Cock Sparrer: falta de pretensão contagiante

Resenha - Here We Stand - Cock Sparrer

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Por Igor Natusch
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Essa banda merece, no mínimo, respeito. O Cock Sparrer surgiu no distante 1974, e foi um dos grandes pioneiros do Punk inglês, atuando antes mesmo de ícones como Sex Pistols e The Clash. Teve uma carreira confusa, com poucos discos gravados, problemas com gravadoras e muitas idas e vindas – mas mesmo assim influenciou milhares de bandas mundo afora, sendo hoje considerada um dos ícones máximos tanto do Street Punk quanto da Oi! Music.
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Imagine então, leitor, o quanto há de extraordinário no fato dos caras estarem lançando disco novo agora, em pleno 2007 – e mais ainda, no fato de ser um disco tão matador quanto esse “Here We Stand”. Afinal, os caras já são cinquentões, e poderiam perfeitamente ficar em casa cuidando dos filhos sem que ninguém os condenasse por isso. Mas – e aí está um dos pontos fortes do disco – os músicos encaram a banda de uma maneira absolutamente desencanada, que acaba contagiando imediatamente o ouvinte. O Cock Sparrer é (e no fundo sempre foi) uma banda que está pouco se lixando para o sucesso, e que continua ativa pelo mais simples e absoluto prazer de tocar rock. Isso, mais do que implícito, está escancarado nas quatorze faixas do CD, e o resultado de tanta honestidade é simplesmente brilhante.

Comparando com os discos anteriores, podemos dizer que “Here We Stand” é um dos discos mais diretos da banda – comparável, nesse sentido, até ao clássico “Shock Troops” de 1983. Em termos de sonoridade, o Cock Sparrer sempre foi simples, mas não simplista, ornando suas composições com ótimas melodias e arranjos bacanas de guitarra – e isso permanece imaculado na música do quinteto. Já na parte lírica, algumas mudanças ocorreram (afinal, os caras não são mais jovens irresponsáveis como há trinta anos atrás), mas sem afetar o principal tema dos caras: o seu próprio cotidiano, as pequenas vitórias e trágedias da classe trabalhadora do East End londrino.

As músicas, em geral, são fabulosas. Desde a abertura com a sensacional “Too Late” até o encerramento com “Suicide Girls” (que conta, vejam só, com um coro formado em parte pelas filhas dos próprios músicos da banda), temos um desfile de músicas envolventes, às vezes um tanto saudosistas, mas sempre transbordantes de energia e tocadas com uma sinceridade indiscutível. “Did You Have A Nice Life Without Me?”, “Sussed”, “True To Yourself”, “Better Than This”, “Gotta Get Out” – todas essas músicas são verdadeiras lições passadas por quem realmente entende do assunto, e deveriam ser ouvidas repetidamente por todos que se dizem fãs de rock. Pode parecer exagero meu, podem achar que estou apenas sendo bonzinho com um bando de velhotes barrigudos que por acaso tinham uma banda quando o Punk estourou e tudo o mais. Mas, se não podemos elogiar efusivamente quando uma banda de mais de trinta anos de carreira lança um disco que se ouve de uma ponta a outra com um sorriso no rosto, fico imaginando então em que tipo de situação isso será possível.

Em resumo, leitor(a), faça um favor a si mesmo e escute as músicas de “Here We Stand” – garanto que você ganhará pelo menos quarenta e cinco minutos de boa diversão. No fim das contas, é como diz a própria banda na letra da fabulosa “Don’t Stop”: “Eu ainda me irrito e ainda me revolto / do mesmo jeito que quando eu era jovem / E a chama ainda está acesa dentro de mim”. Impossível discordar, ouvindo esse discaço.

Obrigatório.

Cock Sparrer – Here We Stand
2007 – Captain Oi! (importado)

01. Too Late
02. Gotta Get Out
03. Did You Have A Nice Life Without Me?
04. True To Yourself
05. Time To Make Your Move
06. Will You?
07. Better Than This
08. Don’t Stop
09. Spirit Of ‘76
10. So Many Things
11. Last Orders
12. Despite All This
13. Sussed
14. Suicide Girls

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Sobre Igor Natusch

Igor Natusch é gaúcho, gremista, profissional de vídeo, jornalista, baixista e fã de Heavy Metal desde que se conhece por gente. Viciado no Metal oitentista, em especial NWOBHM, gasta boa parte do seu tempo livre pesquisando sobre bandas da época, tentando ao mesmo tempo não se desligar dos sons e novidades do presente. Apegado ao passado, ainda não tomou coragem para jogar fora suas fitas K7, embora já tenha substituído todas elas por arquivos mp3 há muito tempo. E nunca pintou a barba em toda a sua vida.

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