Evergrey: sólido e competente, um dos melhores de 2008
Resenha - Torn - Evergrey
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 15 de junho de 2009
Nota: 8 ![]()
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"Monday Morning Apocalypse", disco lançado pelo Evergrey em 04 de abril de 2006, marcou por mostrar o grupo sueco, liderado pelo vocalista e guitarrista Tom S. Englund, inserindo novos elementos em seu som. De uma maneira geral, a banda deu uma limpada no prog metal dos primeiros álbuns e partiu para uma música mais simples, mas não menos competente, com riffs mais diretos e a ausência quase total de passagens progressivas. Isso fez com que "Monday Morning Apocapypse" não fosse muito bem aceito por uma parcela considerável de fãs do Evergrey (só para contar, eu gosto muito do disco), apesar de conter um conjunto de canções bastante forte, repletas de ótimos refrões e inspirados solos de guitarra.

Ao escutar o novo disco do grupo, "Torn", lançado em 22 de setembro de 2008 na Europa e que agora chega ao Brasil via Hellion Records com uma faixa bônus - "Caught in a Life" -, percebe-se que a banda sentiu as críticas. Ao falar sobre o álbum ainda durante o processo de criação e gravação do mesmo, Englund antecipou que o disco seria mais na linha de trabalhos como "Recreation Day" (2003) e "The Inner Circle" (2004) do que de "Monday Morning Apocalypse", mais progressivo e menos direto que o seu antecessor.
Ouvindo o CD percebe-se que esse comentário de Tom soa como uma meia verdade, pois "Torn" bate em nossos ouvidos como uma mescla dos três últimos discos do grupo, justamente os já citados "Recreation Day", "The Inner Circle" e "Monday Morning Apocalypse". Os trechos progressivos presentes aos montes em "Recreation Day" e "In Search of Truth" (2001) são escassos, mas isso não significa que as faixas sejam menos complexas.
As composições de "Torn" seguem a mesma fórmula de "Monday Morning Apocalypse": ótimos riffs repletos de groove, refrões marcantes e que grudam de imediato na cabeça, e ótimos solos do guitarrista Henrik Danhage, tudo embalado em fortes canções que giram entre quatro e cinco minutos de duração. Outra característica que chama a atenção e merece destaque é a grande presença dos teclados, a cargo de Rikard Zander, quase sempre acompanhando e complementando o trabalho das guitarras, criando uma atmosfera bastante interessante para o ouvinte.
Tom S. Englund canta com a classe habitual, mas arriscando um pouco em tom mais altos. A sua voz é muito agradável, e, inegavelmente, Englund é um ótimo intérprete, carregando as faixas com emoção e sentimento. As guitarras, a cargo de Englund e Danhage, fazem um ótimo trabalho, com timbres muito pesados e riffs que priorizam a composição, estando longe dos exercícios egomaníacos que caracterizam grande parte dos grupos prog. Elas são um dos pontos altos do CD, sem sombra de dúvidas. A bateria de Jonas Ekdahl está excelente, com grandes viradas e andamentos bastante criativos e técnicos, tudo complementado pelo ótimo trabalho do baixista Jari Kainulainen, ex-Stratovarius, que estreia em "Torn" e mostra ter sido uma escolha acertada para o posto.
"Torn" é um disco sólido e competente porque as suas composições são muito boas. Não há nenhuma faixa mediana no play. O Evergrey encontrou uma fórmula própria de executar um heavy metal cheio de personalidade, reconhecível de imediato.
Fechando, vale lembrar que "Torn" foi eleito o Melhor Álbum de Metal Alternativo pela Swedish Metal Awards, e tem entre seus fãs o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, que o elegeu um dos melhores discos de 2008 em seu programa de rádio, Friday Rock Show.
Faixas:
1. Broken Wings - 4:42
2. Soaked - 4:59
3. Fear - 4:16
4. When Kingdoms Fall - 5:33
5. In Confidence - 4:03
6. Fail - 4:50
7. Numb - 5:18
8. Torn - 4:43
9. Nothing Is Erased - 4:41
10. Still Walk Alone - 4:44
11. These Scars - 5:51
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