Alice in Chains: mais que decente, um dos melhores de 2009
Resenha - Black Gives Way to Blue - Alice in Chains
Por Leandro Freitas
Postado em 02 de novembro de 2009
Layne Staley faleceu em 5 de abril de 2002, data que, por uma trágica coincidência, é a mesma do aniversário da morte de Kurt Cobain (exatamente 8 anos depois). Uma perda irreparável para a música. De lá pra cá rolou muita coisa na vida dos remanescentes do Alice In Chains até a decisão pelo retorno em 2005, com Willian Duvall se juntando ao grupo.
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Quando o anúncio da gravação de um novo álbum veio, muitos torceram o nariz. Normal. Isso sempre acontece quando bandas clássicas mudam a formação e/ou integrantes tidos como partes essenciais da banda são substituídos. Sempre há o medo de um passado glorioso ser destruído por uma reunião caça-níques ou um novo integrante que não esteja à altura do cargo.
Cantrell pisou em terreno perigoso. Admito que em grande parte das vezes essas mudanças são desastrosas. Mas eu costumo dar um crédito, me desapegar de certas regras e ouvir o resultado com a mente aberta.
Pela qualidade dos músicos, pelos bons discos da carreira solo de Cantrell, eu esperava um resultado decente. Ledo engano: bem mais que decente, me deparei com um dos melhores discos de 2009.
A audição desse disco foi algo forte, pois realmente parece ser uma homenagem a um irmão, um amigo que se foi. Algo tão honesto feito por músicos de tanto talento tinha poucas chances de dar errado.
Não tem como não se emocionar ouvindo músicas como "Your Decision", "Private Hell" e "Black Gives Way to Blue" (esta última com a participação de luxo dos pianos de Sir Elton John). Letras inspiradíssimas e construídas com maestria, aquele clima balada nada brega que o AIC sempre fez com excelência.
A parte mais pesada do disco, representada por "Last Of My Kind", "Check My Brain" e "A Looking View" tem grandes músicas. São diferentes das coisas pesadas que o AIC fez no passado, como em "Dirt". Não são tão pesadas, flertam mais com o Hard Rock do que com o Metal, com o a pegada alternativa. São ótimas, colam na cabeça sem soarem clichês.
"Another Lesson Learned" e "Take Her Out" são "rockões" mais lentos e ótimos. O disco é extremamente coeso e alterna muito bem os climas. É meio que um mix do que foi o Alice in Chains e os trabalhos solos de Cantrell. É prazeroso ouvir um disco inteiro sem querer pular músicas, adiantar partes chatas...
Vendo apresentações ao vivo, Willian Duval parece mais um competentíssimo músico de apoio da banda do que o novo frontman. Pelo que vejo, acertadamente, Cantrell assumiu essa função. No novo disco a voz de Cantrell está muito mais presente que a de Duvall, que faz a maioria das segundas vozes e mostra a cara nas partes mais pesadas, onde saiu-se muito bem. Até nas apresentações ao vivo recentes mostra uma grande evolução desde sua entrada. Um cara que, apesar de ótimo músico, não preenche por completo a lacuna deixada por Layne, mas faz um trabalho excelente com a ajuda de Cantrell.
É incrível como em algumas harmonias vocais das músicas quase que podemos ouvir a voz de Staley, como em "Private Hell" e "When the Sun Rose Again". Isso pode ser um incômodo pra alguns, soar como cópia. A semelhança às vezes é absurda. No entanto, devemos ter em mente que está ali 50% daquilo que foi e ainda é a marca da banda: os arranjos vocais elaborados, harmonias de clima denso e obscuro. Mas é a voz de Cantrell que lembra a de Staley e não a de Duvall.
Este é um disco que presta tributo a um cara que transmitiu suas angústias pela música. Infelizmente, os melhores morrem cedo. Às vezes acho que Deus os leva para que nos lembremos apenas das coisas boas que fizeram. Os leva antes que se transformem em sombras do passado. Layne será sempre um pedaço do Alice In Chains. O Alice in Chains sempre vai ter um pedaço de Layne. "Black Gives Way to Blue" é um discaço, inspiradíssimo, um oásis no meio de tantas voltas forçadas e de tantos discos sem alma que temos por aí.
Se por acaso você criou certas regras na sua cabeça, abstraia, ouça o disco de mente aberta e terá 54 minutos de ótimas músicas, inspiradas e que honram o passado de umas das grandes bandas da história. Layne deve estar orgulhoso...
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