Porcupine Tree: mais progressivo que metal

Resenha - Fear Of A Blank Planet - Porcupine Tree

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Por George Domingos Joca
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Quando uma banda, independente de estilos ou rótulos, vem de uma seqüência crescente de qualidade a cada disco, cada lançamento gera expectativas, afinal, não é tão comum nem fácil manter esta constante qualidade.

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A banda já vinha numa seqüência ótima há bastante tempo, com as obras-primas "Stupid Dream" (1999) e "Lightbulb Sun" (2000), quando em 2002 a banda resolve lançar um trabalho um pouco diferente dos demais, acrescentando nas canções riffs mais "pesados" e distorcidos, não mudando totalmente, mas progredindo, conforme o conceito do próprio Steven Wilson, Líder e compositor da banda. Este foi o "In Absentia", álbum que tornou o Porcupine um pouco mais popular, graças a mistura de influências desde então, tais como o metal.

Após o "In Absentia", o Porcupine Tree lança em 2005, outro excelente trabalho, por algums considerado até mesmo o melhor da carreira deles, intitulado "Deadwing", que seguiria a mesma linha de seu antecessor, "In Absentia".

E como eu dizia no início, é incomum uma banda conseguir manter um nível de álbuns excelentes por muito tempo, e poucas pessoas esperariam um álbum ainda melhor que "Deadwing", e quem pensou assim, enganou-se bastante.

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O novo trabalho desses ingleses, intitulado de "Fear Of A Blank Planet", desenvolve a mesma linha desses últimos dois álbuns, mostrando um Porcupine um pouco mais pesado e mais técnico, porém ainda muito mais progressivo que metal.

Há todo um conceito neste álbum, desenvolvido pouco a pouco através de cada faixa, mas basicamente Steven Wilson fala sobre a dependência do consumismo, o péssimo relacionamento familiar, os problemas emocionais e o fácil acesso a drogas legais, como antidepressivos, por parte de uma juventude confusa.

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O álbum abre com a faixa-título, uma rápida introdução ao violão logo dá espaço ao peso característico da guitarra de Steven Wilson, bem como sua bela voz e interpretação, além da ótima levada de Gavin Harrison nas baquetas. A canção encerra com uma melancólica e contrastante levada nos teclados de Richard Barbieri.

Esta primeira faixa, além de possuir uma letra um pouco forte e polêmica para os mais conservadores, também teve seu vídeo-clipe censurado, pois dentre várias cenas, como jovens adolescentes ingerindo o que seriam pílulas antidepressivas e praticando atos de vandalismo e violência, a cena final é a que mais choca, pois mostra um jovem com uma arma na mão em direção à escola, o que fica bem mais intensificado pelo caso já ocorrido neste ano nos EUA. Mas é importante deixar claro que a idéia do clipe e da musica, de forma alguma é incentivo ou apologia, como pode ser interpretado erradamente. Neles, simplesmente é retratado algo que pode ser real. O vídeo em questão pode ser conferido no YouTube.

Bem, voltando ao álbum em si, a segunda faixa, "My Ashes", é uma agradável balada, levada nos teclados de Barbieri e no violão de Steven Wilson, com uma ótima cadência progressiva, lembrando bastante as baladas dos álbuns Stupid Dream e Lightbulb Sun.

"Anesthetize" é a terceira faixa do álbum, trata-se de uma fantástica suíte com mais de dezessete minutos, iniciando de forma lenta, depois ganhando peso, tendo inclusive um dos trechos mais pesados de toda a carreira do Porcupine Tree. Contando com a ótima interpretação de Steven Wilson nos microfones, a parte intermediária da musica além do peso já mencionado, conta com um belo refrão, e depois termina numa ultima parte melancólica e progressiva que lembra bastante Pink Floyd. Esta é a melhor canção deste disco, e uma das melhores de toda carreira da banda, se não a melhor.

O álbum segue com a balada "Sentimental", que conta com uma letra um tanto triste e melancólica, destaque nessa faixa para a ótima levada de Barbieri nos teclados, fazendo praticamente toda a base da musica.

A quinta faixa, "Way Out Of Here", inicia com um clima bastante progressivo, lembrando novamente os primórdios do Porcupine Tree, o que remete sempre ao Pink Floyd. Porém logo chega o pesado refrão, que se mantém até o belíssimo solo de guitarra de Steven Wilson, que conduz a musica cada vez mais pesada, e incrivelmente, sempre progressiva. Esta canção alterna bastante entre o peso e um ambiente mais "space rock". É a faixa mais pesada, e talvez, ainda assim, a mais progressiva do álbum.

"Sleep Togheter" encerra o álbum com o peso característico dos dois álbuns anteriores, lembrando bastante, por exemplo, "Strip The Soul" do álbum "In Absentia".

Enfim, todas as musicas são ótimas, mas destaco que todas estão dentro de um contexto no álbum e é bastante interessante apreciá-lo como um todo e não só as musicas isoladas, isto torna mais claro o conceito da obra. Imperdível este álbum, impossível definir se é ou não melhor que o anterior, "Deadwing", mas é no mínimo equivalente. Nota 10, com certeza, desde já, um dos melhores álbuns deste ano de 2007, e é ótimo saber que há ainda bandas que mesmo quando se aventuram em algum experimentalismo que mude, ainda que pouco, as características de sua música, não perdem a qualidade de suas obras.

Tracklist:
1. Fear of a Blank Planet (7:28)
2. My Ashes (5:07)
3. Anesthetize (17:42)
4. Sentimental (5:26)
5. Way Out of Here (7:37)
6. Sleep Together (7:28)


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