Megadeth: em um nível superior aos últimos anos
Resenha - United Abominations - Megadeth
Por Ricardo Seelig
Postado em 03 de novembro de 2007
Nota: 9 ![]()
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Se você é um fã dos álbuns "Rust In Peace", "Countdown To Extinction", "Youthanasia" e "Cryptic Writings", você é um cara feliz, porque o Megadeth voltou a fazer um som similar ao encontrado nesses quatro discos.
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A mudança de gravadora ("United Abominations" é o primeiro trabalho da banda pela Roadrunner) e a estréia de um novo line-up inspiraram Dave Mustaine, que compôs um disco excelente, com um nível de qualidade muito superior a tudo o que vinha fazendo nos últimos anos.
O retorno a uma sonoridade mais clássica, repleta de elementos de Thrash Metal que andavam ausentes nos discos mais recentes, foi fundamental para o ótimo resultado final alcançado por Mustaine e companhia em "United Abominations". O álbum transborda os riffs e solos característicos da banda, e traz seu líder com um discurso sedento e raivoso a respeito da situação atual nos Estados Unidos.
Esse aspecto de "United Abominations" merece até um parágrafo a parte. Não sou daqueles fãs que ligam muito para o que seus artistas preferidos dizem em suas letras. Sempre me fixei mais na música, nas melodias, nos refrões, do que no discurso. Talvez seja por isso que eu tenha passado incólume por polêmicas recentes, como a que cercou o excelente "The Glorious Burden", do Iced Earth, que também trazia um escancarado manifesto pró-EUA em suas letras. O que eu acho disso? Antes de artistas, tanto Dave Mustaine quanto John Schaffer são cidadãos, e têm todo o direito, em ambos os casos, de expressar suas opiniões de maneira livre e sem censura. Cabe aos fãs julgar, dentro do entendimento de cada um, se aquilo que seus ídolos dizem é pertinente ou não. Eu acho que a música é mais importante, vem sempre em primeiro lugar, e mantenho firme essa minha opinião.
Desde a abertura, com a carismática "Sleepwalker", até o encerramento, com "Burnt Ice", o Megadeth prova em "United Abominations" que ainda tem muito a acrescentar ao Heavy Metal. O trabalho de guitarras está magnífico, unindo peso e melodia de forma exemplar. Mustaine parece ter encontrado em Glen Drover um parceiro ideal, chegando a lembrar, em certas passagens, os tempos saudosos em que Marty Friedman fazia parte da banda. A cozinha formada por James Lomenzo e Shawn Drover é dona de um talento inegável, e funciona como uma usina rítmica pulsante que sustenta essa nova cara do grupo.
Músicas como a já citada "Sleepwalker", "Washington Is Next", "Never Walk Alone", "United Abominations", "Gears Of War" (inspirada pelo jogo homônimo do Xbox 360), "Blessed Are The Dead" e "Amerikhastan" são destaques em um álbum muito linear e coeso, que dá ao ouvinte um enorme prazer ao ouví-lo.
A regravação da clássica "A Tout Le Monde", presente originalmente em "Youthanasia" (1994), revitaliza e dá uma cara mais atual para uma das canções mais emblemáticas do grupo. A participação de Christina Scabbia (Lacuna Coil) em um dueto com Mustaine deu uma roupagem ainda mais dramática à faixa, fazendo com que a sua audição traga novas sensações ao ouvinte.
Após álbuns confusos, que apontavam para um futuro não muito promissor, "United Abominations" recoloca o Megadeth em seu devido lugar no cenário metálico mundial. Uma das maiores e mais importantes bandas da história do Heavy Metal mostra-se revigorada, inspirada e sedenta em conquistar uma nova geração de fãs. Espero que Mustaine consiga manter esse novo e excelente line-up estável por vários anos, fazendo com que o Megadeth permaneça ativo e pertinente.
Tudo aponta para um futuro brilhante. À nós, meros fãs, só resta torcer para que ele se concretize.
Faixas:
1. Sleepwalker
2. Washington Is Next!
3. Never Walk Alone... A Call To Arms
4. United Abominations
5. Gears of War
6. Blessed Are The Dead
7. Play For Blood
8. A Tout Le Monde
9. Amerikhastan
10. You're Dead
11. Burnt Ice
Outras resenhas de United Abominations - Megadeth
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