Megadeth: CD calculado para soar convincente aos fãs
Resenha - United Abominations - Megadeth
Por Gustavo Hermann
Postado em 14 de novembro de 2007
Nota: 5 ![]()
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Muito se falou e se tem falado sobre o "retorno ao thrash metal" do Megadeth. Ou sobre como em "United Abominations", após álbuns fracos ou confusos, o Megadeth voltou à boa forma com um som que remete às raízes da banda, com ânimo renovado e com um disco muito inspirado.
A meu ver tudo isso corresponde mais a uma apreciação do álbum que se tornou consenso após ter sido insistentemente repetida na mídia do que a uma realidade concreta. Porque "United Abominations", apesar de não ser um disco ruim, é um disco mediano, que fica muito aquém dos álbuns clássicos do Megadeth e não se sobressai de forma alguma aos seus antecessores imediatos, "The System Has Failed" e "The World Needs a Hero".

Obviamente, em relação ao álbum "Risk", que simplesmente não soa como um disco do Megadeth, "United Abominations" pode ser tomado como um retorno ao estilo clássico da banda. Acontece que esse retorno já havia ocorrido nos dois álbuns lançados no intervalo entre "Risk" e "United Abominations". Inclusive, no último deles, "The System Has Failed", os elementos thrash que caracterizam principalmente os quatro primeiros álbuns da banda já estavam lá, como se pode ouvir em "Kick the Chair" e "Blackmail the Universe".
Em "United Abominations", os solos de guitarra estão lá, assim como estavam no "World Needs a Hero" e "The System Has Failed"; não são solos ruins, mas não têm o brilhantismo dos solos do Marty Friedman, um guitarrista muito superior a Glen Drover, nem a mesma criatividade dos solos de Chris Polland. A verdade é que Drover é o guitarrista mais fraco que o Megadeth já teve. Há vários elementos no álbum que remetem ao thrash metal que a banda fazia na década de 80, mas não se trata de um álbum que retoma aquela sonoridade por completo, há também nele muitos elementos do Megadeth mais recente – um Megadeth que, com excessão do que fez no "Risk", nunca chegou a abandonar completamente as raízes thrash.

Há momentos bons no disco, como "Sleepwalkers" e "United Abominations" , mas também faixas fracas, como as enjoadas "Gears of War" e "Never Walk Alone", ou as inexpressivas "Blessed Are The Dead", "Pray For Blood" e "You're Dead". Até a releitura de "A Tout Le Monde" utilizada como single denota falta de inspiração e criatividade: trata-se da única faixa mais acessível e de maior apelo comercial do disco, ao passo em que os dois álbuns anteriores traziam boas faixas inéditas que cumpriam tais atributos: a belíssima "Promises" no "World Needs a Hero" e a pegajosa "Of Mice and Men" no "System Has Failed".
Os ataques de Mustaine às Nações Unidas renderam uma boa publicidade ao novo álbum de sua banda. Porém, acho que temos um Megadeth liricamente muito empobrecido em "United Abominations". As letras de Mustaine costumavam ter um caráter atemporal, eram letras que, mesmo 20 anos depois de terem sido escritas, continuam dizendo algo ao ouvinte. Mesmo "Holy Wars", uma música sobre guerra, não está relacionada a uma guerra específica ou a um contexto específico, trata-se de uma abordagem mais universal do tema, a guerra como um traço do comportamento social humano. Com uma temática político-panfletária como a de "United Abominations", as letras ficam restritas a um contexto que em algum tempo não fará mais sentido. Cria-se também uma situação chata para antigos fãs da banda que possam não concordar com as atuais opiniões de Dave Mustaine sobre política. Até mesmo os demais integrantes da banda parecem constrangidos em relação ao conteúdo das letras, declarando que estão envolvidos unicamente com a parte musical e não têm qualquer relação com o conceito lírico do álbum.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Além disso, Mustaine se tornou um cristão tão ferveroso que tem feito com que suas crenças religiosas tenham um impacto difícil de ser ignorado sobre sua carreira e sobre a imagem do próprio Megadeth. São passagens bíblicas que aparecem aqui e ali nas letras, constantes declarações em entrevistas sobre sua conversão, sua fé e mesmo considerações sobre a possibilidade de seguir a carreira de pastor de igreja, além da recusa em dividir o palco de festivais com bandas que tenham qualquer elemento anti-cristão ou anti-religião em suas temáticas. Isso causa, da mesma forma que as opiniões políticas de Mustaine, um desconforto nos fãs antigos que por acaso não vêem com bons olhos o cristianismo ou religiões em geral.

Religião e política são temas delicados. Bandas militantes são, em geral, voltadas para um público mais restrito, cuja identificação se dá para além do âmbito da música, girando também em torno de uma causa. Nunca foi o caso do Megadeth, uma banda que, apesar de sempre ter exposto o que pensa, nunca havia polarizado suas opiniões de forma tão explícita e radical anteriormente. Fãs de metal, para a sorte de Mustaine, estão menos preocupados com política e religião e mais preocupados com a música.
Por muito tempo Mustaine se ressentiu do sucesso comercial alcançado por sua ex-banda, o Metallica, e tentou alcançar um sucesso equivalente. Nas suas próprias palavras, perdeu muito tempo com "o pé enfiado através do assoalho tentando alcançar quem quer que fosse que estivesse na minha frente". Nos últimos anos, entretanto, ocorreram grandes mudanças no mercado da música, e já não é mais possível para uma banda de metal almejar o sucesso que o Metallica alcançou no início dos anos 90. Por outro lado, estilos que há uma década atrás estavam em baixa, como é o caso do thrash metal, voltaram a se tornar atrativos para uma nova geração, reconquistando (pelo menos em parte) sua popularidade. Veja-se o retorno à sonoridade thrash por bandas que em algum momento decidiram se aventurar por outros caminhos, como foi o caso do Kreator e do próprio Megadeth, além das inúmeras reuniões de formações clássicas do estilo ocorridas recentemente, bandas como Destruction, Celtic Frost, Artillery e Exodus.

O atual mercado da música, entretanto, é bastante segmentado, há espaço para os mais diversos estilos, porém o público para cada um deles é mais restrito. Ainda assim, e a despeito da crise generalizada no âmbito da comercialização de música em função dos downloads ilegais de mp3, trata-se de um mercado que ainda consegue render algum lucro e sustentar suas bandas. Dentro dessa lógica, Mustaine tem gerenciado seus negócios de forma bastante efetiva e consciente, aproveitando o nome que firmou com o Megadeth e oferecendo ao público o que ele quer, tanto com a sua turnê Gigantour quanto com o álbum "United Abominations", que apesar de pouco inspirado parece ter sido calculado para, sem nenhum "risco", soar convincente para os atuais fãs da banda.

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