Agathocles: os belgas mais barulhentos do planeta

Resenha - Razor Sharp Daggers - Agathocles

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Por Ben Ami Scopinho
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os belgas mais barulhentos do planeta! Na ativa desde 1985 e com mais de uma centena (é mole?!?) de registros liberados entre LPs, EPs, Splits e CDs, o Agathocles é considerado como uma das referências em se tratando do controvertido grindcore. “Razor Sharp Daggers” foi lançado originalmente em 1995 e, como era inédito em território nacional, chega ao público através de uma parceria entre a Cut Throat Records e a Bucho Discos.
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“Razor Sharp Daggers” é considerado por muitos de seus fãs como um dos clássicos do Agathocles. Nesta época a formação era composta por Jan (membro fundador, baixo e voz), Steve (guitarra e voz) e Burt (bateria e voz), que desde 1992 já vinham somando a seu grind/crustcore sonoridades como o bom e velho Hardcore, Punk e até pitadas de Industrial, elementos que, por incrível que pareça, não minimizaram muito toda a sensação doentia que sua música sempre produziu no ouvinte.

O trio estava assimilando tão bem estas influências que acabaram tornando o repertório deste registro como sendo o mais diversificado de sua discografia. São 44 faixas – várias delas são mini-canções, naturalmente – onde as primeiras 25 foram compostas especialmente para o álbum e o restante do CD é preenchido com faixas retiradas de EPs e Splits (incluindo o grande "Distrust And Abuse") que foram gravados em 1993.

A audição cronometra pouco mais de 73 minutos, onde "Clean The Scene", "Thy Kingdom Won't Come" (mas que título realista, não?) e “Age Of The Mutans” podem ser consideradas hinos dentro do Grindcore; enquanto “Labelisation”, “What Mankind Creates” e “Is It Really Mine?” são clássicos do punk. E há faixas com ritmos mais lentos como “Lunatic” (quase doom!!!) e a sorumbática “Fear Not”.

Ok, o disco não é totalmente Grind... Mas nem mesmo a presença desta abundância de ritmos ofusca o fato de que este seja um registro indispensável aos amantes da música anti-comercial. E vale mencionar ainda que “Razor Sharp Daggers” também marcou o final da fase com o guitarrista Steve como membro do Agathocles. É claro que toda a criatividade continuou com a entrada de Matty, mas isso é história para ser contada futuramente.

Agathocles - Razor Sharp Daggers
(2007 - Cut Throat Records / Bucho Discos)

01. A Start At Least
02. Clean The Scene
03. A For Arrogance
04. Thy Kingdom Won't Come
05. Media Creations
06. All Gone
07. Swallow Or Choke
08. Razor Sharp Daggers
09. Enough
10. Throwing Away Crap
11. Cracking Up Solidarity
12. Lunatic
13. Didn't Ask
14. Twisting History
15. Deserves To Die
16. Age Of The Mutans
17. Zero - Ego
18. Gear-Wheels
19. Dear Friends
20. Hormon Mob
21. Hash-Head, Farmers' Death
22. Dare To Be Aware
23. Kiss An Ass
24. All Love Dead
25. Fear Not
26. Sieg Shit
27. Hatronomous
28. Hideous Headchopping
29. Bigheaded Bastards
30. Get Off Your Ass
31. Distrust And Abuse
32. Hippie Cult
33. Provoked Behaviour
34. Black Ones (Poem) / Systemophobic
35. Anthropodislogical
36. Labelisation
37. What Mankind Creates
38. No!
39. Rejected Adaptation
40. An Abstract
41. Faded Novelty
42. Senseless Trip
43. Here And Now
44. Is It Really Mine?

Homepage: www.agathocles.com

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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