Ebony Ark: tecnicamente sofisticado e emocional
Resenha - Decoder 2.0 - Ebony Ark
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 15 de setembro de 2007
Formado em 2002 na cidade espanhola de Madri, o Ebony Ark gravou apenas um álbum em 2004. Seu nome era "Decoder" e a atuação de seus músicos, em especial a da vocalista Beatriz Albert – eleita a melhor cantora de seu país no ano seguinte – chamou a atenção da gravadora holandesa Transmission Records, que construiu sua reputação por ter em seu cast bandas do porte de After Forever, Aina e Epica. Assim sendo, nada mais natural do que expandir seus negócios para territórios latinos, assinando com outro bom grupo com vocais femininos.

Só que o resultado não foi um novo álbum com canções inéditas. O acordo entre a Transmission e o Ebony Ark acabou sendo a regravação de "Decoder", pois ambas as partes queriam ver o resultado mixado em Dolby 5.1, e não no simples formato 2.0 original. As gravações aconteceram em 2006 e agora tudo é novo, projeto gráfico, canções revigoradas; todo este trabalho de aperfeiçoamento ficou, no mínimo, espetacular, e acabou sendo batizado como "Decoder 2.0".
Musicalmente muitos vêm comparando o Ebony Ark com o Nightwish, em especial por causa de suas vocalistas. A coisa não é bem assim, tão simplista... Beatriz varia em muito suas linhas vocais, do óbvio operístico, passando por outros simplesmente limpos e até mesmo mais agressivos. E, no meio desta variação toda, é natural que eventualmente a semelhança com a Tarja apareça. E na seção instrumental, então, as diferenças são ainda mais gritantes, pois os espanhóis elaboram composições bem mais intrincadas, com muito de Prog Metal em meio a arranjos sinfônicos.
Tudo é tecnicamente sofisticado, mas emocional e de fácil assimilação. Algumas canções trazem a colaboração de vocalistas de bandas obscuras de seu país natal e, valorizando ainda mais o produto, esta segunda versão traz a participação inédita de Amanda Sommerville (Aina) cuidando das vozes de fundo, além de Marco Hietala (Nightwish) cantando em três canções, sempre em excelentes duetos com Beatriz.
Na dificuldade em encontrar destaques, cito "Damned By The Past", mais pesada, com belos refrões e teclados, onde o já citado Hietala mostra sua voz; a semi-balada "Night's Cold Symphony" – que também traz uma versão alternativa, "A Merced De La Illuvia", cantada em espanhol – e "Farewell" com o refrão mais pegajoso de todo o disco.
Confesso que a equivocada impressão inicial, de que o Ebony Ark era apenas mais uma destas bandas góticas, foi devidamente dissipada. Os espanhóis executam suas canções com tal pujança que passam por cima de qualquer comparação que possa surgir. "Decoder 2.0" merece ser apreciado sem qualquer preconceito, e não apenas por amantes de Prog Metal ou de conjuntos com vozes femininas. Deve ser conferido por quem não abre mão de música de alta qualidade.
Formação:
Beatriz Albert - voz
Ruben Villanueva - guitarra
Javier Jimenez - guitarra
Diego de Francisco - teclados
Daniel Melian - baixo
Ivan Ramirez - bateria
Ebony Ark – Decoder 2.0
(2006 / Transmission Records – 2007 / Hellion Records – nacional)
01. In Our Memories
02. Dead Man's Lives
03. Damned By The Past
04. Thorn Of Ice
05. Night's Cold Symphony
06. Desire
07. Farewell
08. Humans Or Beasts
09. Dreaming Silence
10. Searching For An Answer
11. Ball And Chain
12. A Merced De La Illuvia
Homepage: www.ebonyark.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
O álbum de 1970 que vendeu mais que Beatles e Led Zeppelin
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
O show de reunião que deixou Mick Jagger impressionado e querendo muito mais
Jim Root admite que último álbum do Slipknot não foi bom
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
Por que Lobão foi expulso da Blitz às vésperas do estouro, segundo o próprio
O filme dos anos 90 que fez Dave Mustaine dar boas risadas
O período que John Paul Jones considera o pior de toda a história do Led Zeppelin
Slash: quando Lemmy deu em cima de sua namorada
O segundo álbum mais influente de todos os tempos, de acordo com Roger Waters
Os melhores guitarristas da atualidade, segundo Regis Tadeu (inclui brasileiro)

O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



