Tempus Fugit: valeu a pena esperar o novo álbum de estúdio

Resenha - Chessboard - Tempus Fugit

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Após 9 anos de quase silêncio, a banda carioca Tempus Fugit finalmente volta a soltar no mercado um disco de estúdio. Quem acompanha a banda sabe que as músicas deste álbum estão prontas há muito tempo, entretanto uma série de problemas ocasionou o grande atraso na gravação e no lançamento. Felizmente, valeu a pena esperar...
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O estilo conhecido como neo-progressivo surgiu nos anos 80 como um consagrado retorno do chamado rock progressivo, se não de forma tão retumbante quanto nos anos 70, ao menos gozando de uma aclamada renovação. Mesmo sem apresentar os mesmos pioneirismo e inovação das bandas mais antigas, grupos como Marillion, IQ, Pendragon, etc. definiram a linha que seria seguida por uma série de bandas a partir dali. O Tempus Fugit fez parte do movimento subseqüente, sendo uma das bandas de maior destaque do cenário no Brasil.

Após ter lançado os discos “Tales From A Forgotten World” (1997), “Official Bootleg Feb 98” (1998, ao vivo) e “The Dawn After The Storm” (1999), a banda passou por uma espécie de hiato, se apresentando esporadicamente, e não mais soltando material algum até o presente lançamento. A formação atual do conjunto inclui o tecladista e vocalista André Mello, o guitarrista Henrique Simões, o baixista André Ribeiro e o baterista Ary Moura, ou seja, a mesma formação do disco anterior (nesse meio tempo, Ary saiu e acabou por retornar à banda). Há ainda a participação neste álbum dos vocalistas Mirna Bertling e Fernando Sierpe, além do guitarrista José Roberto Crivano (do Quaterna Réquiem) e do baixista Pedro Peres, que inclusive já integraram o Tempus Fugit em diferentes ocasiões no passado.

A faixa de abertura, “Pontos de Fuga”, é um instrumental de primeira grandeza, lembrando um pouco o estilo da banda alemã Eloy, e portanto se afastando um pouco dos clichês do neo-prog. Logo de cara se nota que a produção está nota 10, com todos os instrumentos audíveis e muita energia. Além disso, é notável a evolução que todos os músicos tiveram desde os antigos álbuns. André Mello e Henrique continuam esbanjando precisão e bom gosto, alternando solos e momentos de destaque. A cozinha composta por Ary e André (Ribeiro) surpreende com um requinte, um “groove” e uma variação não encontrada nos primeiros discos, o que enriquece muito os arranjos da banda.

“Unfair World” é a primeira faixa cantada, e pode-se claramente perceber o quanto André Mello cresceu como vocalista, tanto na execução da função em si quanto na sua pronúncia em inglês. Os vocais no Tempus Fugit, aliás na maioria das bandas progressivas brasileiras, sempre foram um tema polêmico, mas estão agora bem mais maduros. Além disso, mudanças de andamento, vários pequenos solos, grandes doses de melodia, tudo o que um apreciador de rock progressivo pode desejar, estão aqui presentes. Henrique Simões esbanja bom gosto e técnica, sem nunca exagerar na quantidade de notas, tudo bem encaixado no contexto. Lembra em alguns momentos Steve Howe, do Yes, e seu estilo “violonista tocando guitarra”. “Only To Be With You” vem a seguir, com boa introdução instrumental onde o baixista André Ribeiro se sobressai, tendo a chance até de solar. Lá pelos 3 ou 4 minutos de duração começa a parte com vocais, sem descuidar dos arranjos instrumentais, com ótimas inserções de piano e bandolim. Um longo (quase 2 minutos!) e belíssimo solo de guitarra é o ponto alto, lembrando os bons dias do Camel. Ainda há espaço para mais um solo de baixo no fim. “The Princess” apresenta os vocais femininos de Mirna Bertling em contraponto/conjunto aos de André, numa bela composição dividida em duas partes. A primeira (“My Princess”) é uma balada, já a segunda é um tema instrumental lembrando um pouco as levadas do Pink Floyd, com grandes solos de guitarra e Minimoog.

Mas o melhor acabou ficando para o fim. A longa faixa-título, “Chessboard”, com seus quase 20 minutos de duração, inclui também 2 segmentos, sendo que o primeiro começa mais lento, com vocais de Mello e Mirna, passando depois a um momento mais “tenso”, com ótimas participações de todos: sintetizadores & órgão, guitarra, baixo e bateria. O segundo segmento mais uma vez soa um bocado como Eloy, sem ser uma mera cópia, até porque o baixo cheio de “swing” e violão com uma sonoridade brasileira não deixam o ouvinte se enganar sobre a procedência da banda.

Mais um excelente lançamento do Tempus Fugit, resta-nos esperar que voltem a fazer mais shows (e não os esporádicos que têm feito muito raramente) e que lancem seus trabalhos mais regularmente. Talvez o único ponto em que esse novo CD não ganhe do anterior (“The Dawn After The Storm”) seja na qualidade das composições em si, mas a performance e a gravação estão muito melhores, por outro lado. Entre os pontos (muito) positivos neste novo lançamento está o cuidado com a arte, sendo que o CD vem num digipak triplo, fruto do investimento do selo Masque Records na banda (eles também relançaram recentemente o disco de estreia, “Tales From A Forgotten World”, numa edição especial). A duração total do CD, de cerca de 50 minutos, é de se louvar em tempos em que os grupos entulham seus discos com 80 minutos de material, incluindo quase que invariavelmente faixas desnecessárias que acabam por diminuir o valor do trabalho como um todo. A qualidade de gravação, mixagem e masterização está primorosa, ressaltando os instrumentos certos nas horas certas, e com grande dinâmica.

Tracklist:
1. Pontos de Fuga
a) Part I b) Part II
2. Unfair World
3. Only To Be With You
4. The Princess
a) My Princess b) Tears From The Sky
5. Chessboard
a) The Game Of Life b) The Living

Site: http://www.myspace.com/tempusfugitofficial

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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