Rebellion: filhote do cultuado cenário power germânico
Resenha - Miklagard; The History of Vikings Volume II - Rebellion
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 13 de abril de 2009
Nota: 5 ![]()
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O Rebellion é um dos mais recentes filhotes diretos do cultuado cenário do power metal germânico. Formado pelo guitarrista Uwe Lulis e pelo baixista Tomi Gottlich, ambos ex-integrantes do Grave Digger, o grupo pratica uma porradeira simples e direta, com riffs gêmeos cortantes, uma bateria de pedal duplo que parece um trovão e um vocal rasgado cantando sobre temas épicos. Neste disco conceitual, continuação direta de "Sagas Of Iceland – The History Of Vikings Vol I" (2005) na prometida trilogia sobre a história dos vikings (assunto favorito de 9 entre 10 bandas de metal européias, seja sincero), eles não fogem à regra. O disco segue a fórmula bonitinho, timtim por timtim. Veja: o grupo faz aquele que se propõe com bastante competência, é preciso dizer. Para alguns, isso pode ser o suficiente. Mas eu acho que, nos últimos anos, tenho ficado um pouco mais exigente – e meus ouvidos começam a demandar uma sonoridade um pouco mais própria e com toques de personalidade. A última coisa que quero é ouvir uma banda que apenas se parece com dezenas de outras similares.

Não me entendam mal: eu adoro as bandas de heavy metal alemãs. Estão entre as minhas favoritas. Mas quando eu ouço o Grave Digger, sei exatamente que são eles. Quando eu escuto o Blind Guardian, não tem como confundir e pensar que se trata de outra banda. O mesmo vale para o Rage, para o Running Wild, para o Helloween. Repito algo que já escrevi muitas vezes por aqui: dizer que uma banda precisa desenvolver sua própria personalidade não significa que ela tenha que incorporar toda uma série de frescuras e invencionices eletrônicas ou afins ao seu som. Nada disso. E eu seria um mentiroso se dissesse que músicas como "God of Thunder" ou a quase thrash "Rus" não me fazem ter vontade de bater cabeça na hora. São petardos muito bons – mas que qualquer outro competente grupo de metal poderia ter gravado. Tudo se desenrola muito óbvio e previsível. Pode ser feijão com arroz. Mas precisa ter um tempero especial para que se possa reconhecer o toque do cozinheiro.
Num mundo digital e globalizado como este em que vivemos, qualquer banda pode colocar seus sons tranquilamente no MySpace para fãs de todo o planeta ouvirem – e sem que ninguém, de um lado ou de outro, gaste um centavo. Ser apenas bom não basta mais. Não adianta ser somente uma banda de metal germânico genérica. É preciso ter uma cara própria, é preciso ser único, é preciso ousar um bocadinho, se reinventar e surpreender seu público, por mais que seja dentro dos limites dos mais extremos estilos musicais. Que seja, então. "Criatividade" é a palavra de ordem. E neste sentido, o Rebellion falha miseravelmente neste "Miklagard". Trata-se de uma obra que poderia facilmente ser o disco 2 do anterior, "Sagas of Iceland". Uma extensão, e não uma continuação.
Se dá para fazer um grande destaque é, sem dúvidas, a entrada da guitarrista Simone Wenzel no lugar de Bjoen Eilen. Ter uma mulher assumindo as seis cordas no meio de um bando de marmanjos e, vejam só, sem ser vocalista, é um fato inusitado e que merece ser comemorado. E o trabalho da moça é realmente surpreendente – basta ver como ela pega pesado na dobradinha com Lulis em "Our Backs to The Wind", por exemplo.
A terceira parte da trilogia,"Arise – From Ragnarök to Ginnungagap", deve sair em junho deste ano. E eu juro que fico aqui torcendo para que o quinteto reverta a situação. Porque o que todo fã quer, no fundo, é estar cercado de boas opções de bandas para ouvir. E eu espero que o Rebellion se torne uma delas.
Line-Up:
Michael Seifert – Vocal
Simone Wenzel – Guitarra
Uwe Lulis – Guitarra
Tomi Gottlich – Baixo
Gerd Lucking – Bateria
Tracklist:
01. Vi seglar mot Miklagard – com vocais de Charles Rytkönen, do Morgana Lefay
02. Sweden
03. Free
04. On The Edge Of Life
05. Ulfberth
06. The Rus
07. Kiew
08. Aifur
09. Taste Of Steel
10. God Of Thunder
11. Our Backs To The Wind
12. Miklagard
13. The Uprising
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