Gigantour: em CD, excelentes versões ao vivo

Resenha - Gigantour - Vários

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Organizado por Dave Mustaine, o Gigantour surgiu como uma alternativa ao já estagnado Ozzfest. Explico: enquanto o cast do segundo é tomado de grupos amigos e comparsas de Ozzy Osbourne, o do primeiro primou por um line-up mais equilibrado, com bandas clássicas e novas promessas que, acima de ter uma relação pessoal com Mustaine, se destacam pela qualidade de seu trabalho.

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É claro que ao pegar este CD duplo nas mãos, a curiosidade imediata vai para as novas versões ao vivo de clássicos do Dream Theater, Anthrax, Megadeth, Nevermore e Symphony X, grupos já consagrados e com milhares de fãs em todo o mundo.

O Dream Theater comparece com duas canções recentes. “Panic Attack”, do álbum “Octavarium”, de 2005, é uma das canções mais pesadas do grupo, e apresenta aquele quebradeira característica da banda. Uma canção não mais que mediana. Já “The Glass Prison”, que abre o duplo “Six Degress Of Inner Turbulence”, de 2002, é uma das melhores canções da história de Mike Portnoy e companhia, e comparece aqui em uma versão que honra toda a sua complexidade. Uma estrutura brilhantemente construída, repleta de reviravoltas, com guitarras muito pesadas de John Petrucci e uma performance não menos que espetacular de todo o grupo.

Já o Anthrax vem com duas canções da sua fase clássica, e não poderia ser diferente, já que os shows do Gigantour contaram com a presença do vocalista Joey Belladonna. Ainda que “Caught In A Mosh” e “I Am The Law” tenham feito história no thrash metal, infelizmente a performance do grupo registrada aqui é pouco consisa, o que não deixa de refletir o ambiente vivido pela banda nesta fase, já que Belladonna não esquentou muito o banco nesta sua volta ao grupo. Pessoalmente, prefiro a voz de John Bush, que na minha opinião deixa as músicas com muito mais peso e punch.

O Life Of Agony apresenta o seu “novo metal” de forma competente. Ao vivo, as músicas do grupo ganham uma pegada bem hard rock, em versões bastante enérgicas. Destaque para os vocais de Keith Caputo e para a faixa “The Day He Died”.

O new metal do Dry Kill Logic, apesar de soar muito pesado ao vivo, soa como mais do mesmo. Um emaranhado de gritos com bateria rápida, que acaba perdido no meio do CD. Em contrapartida, o Bobaflex me surpreendeu positivamente, com um som bastante agradável e que, mesmo usando elementos habituais ao das bandas classificadas como new metal, soube tirar proveito dessas características. O vocal rapeado e o instrumental com algumas passagens mais calmas cheias de grooves funk fazem o som do grupo se destacar.

O Megadeth, como banda “dona” do festival, é a única a apresentar três canções no CD, enquanto todas as outras contam com apenas duas. A ótima “She-Wolf”, do subestimado “Cryptic Writings”, de 1997, é executada com competência, e o destaque desta canção são seus solos totalmente Iron Maiden. Na sequência, o grupo toca um de seus maiores clássicos, “A Tout Le Monde”, do ótimo “Youthnasia”, de 1994. Uma canção que soa atualíssima, tanto pelo caso do adolescente homicida canadense (que matou uma aluna, feriu vinte e depois se matou, e declarou que essa canção era uma das suas favoritas), quanto pelo fato de o grupo a ter regravado para seu novo álbum, “United Abominations”, que está chegando às lojas. A participação do público merece menção, cantando o refrão a plenos pulmões. A última das canções do Megadeth a constar no CD é a pesada “Kick The Chair”, do álbum “The System Has Failed”, de 2004, e atesta a ótima fase criativa que Mustaine vem atravessando nos últimos anos.

O Fear Factory dá as caras a seguir. O grupo do vocalista Burton C. Bell executa sua música cheia de personalidade com muita competência. As duas canções presentes, “Transgression” e “Archetype”, funcionam muito bem ao vivo, com destaque para a segunda.

Um dos grupos mais expressivos dos últimos anos, o Nevermore, ratifica seu excelente momento. A banda marca presença no CD com “Born”, excelente canção de abertura do ótimo “This Godless Endeavor”, e também com “Enemies Of Reality”, do disco homônimo de 2003. Ou seja, pancadaria das boas.

Pra fechar, o Symphony X com o seu prog metal repleto de peso. O grupo de Russell Allen e Michael Romeo despeja fartas doses de energia com “Inferno (Unleash The Fire)”, com um show de Allen e Romeo. Encerrando o CD, tocam a clássica “Of Sins And Shadows”, uma de suas músicas mais características. Interessante perceber, neste CD, como duas das bandas prog mais populares do mundo, o Dream Theater e o Symphony X, soam diferentes ao vivo. Enquanto o primeiro é absolutamente brilhante tecnicamente, o segundo aposta em um som muito mais calcado na energia e no peso.

A única ressalva que eu faço a esse lançamento é a total ausência de informações a respeito das formações de cada uma das bandas. De resto, um item muito legal, com um line-up muito bom, e, acima de tudo, contendo versões ao vivo no geral excelentes.

Parabéns a Dave Mustaine pela iniciativa, e a Hellion Records pelo lançamento nacional.

Faixas:

CD 1

1. Dream Theater – Panic Attack
2. Dream Theater – The Glass Prison
3. Anthrax – Caught In A Mosh
4. Anthrax – I Am The Law
5. Life Of Agony – The Day He Died
6. Life Of Agony – Love To Let You Down
7. Dry Kill Logic – Lost
8. Dry Kill Logic – Paper Tiger
9. Bobaflex – Better Than Me
10. Bobaflex – Medicine

CD 2

1. Megadeth – She-Wolf
2. Megadeth – A Tout Le Monde
3. Megadeth – Kick The Chair
4. Fear Factory – Transgression
5. Fear Factory – Archetype
6. Nevermore – Born
7. Nevermore – Enemies Of Reality
8. Symphony X – Inferno (Unleash The Fire)
9. Symphony X – Of Sins And Shadows

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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