Ride The Sky: Uli Kusch soando como Masterplan
Resenha - New Protection - Ride the Sky
Por Maurício Dehò
Postado em 05 de junho de 2008
Nota: 6 ![]()
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Do jeito que veio, foi. Após sua saída do Helloween, o baterista Uli Kusch ajudou a fundar o Masterplan e, de saída deste grupo, montou o Ride The Sky, mais um trabalho com sonoridade calcada em suas ex-bandas. Com apenas um disco lançado, "New Protection", recentemente o quinteto "desbandou" e fim de papo para o Ride The Sky, que roubou o nome da famosa música do Helloween e, com só dois anos de tentativas no mundo metálico, jogou a toalha. O atestado de óbito foi escrito pelo próprio Kusch: "Nem os membros nem a banda parecem ter vontade de gravar um segundo álbum. Não havia muita atenção da mídia e sem o apoio da gravadora, chegamos ao ponto que não valeria a pena sequer tentar completar um segundo disco".

Bem, se o próprio diz, a questão é analisar se a perda foi grande para os metaleiros de plantão. E, neste caso, podemos dizer que eles não perderam tanto. A banda até teve uma boa estréia. O renomado baterista convocou um time de qualidade, com os irmãos do Tears of Anger, Bjørn Jansson (vocal, ex-Beyond Twilight) e Benny Jansson (guitarra, também do XSavior), o baixista Mathias Garnås (XSavior) e o tecladista Kaspar Dahlqvist (ex-Stormwind). Com tudo pronto, o quinteto escolheu soar como o... Masterplan. Tudo bem, dizer que é uma mera cópia seria injusto, até porque o Ride The Sky tem uma veia um pouco mais Prog. Mas, na primeira linha de voz Bjørn, já dá para sacar que a inconfundível qualidade do ex-vocalista do Masterplan, Jorn Lande, com seu vocal muitas vezes grave e rasgado, vai ecoar durante estes 53 minutos do play. Independentemente de Bjørn ser, sim, bom à frente do microfone.
Uma diferença fundamental é o apelo do teclado nas 13 composições, característica contínua no disco, deixando a guitarra muitas vezes em segundo plano, ao menos nas músicas iniciais. Dahlqvist, também um grande letrista, aposta em efeitos diferentes de seu instrumento, muitas vezes caminhando até para algo com uma cara mais eletrônica, como em "A Smile From Heaven’s Eye". Se a faixa também tem uma sonoridade que remete a Queen, bem experimental, acaba ainda partindo para um lado meloso - no pior sentido. Já "Silent War" apresenta o lado mais Prog de Kusch (lado altamente desenvolvido em seu projeto Mekong Delta, que voltou a lançar disco. Vale conferir). Mas, outra vez a banda parece frear em fórmulas, por exemplo, naquela linha mais que básica de iniciar uma música: riffs, paradinha e voz apenas acompanhada de baixo e bateria. E isto porque a tal fórmula foi usada na primeira faixa e volta a aparecer na quinta. Cadê a criatividade?
Se o Ride The Sky tem como destaque seu baterista, é neste instrumento outro ponto negativo, já que a batera de Kusch produz um som excessivamente artificial. No decorrer do disco, algumas coisas despontam: o peso de "The Prince of Darkness", virtuosa e rápida, assim como a Prog "Black Cloud", a grandiosidade e as melodias em "Far Beyond the Stars", e uma das mais criativas, a bônus "Make The Spirit Burn". Muitas vezes a guitarra soa muito básica, mas na metade fina do CD, Benny Jansson consegue se destacar e contribui muito bem principalmente nos solos.
Como dá para perceber, o quinteto foi irregular em seu debut. Se algo se salva de um lado, outro aspecto desnivela de outro. Como positivo, estão os teclados com muitos diferenciais, riffs pesados e solos de Jansson, os momentos mais Progressivos e algumas orquestrações. No entanto, a guitarra soa muitas vezes simplória, as fórmulas prontas são constantes, as melodias pouco inspiradas e a batera de Kusch artificial.
Não bastassem estes destaques negativos, algo muito importante chama a atenção. Falta um pouco de alma. E música sem uma grande dose de vida (seja de forma positiva, mais intimista, ou até negativa) perde grande parte do seu apelo. Nisso os irmãos Jansson, nas vozes e solos ajudam um pouco, mas algo ainda fica perdido.
Sim, "New Protection" está acima da média, mas é uma obrigação de um grupo que conta com nomes experientes, como Kusch e Bjørn Jansson, que já esteve no Beyond Twilight – coincidência ou não, Jorn Lande também participou da banda. Mas, pela qualidade de seus integrantes, poderia se esperar um pouco mais... Agora, nem num segundo disco...
Track List:
1. "New Protection"
2. "A Smile from Heaven's Eye"
3. "Silent War"
4. "The Prince of Darkness"
5. "Break the Chain"
6. "Corroded Dreams"
7. "The End of Days"
8. "Far Beyond the Stars"
9. "Black Cloud"
10. "Endless"
11. "Heaven Only Knows"
12. "A Crack in the Wall"
13. "Make the Spirit Burn" (Bônus)
Formação:
Bjørn Jansson − vocal
Uli Kusch − bateria
Benny Jansson − guitarra
Kaspar Dahlqvist − teclado
Mathias Garnås − baixo
Lançamento nacional – Nuclear Blast / Laser Company / Rock Brigade Records
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