Journey: o primeiro registro do novo vocalista
Resenha - Revelation - Journey
Por Gustavo Morais
Postado em 29 de junho de 2008
A veterana banda Journey acaba de lançar, pela Nomota Records/Frontiers Records, "Revelation", o primeiro trabalho com os registros vocais de Arnel Pineda. O disco é duplo sendo que um volume é de inéditas e o outro de regravações. Há também um DVD com um registro da banda ao vivo em Las Vegas.
O Novo Frontman
Após demitirem o vocalista Jeff Scott Soto, os integrantes do Journey manifestaram a vontade de voltar a fazer o som característico da fase clássica do grupo, que contava com a voz de Steve Perry. Já que Perry não quis voltar ao posto, a solução foi procurar um novo frontman. Num belo dia, o guitarrista Neal Schon estava navegando pelo YouTube e deparou com uma banda chamada The Zoo e ao ver e ouvir Pineda cantar por diversas vezes não teve dúvidas de que havia encontrado o novo porta-voz para o grupo. Isso faz com que ele viva um verdadeiro conto de fadas, pois faz muito pouco tempo era um desconhecido cantor de rock das Filipinas e graças à internet foi descoberto e convidado a ser integrante de uma das bandas mais expressivas da história do rock.

O Disco
A faixa "Never Walk Away" abre com chave de ouro o álbum e mostra uma banda consciente e harmônica o suficiente a ponto de saber contrair uma canção bem feita. Os vocais de Pineda se encaixam como luva nas poderosas guitarras de Schon e ao fechar os olhos, o ouvinte parece entrar em uma máquina tempo e se transportar direto para a longínqua época em que se criavam músicas atemporais.
"Like A Sunshower" é o tipo de canção apropriada para se ouvir em um sábado a tarde deitado em uma rede e refletindo sobre aspectos inerentes a relacionamento.É um slow rock com melodia fácil de memorizar e backing vocals que são excelentes molduras para o canto de Pineda que encarna perfeitamente a história da letra.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Change For The Better" é uma música que poderia ter sido mais bem construída. A batida é quebrada e no refrão é possível ter a sensação de que a música vai decolar, mas ela volta no processo inicial e rompe todo um esquema que poderia manter a vibração que gira em torno de um disco de rock. Apesar do ótimo trabalho dos guitarristas, esta canção é o ponto fraco do álbum.
Em "Wildest Dream" é preciso ter uma boa percepção para não pensar que ela é uma continuação da faixa anterior. É repetida a fórmula quebrada do início somada a um refrão mais descolado. O que difere "Wildest Dream" de "Change For The Better" é o refrão mais grudento.
Na canção "Faith In The Heartland" o Journey consegue recuperar o clima das duas primeiras faixas do disco. Logo na introdução é possível perceber que se trata de uma música que tem tudo para se tornar um clássico da história do rock. Pineda solta a voz e narra perfeitamente uma letra cuja história pode ser diretamente relacionada a "Don't Stop Believin'", o carro chefe do repertório da banda. As guinadas de bateria feitas por Deen Castronovo somadas às linhas de baixo de Ross Valory se tornam o maior diferencial para que esta música seja considerada a melhor do disco.

A simpática "After All These Years" é uma balada que chama atenção pela introdução que divide frases de guitarra com as notas do piano magistralmente tocado por Jonathan Cain. A canção vai acontecendo e percebe-se um vocalista derramando sentimentos e dono de uma técnica que não é nem um pouco ofuscada pelo excelente trabalho do guitarrista Neil Schon.
"Where Did I Lose Your Love" é o exemplo vivo de que com esta nova fase o Journey conseguiu recuperar essência da sonoridade que carimbou o passaporte do grupo para o hall dos pesos pesados do rock.
"What I Needed" é a prova de que os caras do Journey não possuem o complexo de Peter Pan, ou seja, eles assumem a idade que têm e oferecem todos os indícios que não desejam ficar posando de garotões por aí. Com esta canção de arranjo singelo, eles mostram que nem sempre o virtuosismo é necessário para se criar algo de qualidade. É uma música séria e que provavelmente pode ser uma realidade na minha, na sua e na vida de qualquer pessoa.

"What It Take To Win" possui um arranjo de piano em conjunto com guitarra que deixa pairar no ar uma certa sensação de mistério. É o tipo de canção sem firulas no melhor estilo anos 80, um território que o Journey sempre dominou com maestria.
"Turn Down The World Tonight" é uma dócil balada que deixa a certeza de que Arnel Pineda é uma realidade no universo musical e que a sua entrada na banda só fez somar e em nada ele é inferior aos seus excelentes antecessores.
A intrumental "The Journey (Revelation)" fecha o disco com vocalizes em meio a arranjos tribais, que depois dão lugar a uma nervosa bateria, e um teclado que serve de pano de fundo para Neal Schon mostrar que é injusto ele nem sempre figurar nas listas de melhores guitarristas que sempre saem nos meios de comunicação.

O disco de regravações
É praticamente um resumo dos principais trabalhos da obra do grupo. Serve para mostrar aos fãs como está o repertório da banda com a atual formação. As músicas seguem os arranjos originais e a interpretação do novo vocalista em nada deixa a desejar e foi cantando uma boa parte destas canções que Arnel Pineda foi descoberto e hoje é a voz do Journey. O destaque vai para "Lights", "Open Arms" e "Don't Stop Believin'".
A atual encarnação do Journey é:
Neal Schon (Guitarra)
Jonathan Cain (Teclados)
Ross Valory (Baixo)
Deen Castronovo (Bateria)
Arnel Pineda (Voz)
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