Dynahead: álbum sólido, coeso e coerente de cabo a rabo
Resenha - Antigen - Dynahead
Por Bruno Coelho
Postado em 11 de abril de 2009
Nota: 9 ![]()
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O Dynahead é uma banda brasiliense com alguns anos de estrada e agora chegam ao primeiro full length. Até aqui tudo normal. O que não é nada normal é a qualidade do material gráfico e da música contida no álbum Antigen. Terei que ultrapassar as barreiras da audácia para tentar classificar ou enquadrar a banda em qualquer vertente do rock. Influências de Nevermore, Death, Pain of Salvation, Tool, Opeth e Testament estão por toda parte, mas a banda não soa rigorosamente como quaisquer destas.
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A sólida mixagem realizada no Brasil, juntamente com a masterização de James Murphy (Testament, Death, Obituary etc) colocaram a brutalidade da banda em pratos limpíssimos. Instrumentos nítidos em todas as faixas. Isso é extremamente necessário quando se tem tamanha técnica em seus músicos. Técnica esta de deixar qualquer ouvinte brasileiro tarimbado sem acreditar que o Dynahead é uma banda conterrânea. Como pode tanto talento estar tão escondido por tanto tempo? Porque esses caras ainda não estouraram no mundo todo?
Bom, a resposta pode estar na complexidade do álbum. Não há a mínima possibilidade de absorver todo o conteúdo de "Antigen" em uma primeira ouvida. As constantes mudanças de andamento, o intricado trabalho de vozes e guitarras vão exigir o mesmo trabalho de leitura que qualquer bom álbum do Dream Theater, Pain of Salvation ou Symphony X. A diferença é que o peso da banda vai lhe exigir força na boca do estômago, pois a porradaria não para de vir.
Já com a modernidade da primeira faixa, "Clockwork", e o apelo thrasher da segunda, "Layer of Days", podemos vislumbrar o massacre que vem pela frente. A entrada mais grooveada da terceira, "Virtual Twin", cai em pura porradaria e volta ao groove, apenas para cair numa melancolia puramente Opeth como se fosse a coisa mais natural do universo banger. A quarta e minha favorita no álbum, "Tactile Heaven", arranja espaço até para solos jazzísticos. Tudo que vem depois segue basicamente a mesma receita: muita técnica, muita criatividade e muito soco no estômago - sempre com um tempo para o ouvinte respirar antes do próximo golpe. Na altura de "Do You Feel Cleansed", a oitava faixa, e sua violenta introdução, você já fechou os olhos e bangeou e suou e já tem uma noção do que virá pela frente. Engano seu. Como eu disse, a receita é basicamente a mesma, mas, inusitadamente, surpreender-se ainda é regra em Antigen.
Com todas as mudanças de clima e andamento, "Antigen" podia muito bem ser o samba-do-crioulo-doido, mas o disco é estupidamente sólido, coeso e coerente de cabo a rabo. Quando o fim do álbum chega com "Starry Messenger" você não percebeu que quase 50 minutos se passaram e já conseguiu entender quem é o Dynahead. Você sente que podem tocar qualquer nova música da banda que você dirá: "Ah, isso é Dynahead, pô!". Feito dificílimo de ser alcançado hoje em dia e merece aplausos de todos nós.
Como toda boa banda, o Dynahead também tem seus problemas. Não encontrar as letras das músicas no encarte pode frustrar alguns ouvintes. Muita gente nem vai se tocar pra isso, mas ainda existem pessoas que curtem ficarem deitadas acompanhando o som com as letras na mão. Outra observação que creio poder atrapalhar a banda é a falta do famoso "gancho" nas músicas de Antigen. Por mais que seja impossível não ficar pasmo e feliz diante de tanta qualidade, acho que muitos ouvintes iriam gosta de poder cantarolar uma passagem grudenta ou outra do álbum. Sem encarte com letras e quase sem gancho fica meio complicado, o que torna um álbum de difícil assimilação ainda mais difícil de ser assimilado.
O que ainda se pode dizer deste ótimo "Antigen"? Soa perfeitamente consumível pelo mercado internacional e muito acima da média dos discos lançados por bandas nacionais. Soa como o trabalho de uma vida inteira tentando escrever o melhor álbum do metal nacional de todos os tempos. Ainda não foi desta vez, mas, meus amigos, como passou perto!
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