Alberto Rigoni: álbum de músico, não de baixista

Resenha - Something Different - Alberto Rigoni

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Rodrigo Werneck
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Muitos fãs de música em geral têm se cansado da repetição que os discos solo de instrumentistas, cheios de virtuosismos técnicos, vinham se tornando nos últimos anos, após o “boom” do estilo em meados dos anos 80, que se prolongou pelos anos 90. Uma saudável mudança tem ocorrido em muitos casos, e Alberto Rigoni, baixista da banda italiana Twinspirits, é um deles.
5000 acessosAlice in Chains: mensagem subliminar na capa de "The Devil Put Dinosaurs Here"5000 acessosSlipknot: causando medo no cantor Latino durante o Rock In Rio

O objetivo de Rigoni com esse disco não foi fazer propriamente um álbum de baixista, mas sim de músico/compositor. Portanto, tudo é focado nas composições e arranjos. Lógico que há ênfase no baixo, mas isso é feito de forma bem balanceada e ótimo gosto, e os demais instrumentos têm bastante espaço para brilhar também. Uma excelente forma de se mostrar serviço, num CD que dá gosto de se ouvir. Além de Alberto, participam os convidados Lorenzo Nizzolini (teclados), Enrico Buttol (bateria), Marco Torchia (bateria), Tommy Ermolli (guitarra), Daniele Gottardo (guitarra), Irene Ermolli (vocais) e Daniele “Kenny” Conte (vocais). É bom frisar que as músicas nesse disco não têm absolutamente nada a ver com o material do Twinspirits, projeto principal de Rigoni (junto ao tecladista Daniele Liverani), que é totalmente focado em prog metal.

Logo de cara, na faixa “The Factory”, podem ser notadas todas essas características. Uma levada “grooveada” no baixo nos leva a outros mais para os lados do hard progressivo e do fusion, com os teclados e guitarras tendo muito destaque no arranjo. O baixão de Rigoni lidera os trabalhos, mas sem excessos. Essa faixa de entrada lembra um pouco a intensidade sonora de bandas como o King Crimson atual e o Niacin (com uma sonoridade no baixo similar à de Billy Sheehan). “Trying to Forget” é um tema mais “low profile”, com Alberto tocando melodias e harmonias em seu instrumento, totalmente sozinho, tirando proveito das potencialidades de um baixo de 6 cordas nesse contexto.

“Glory of Life” tem um ritmo contagiante, com Rigoni repetindo a dobradinha de sucesso com Ermolli, seu companheiro de Twinspirits. “SMS” soa moderna com sua bateria eletrônica pulsante, e um registro médio-grave no baixo muito bem colocado, seja na base ou nos solos. “BASSex” mantém o clima mais acessível, numa clima quase “techno”, com os bem colocados (e sensuais) vocais de Irene Ermolli e um excelente trabalho no baixo, requintado no groove e recheado de harmônicos.

“One Moment Before” é outra bela faixa, mais introspectiva e com flertes com jazz e progressivo (pena que seja muito curta). Uma “cama” de teclados prepara o terreno para o baixo de 6 cordas de Rigoni, que chega a soar como um violão, cheio de sutilezas. O peso marca a faixa seguinte, “Roller Coaster”, que inclui uma formação completa de banda (guitarra, teclado, baixo, bateria) e os vocais com efeitos de Kenny Conte. Como o título denota, uma alternância de momentos.

“Desert Break” é experimental e bem encaixada na tracklist, trazendo variedade ao repertório. Segue-se “Jammin’ On Vocal Drums”, com um ótimo trabalho de Gottardo na guitarra, mesclando influências de jazz, fusion e blues. “Sweet Tears” fecha o disco num clima triste, típico de despedidas. Somente baixo e teclado/piano, numa belíssima composição.

O recado foi dado, e Alberto Rigoni se saiu muito bem em seu CD solo de estréia, cujo único defeito é ser pequeno (35 minutos). Ou não, pois por outro lado fica o gostinho de “quero mais”, o que acaba por aumentar a ansiedade por novos trabalhos do baixista. Como mostrou que se sai bem em diversos estilos (metal, prog, jazz/fusion, techno, música experimental), boa coisa certamente virá pela frente.

Tracklist:
1. The Factory
2. Trying To Forget
3. Glory Of Life
4. SMS
5. BASSex
6. One Moment Before
7. Roller Coaster
8. Desert Break
9. Jammin' On Vocal Drums
10. Sweet Tears

Sites:
http://www.albertorigoni.net
http://www.myspace.com/albertorigoni

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Alberto Rigoni"

Alice in ChainsAlice in Chains
Mensagem subliminar na capa de "The Devil Put Dinosaurs Here"

SlipknotSlipknot
Causando medo no cantor Latino durante o Rock In Rio

Heavy MetalHeavy Metal
Os dez melhores álbuns lançados no ano de 1983

5000 acessosIron Maiden: Brad Pitt e Angelina Jolie educam bem as crianças5000 acessosSeguidores do Demônio: as 10 bandas mais perigosas do mundo5000 acessosThrash Metal: dicas de dez ótimas bandas underground5000 acessosMichael Kiske: "Não sou contra os fãs de metal no geral!"5000 acessosAxl e Bono: entre artistas com egos do tamanho do Texas5000 acessosFlea: "Já pensei em deixar o RHCP um milhão de vezes"

Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

Mais matérias de Rodrigo Werneck no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online