhalla’ do “Follow the Blind” e também dando as caras na bela balada ‘Skalds and Shadows’ do último disco. Enfim, uma das melhores do disco todo. Depois temos a interessantíssima ‘Control the Divine’, que provavelmente seja uma das referências à obra “Roda do Tempo” de Robert Jordan (Um escritor norte-americano pouco conhecido no Brasil) que estão neste disco. Uma música veloz, com bastante pegada, que começa parecendo um pouco confusa, mas que depois emenda um refrão muito bom. A banda manteve os fãs inteirados sobre o processo de produção vi Twitter, e em algum Tweet mencionaram que esta música em especial rendeu muito trabalho, tão intenso que parecia que estavam querendo controlar algo que fosse obra de Deus, por isso seu nome. Uma sacada interessante.

Mais uma balada! E uma balada de respeito também, diga-se de passagem. ‘War of the Thrones’ é baseada no livro “A Game of Thrones”, que é o primeiro livro de uma série de 7 que compõe a saga de fantasia “A Song of Ice and Fire”, do escritor norte-americano George R. R. Martin (outro autor que infelizmente não é muito conhecido no Brasil). Uma música belíssima, charmosa, que talvez tenha um nome forte demais, mas que proporciona um ótimo equilíbrio para o disco.

‘A Voice in the Dark’ tem uma pegada tão intensa que poderia facilmente fazer parte do track-list do “Imaginations From the Other Side” (1995). É o single do disco e conta com um vídeo clipe muito bacana (Apesar de ser um tanto tosco em algumas partes, porém muitíssimo bem produzido). Outro grande destaque do disco, talvez a melhor, e que com certeza estará no set da próxima turnê, e com igual certeza será brada com entusiasmo pela platéia.

E para fechar com chave de ouro temos a obra-prima ‘Wheel of Time’. Li uma entrevista em algum lugar onde eles diziam que iriam fazer uma música que unisse o caráter homérico e épico de ‘And Then There Was Silence’ com o peso e a velocidade de ‘The Script for my Requiem’, e pode-se afirmar com certeza absoluta que eles conseguiriam. Obviamente também é referência à série “Roda do Tempo”, e isso absolutamente claro onde diz: “Just keep on spinning, there's no beginning'”, já que na história o mundo não tem começo nem fim, foi criado pela roda do tempo que é alimentada pela magia da verdadeira fonte. Um espetáculo de música, repleto de orquestrações, elementos árabes, corais e instrumentos exóticos. Uma verdadeira fusão de tudo que se ouviu nas outras faixas, numa química perfeita, balanceada e que resultou num produto final esplêndido, absurdamente épico e cheio de peso e velocidade.

Por fim, um trabalho maravilhoso, esmerado, onde eles se esforçaram ao máximo para garantir aos fãs um produto de altíssima qualidade. Como já disse: um dos melhores discos do ano!

Track list:
1. Sacred Worlds (9:17)
2. Tanelorn (5:58)
3. Road Of No Release (6:30)
4. Ride Into Obsession (4:46)
5. Curse My Name (5:52)
6. Valkyries (6:38)
7. Control The Divine (5:26)
8. War Of The Thrones (Piano) (4:55)
9. A Voice In The Dark (5:41)
10. Wheel Of Time (8:55)

Site: www.blind-guardian.com

Myspace: www.myspace.com/blindguardian

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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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