Machine Head: peso e melodias inspiradas
Resenha - Blackening - Machine Head
Por Ricardo Seelig
Postado em 23 de junho de 2007
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Ouvir este disco em junho de 2007 mais parece um milagre. Motivos para isso existem aos montes. O primeiro deles é o próprio Machine Head ainda estar na ativa, já que depois de um início de carreira inspirador com o excelente "Burn My Eyes", a gangue de Robert Flynn foi aos poucos se perdendo pelo caminho, até culminar no quase fim do grupo.
Machine Head - Mais Novidades
Outro é o fato de "The Blackening" conter oito canções que são o mais puro thrash metal que o mundo ouve em muito tempo. O estilo, tão popular nos anos 80 e influência para centenas de grupos, há anos ensaia uma retomada, mas não passa disso. É claro que os grandes monstros, como Slayer, Testament, Anthrax (e até mesmo o Metallica, apesar de o grupo de Hetfield e Ulrich não fazer mais este tipo de som desde "… And Justice For All", de 1989), sempre chamam a atenção com seus novos álbuns, mas isso acontece muito mais pela mítica do que pela qualidade dos lançamentos propriamente ditos.
Um terceiro fator é um álbum como este ter sido composto e criado por uma banda americana, já que o cenário metálico dos EUA se caracterizou nos últimos anos pelo surgimento de grupos que apostaram suas fichas quase que exclusivamente na busca de novos caminhos (e alguns também na própria negação) para o heavy metal, gerando o tão discutido new metal, que muitos adoram questionar, mas poucos prestaram realmente atenção.
Dito isso, contextualizando "The Blackening" e o Machine Head, vamos ao que interessa. A grande contribuição do thrash metal, na minha opinião, está na união definitiva do peso à melodia, retomando uma característica que estava se perdendo na música pesada da primeira metade dos anos oitenta: a agressividade. Pois bem, "The Blackening" é um álbum agressivo, repleto de peso e dono de canções que transbordam melodias inspiradas. Isso já fica claro em "Clenching The Fists Of Dissent", faixa que abre o trabalho. Uma introdução acústica (impossível, nessa hora, não lembrar das clássicas intros dos discos "Ride The Lightning" e "Master Of Puppets", de vocês sabem quem, que não por acaso também eram executadas em violões) evolui para uma autêntica pedrada thrash, repleta de mudanças de andamento, culminando em uma linda passagem vocal quase em seu final.
O nível se mantém lá no alto com "Beautiful Mourning", agressiva e cheia de riffs animais. "Aesthetics Of Hate", escrita em protesto a um artigo do jornalista William Grim sobre Dimebag, eleva o sentido da palavra raiva a outro nível. Você ouve e saliva de ódio junto com Flynn. O final dessa canção me trouxe mais uma referência à cabeça, e dessa vez foi a cacofonia sonora com a qual o Slayer costuma introduzir "Rainning Blood" em seus shows.
O que chama, e muito, a atenção em "The Blackening" é a capacidade e o talento que o Machine Head teve em construir um álbum que, mesmo calcado nas características clássicas do thrash metal, soa inovador. Canções como "Now I Lay Thee Down" arriscam em arranjos nada óbvios, em andamentos desconcertantes. O festival de riffs melodiosos de "Slanderous" é outro destaque, levando qualquer animal como eu, que acompanha loucamente o heavy metal há mais de vinte anos e nunca se dignou a tirar a bunda da cadeira e aprender a tocar um instrumento, a sacar sua Flying V imaginária e tocar air guitar ensandecidamente pela sala.
"Halo" traz elementos de prog metal, em evoluções repletas de peso, enquanto "Wolves" deveria ser tocada para James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo em uma sala fechada e com a seguinte ordem: "prestem atenção, vocês criaram tudo isso, escutem e vejam se aprendem como se faz, de novo e mais uma vez" (e a minha esperança roga, todas as noites, para que esses quatro estejam realmente escutando o que o Machine Head fez nesse novo disco, e encontrem nele inspiração para o novo álbum que estão gravando). Fechando o CD, "A Farewell To Arms" tem um início mais calmo, para depois cair em ótimas passagens de vocais e guitarras.
Um grande disco, é isso que "The Blackening" é. Inspirador, refrescante, raivoso, agressivo. Uma paulada bem dada em nossas cabeças. Não sou de nadar com a maré, mas neste caso vou fazer coro: "The Blackening" é desde já um clássico, e um dos principais trabalhos não só de 2007, mas também dos anos 00.
Faixas:
1. Clenching The Fists Of Dissent
2. Beautiful Mourning
3. Aesthetics Of Hate
4. Now I Lay Thee Down
5. Slanderous
6. Halo
7. Wolves
8. A Farewell To Arms
Outras resenhas de Blackening - Machine Head
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
10 músicas de rock e metal diretamente inspiradas pelo 11 de setembro
Canal crava a tier list definitiva do Iron Maiden e joga um disco no fundo do poço
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
Regis Tadeu elege melhores e piores shows do primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
A música do Judas Priest que tem um dos solos "mais gloriosos" do metal, segundo Rob Halford
O melhor álbum de hard rock de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
A música que fez Jimmy Page perceber na hora que o Led Zeppelin havia acertado
Show de drones em Manchester indica nova turnê do Oasis em 2027

Metal Hammer lista discos achincalhados que merecem uma segunda chance
De Black Sabbath a Babymetal, 50 músicas que formam a playlist definitiva do heavy metal
As 10 melhores músicas do Machine Head, segundo a Metal Hammer
Vídeo do Machine Head é citado pela Louder como um dos melhores da história do nu metal
Como o Celtic Frost influenciou o som do Machine Head, segundo Robb Flynn
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?


