Madame Saatan: uma pesada (e grata) surpresa do Pará

Resenha - Madame Saatan - Madame Saatan

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Fernão Silveira
Enviar correções  |  Ver Acessos


A combinação de uma voz feminina marcante com uma base instrumental pesada está longe de ser novidade. No Brasil, aliás, o "hit parade" abraçou avidamente uma certa cantora baiana que despontou com alguma personalidade, mas logo caiu no limbo do "mais-do-mesmo" musical. Entretanto, vem do Pará uma grata surpresa que se aventura a fazer rock pesado com uma voz que veste saias. Falo da banda MADAME SAATAN, que debutou com um interessante e bem produzido álbum auto-intitulado.

Históricas: Fotos de encontros inusitados entre rockstarsAC/DC: como Angus responde a um copo de cerveja atirado?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O quarteto de Belém, formado por Sammliz (vocal), Edinho Guerreiro (guitarra), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria), nasceu em 2003 e logo começou a se destacar em festivais de rock pelo Brasil afora. O primeiro registro oficial em CD foi possível graças ao pool de gravadoras independentes Ná Records (PA), Cubo Discos (MT), Fósforo Records (GO) e Fora do Eixo. E vale a pena a experiência.

O que se pode encontrar em "Madame Saatan" é um rock vigoroso, no qual a base instrumental de Guerreiro, Suzuki e Vanzar é verdadeiramente matadora. O hardcore, o thrash metal oitentista (principalmente) e algumas doses de nü metal são as influências mais claras que o quarteto demonstra ao longo das 10 faixas do álbum. Mas existe uma brasilidade inquestionável em todo o trabalho: pancadas como "Gotas em Caos de Selva Avenida" e "Cine Trash", por exemplo, remontam aos tempos áureos do experimentalismo do SEPULTURA (mas sem os vocais de Max!).

A frontwoman Sammliz também merece destaque. Letrista da banda, ela imprime suas digitais e demonstra criatividade nas composições. De cara, já acerta ao compor e cantar em português, mesmo que os riffs e introduções dêem ao ouvinte a certeza de que os versos vindouros serão pronunciados em inglês, por alguma voz gutural da Califórnia. E justamente este paradoxo (no bom sentido) é um dos grandes diferenciais da banda - algo que pode causar alguma estranheza nas primeiras audições, mas logo se torna um interessante atrativo à sonoridade do disco.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"Molotov", "Duo", "Ele Queima Ela Sorri" e "Messalina Blues", que poderiam ser classificadas como "nü-baladas", são quatro das músicas em que Sammliz parece mais bem enquadrada na moldura musical preparada pelos rapazes. Mas é em "Apocalipse", dotada de uma letra muito bem sacada e um cenário instrumental vigoroso, e em "Vela", temperada com saborosas pitadas de musica regional, que a banda se supera. Estas faixas são, de longe, as melhores demonstrações do potencial do quarteto.

Ainda além da qualidade do álbum, MADAME SAATAN traz uma brisa rejuvenescedora da cena independente que rola nos rincões do Brasil. É ótimo quando temos a oportunidade de encontrar bandas promissoras surgidas de fora do eixo Sul-Sudeste. A questão que fica é: será que a banda terá fôlego para manter seu peso e sua personalidade (que são seus principais diferenciais) diante de um possível flerte com o sucesso? Vale a pena esperar...

MADAME SAATAN - "Madame Saatan"

1 - Devorados
2 - Gotas em Caos de Selva Avenida
3 - Molotov
4 - Duo
5 - Vela
6 - Cine Trash
7 - Apocalipse
8 - Ele Queima Ela Sorri
9 - Messalina Blues
10 - Prometeu

Site da banda: http://www.madamesaatan.com/

Gravadoras: Ná Records, Cubo Discos, Fósforo Records e Fora do Eixo (pool)




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Madame Saatan"


Históricas: Fotos de encontros inusitados entre rockstarsHistóricas
Fotos de encontros inusitados entre rockstars

AC/DC: como Angus responde a um copo de cerveja atirado?AC/DC
Como Angus responde a um copo de cerveja atirado?


Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

Mais matérias de Fernão Silveira no Whiplash.Net.

Goo336x280 GooAdapHor Goo336x280