Manowar: Live at Earthshaker Fest 2005
Resenha - Live at Earthshaker Fest 2005 - Manowar
Por Júlio Verdi
Fonte: Rock-RP
Postado em 06 de julho de 2007
Você pode até não gostar do Manowar. Pode achar sua postura de se auto-intitularem "Kings of Metal" arrogante. Pode achar que o visual de guerreiros bárbaros de seus músicos é coisa do passado ou de questionável masculinidade. Pode achar as letras de suas músicas – que narram estórias mitológicas – maçantes e repetitivas.
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Mas duas coisas os amantes de rock em geral não podem negar: todos os álbuns de sua carreira de quase 30 anos são de alguma maneira acima da média e seus shows sempre foram sinônimo de energia sobre um palco, elemento fundamental de um bom show de rock.
Após o lançamento de seu 10º álbum de estúdio, "Gods of War" e após uma exagerada série de DVDs, "Hell on Earth", que de certa maneira começou a cansar, a banda lança, inclusive no Brasil, seu novo DVD, "Live at Earthshaker Fest 2005". Diferente da série anterior o que mais salta aos olhos nesse lançamento é a produção.
É realmente espantoso o cuidado com os detalhes que a equipe de Mr. De Maio colocou nesta obra. E vou ser sincero: estamos diante de um dos melhores DVDs já lançados em termos de shows de heavy metal.
Som perfeito, imagens perfeitas. Uma interessante variação de tomada de câmeras (27 como citado no disco), caprichada por parte da edição. Uma visão de palco maravilhosa, com iluminação que salta aos olhos. Um enorme e agitado público que garante a parte emotiva do esquema banda-espectador.
O show foi gravado no festival Earthshaker, em 2005, na Alemanha. Mas o diferencial que torna este trabalho tão especial reside nos detalhes. O set list se baseia nas várias fases da carreira da banda, sempre abrindo com "Manowar" e fechando com "The Crown and the Ring". No meio disso, desfile de velhos e novos sucessos, como "Kings of Metal", "Hail and Kill", "Call to Arms", "Blood of my Enemies", "Sign of the Hammer", "Black Wind, Fire and Steel" ou "Warriors of the World United". Do último álbum tem a ótima "King of Kings".
Para puxar o saco dos alemães, é apresentanda a versão germânica de "Heart of Steel", "Herz Aus Stahl", cantando em uníssimo por quase todos os presentes. Um momento realmente muito interessante.
No meio da apresentação, a primeira grande surpresa da noite. Joey de Maio chama ao palco os ex-integrantes Dave Shankle (guitarra) e Rhyno (bateria). Logan e Columbus deixam o palco. A formação então é a que gravou o álbum "Triumph of Steel", e deste álbum são executadas a tradicional "Metal Warriors" e a surpreendente "The Glory of Achilles", a parte mais rápida da epopéia de Aquiles da primeira música do álbum.
Depois, De Maio chama ao palco os também ex-integrantes Ross, the Boss (guitarra), muito ovacionado pelo público, e Donny Hamzik, o primeiro baterista. No palco agora estava a formação que gravou o primeiro disco, "Battle Hymns". Deste álbum executam "Metal Daze" e "Dark Avenger".
Após a volta da formação atual que tocam as pesadas "Outlaw" e "House of Death", aos lados do palco surgem duas galerias com músicos de uma orquestra que interpretam, além da intro da citada "Herz Aus Stahl", a peça erudita "Prelude to Act III". A orquestra ainda participa de demais faixas mais pesadas, mesmo que de maneira sutil devido à massa sonora expelida dos amplis.
E o momento mais impressionante do show ocorre em seu desfecho. Eric Adams (que por sinal, mostrou-se em excelente forma durante toda a apresentação) chama de volta todos os ex-integrantes que se apresentaram anteriormente. Sim, todos eles. E uma formação com três bateristas e três guitarristas mais De Maio e Adams executam uma versão simplesmente fantástica de "Battle Hymn", com a inclusão de solos de cada guitarristas. Os três bateras deram um poder impressionante a essa versão desta grande música. Um encontro marcante do passado e do presente da banda, tocando seu maior clássico.
Após o malabarismo final dos instrumentistas e o fechamento ao som do áudio de "The Crown and the Ring", a última e agradável surpresa com um festival de fogos de artifício, bem variado, cujo efeito visual foi marcante. Um final apoteótico para uma apresentação memorável da banda. Não é raro ver alguns dos fãs que se prostaram à frente do palco devidamente emocionados.
O segundo disco traz uma geral do Manowar Convention, um festival de atividades relacionadas à banda, ocorrido nos dias que envolveram a apresentação, com direito a apresentações teatrais de guerreiros medievais, workshops dos músicos, Miss Manowar, e outras coisas, dedicado a quem curte este material extra-show.
Mas o que interessa mesmo é o disco do show. Um momento fantástico com uma produção impecável, fazendo deste um item obrigatório não só aos fã(nático)s do Manowar mas aos apreciadores de rock e metal em geral. Um pacote que inclui entretenimento, arte visual e sonora e muita emoção. Nota? 10. Tem alguma maior?
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