Machine Head: um álbum que nasceu clássico

Resenha - Blackening - Machine Head

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Por Ronaldo Costa
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Nota: 10


Não é todo dia que você pode ouvir um álbum recém-lançado e dizer que ele já nasceu clássico. Geralmente, só o tempo e o correr dos anos têm o poder de transformar um disco em algo digno de ser classificado como tal. Bem, o Machine Head conseguiu lançar um trabalho onde não se tem a menor dificuldade ou pudor em dizer: "este álbum nasceu clássico".

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Quando o Machine Head soltou o álbum "Supercharger" em 2001, poucas pessoas apostariam num futuro promissor para a banda a partir daquele ponto, mesmo com todos os bons álbuns que o antecederam. O ótimo "Through the Ashes of Empire", de 2003, veio para mostrar que o grupo ainda não respirava com a ajuda de aparelhos. Todavia, é provável que nem o mais otimista dos fãs imaginasse que o disco seguinte da banda seria uma obra-prima. É sem medo de parecer exagerado que afirmo que "The Blackening", novo petardo da banda, não é apenas o melhor disco de sua carreira, ele é também um dos melhores trabalhos lançados dentro do heavy metal em anos. Se alguém chegar em 2010 e fizer um apanhado sobre os melhores discos lançados na década, este é um que deverá ser presença obrigatória na suposta lista.

O início sombrio com "Clenching the Fists of Dissent" já dá a idéia do misto de brutalidade, agressividade, 'feeling' e melodia que se fará presente em todas as oito faixas do álbum. "Beautiful Mourning" é outra que mescla fúria com melodias bem elaboradas. A terceira, "Aesthetics of Hate", traz o entrosamento perfeito entre letra e riffs raivosos, terminando com um verdadeiro pesadelo sonoro em seu desfecho. Mas se as três primeiras músicas já valem o preço do disco, ele ainda fica melhor na seqüência, como pode-se observar em "Now I Lay Thee Down", canção onde o Machine Head lança mão de toda a sua musicalidade e criatividade. A verdadeira surra que atende pelo nome de "Slanderous" e a fantástica "Halo" não ficam atrás. Entretanto, os dois pontos mais altos desse trabalho são guardados para o seu final. "Wolves" é uma combinação da mais pura técnica com uma pegada que impressiona, além de uma rifferama que beira a perfeição, enquanto que a inspiradíssima "A Farewell to Arms" é uma obra-prima digna de encerrar um disco que merece essa mesma classificação.

Todos os integrantes entregam os melhores trabalhos individuais de suas carreiras, inclusive Robert Flynn, com suas melhores execuções vocais até hoje. Além disso, o guitarrista Phil Demmel acrescentou demais no som da banda.

Se existe alguma justiça nesse mundo, "The Blackening" consistirá num daqueles álbuns que serão citados como influência por dezenas de bandas que estão surgindo ou que ainda irão aparecer. Lembra do 'clássico' lá no começo da resenha? Acredito que você nem precisará ouvir o disco tantas vezes assim até me dar razão. Um trabalho realmente indispensável. Palmas para Robert Flynn e seus companheiros.

Tracklist:
01. Clenching the Fists of Dissent
02. Beautiful Mourning
03. Aesthetics of Hate
04. Now I Lay Thee Down
05. Slanderous
06. Halo
07. Wolves
08. A Farewell to Arms


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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu "Prowler" pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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