Wishbone Ash: a versão do vocalista original Martin Turner

Resenha - Argus: Through The Looking Glass - Martin Turner's Wishbone Ash

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Como várias outras bandas clássicas dos anos 70, o Wishbone Ash foi durante o tempo sofrendo diversas alterações em sua formação, e nos últimos anos apenas o guitarrista e vocalista Andy Powell permaneceu, convidando outros músicos para o acompanhar. Há pouco mais de 2 anos atrás, entretanto, o baixista/vocalista original Martin Turner estreou a sua versão da banda, que vem lançando discos ao vivo e agora um “remake” do álbum “Argus”, o mais cultuado do grupo original.
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Certamente não é a primeira vez que algo desse tipo ocorre: a “disputa” do nome de uma banda clássica por seus antigos e/ou atuais membros. Exemplos abundam, em diferentes graus, desde as 2 versões concomitantes do Saxon, até as versões do Whitesnake com integrantes antigos do grupo (The Snakes, Company of Snakes, M3, etc.). No caso específico do Wishbone Ash, a disputa se dá nos seguintes termos: enquanto Andy Powell sempre manteve o conjunto na ativa, até os dias atuais, lançando regularmente álbuns e excursionando pelo mundo (inclusive pelo Brasil, em 2003), Martin Turner afirma que a sua versão do grupo é mais fiel ao som clássico, por ser ele o principal vocalista e compositor, além de ter mantido o estilo mais fiel aos anos 70. Um detalhe: o nome “Wishbone Ash” pertence aos 4 integrantes originais que são, além de Martin e Andy, o guitarrista Ted Turner e o baterista Steve Upton.

Bem, cada um vai ter alguns argumentos a seu favor, mas o fato é que as duas versões do Ash são ótimas. De fato o Andy Powell’s Wishbone Ash tem um som mais moderno e pesado, enquanto que o Martin Turner’s Wishbone Ash apresenta um som mais clássico, mais elegante, tocando as músicas sem aquele sentimento de urgência que permeia o mercado atual de música. Respectivamente em 2006 e 2007, Martin lançou com sua banda 2 CDs ao vivo chamados “New Live Dates” Vol. 1 e 2 (claras referências aos clássicos “Live Dates” do Ash original). E, agora em 2008, lançou o primeiro disco de estúdio desde seu retorno. Porém, em vez de compor material inédito, decidiu por regravar o que é considerado como sendo o melhor disco do Wishbone Ash, “Argus” (de 1972). Provavelmente, não por falta de material novo, mas sim por uma decisão estratégica de mostrar aos promotores de shows que essa versão da banda é mais fiel à estética setentista. Afinal, hoje em dia os artistas (e portanto, os managers) ganham mais dinheiro com shows do que com vendas de discos. Uma prova disso é que a outra versão do grupo anda também tocando o disco “Argus” inteiro ao vivo. Confuso? Talvez a ideia seja essa mesmo...

Analisando o disco em si, e conforme explicado no próprio CD, o conceito básico foi regravar as músicas mantendo o espírito original intacto, porém agregando as vantagens tecnológicas das modernas técnicas de gravação. Acompanhando Martin na empreitada estão Ray Hatfield (guitarra e vocais), Keith Buck (guitarra e vocais), e Rob Hewins (bateria e vocais). Como no decorrer das gravações Buck deixou o grupo, o novo guitarrista/vocalista Danny Willson acabou também adicionando algumas contribuições. Além disso, a dupla John Wetton (baixo, vocal) e Geoff Downes (teclados), que tocam juntos tanto no Asia quanto no iCon, colaboraram em “Throw Down The Sword”.

As versões novas são de fato muito fiéis às antigas em tudo: clima, peso, velocidade, arranjos em geral. As harmonias vocais e das guitarras, pontos altos da banda, estão impecáveis. Alguns pequenos detalhes foram inseridos, como forma de trazer algum interesse ao novo lançamento. Em primeiro lugar, a ordem das músicas foi levemente alterada, com “Blowin’ Free” sendo jogada para o fim do disco. Segundo Martin, ele havia escrito esta música antes da época de lançamento do disco original, e ela possuía um estilo mais “extrovertido e descompromissado” que o resto do material, que é mais introspectivo. No formato original de LP, ela teve um papel importante ao fechar o lado A, mas agora, em CD, ele preferiu que ela tivesse o mesmo papel ao fechar o disco como um todo. Além disso, embora guitarra, baixo e bateria tenham sido reproduzidos quase que de forma idêntica aos originais, há algumas diferenças aqui e ali, de forma a interessar mesmo aos ouvintes que conhecem o original de cabo a rabo.

A versão mais interessante, nesse aspecto de repaginação, acabou ficando por conta de “Throw Down The Sword”, que teve a participação de Geoff Downes no órgão Hammond e de John Wetton nos “harmony vocals”. A versão original não continha teclados, logo o órgão agregou um detalhe bastante interessante, mesmo tocado de forma sutil, ao fundo. Já o vocal de Wetton casou de forma perfeita com o de Turner, e o resultado foi ótimo, ficando diferente do original. Um fato curioso foi que Wetton havia sido, há anos atrás, justamente o substituto de Turner na banda, quando este saiu do grupo em 1980.

Resta-nos agora aguardar pelo lançamento também de músicas inéditas. Martin Turner parece estar em plena forma, e os músicos que o acompanham também. Quem sabe até ele consiga trazer Ted Turner para o seu barco, pois o guitarrista já andou dando umas canjas com o grupo ao vivo (devidamente registradas nos “New Live Dates”). Uma curiosidade final: Ted e Martin *não* são parentes.

Tracklist:
1. Time Was
2. Sometime World
3. The King Will Come
4. Leaf And Stream
5. Warrior
6. Throw Down The Sword
7. Blowin' Free

Site: http://www.wishboneash.co.uk/

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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