Dark Tranquillity: "Mind's I" em versão deluxe

Resenha - Mind's I (Deluxe Version) - Dark Tranquillity

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os suecos do Dark Tranquillity dispensam apresentações. Um dos maiores nomes do death metal melódico, iniciado na cidade de Gotemburgo, a banda tem sete álbuns de estúdio lançados e um saindo do forno, “Fiction”, sendo uma das mais respeitadas na cena. Mas antes de ouvir as dez novas composições do novo CD, previsto para abril, será possível encontrar no Brasil uma nova versão para “The Mind’s I”, originalmente de 1996, e agora com um ‘Deluxe Version’, que inclui três faixas e dois vídeos, feito principalmente para os colecionadores mais assíduos.
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Para quem ainda não tem o trabalho ou pouco conhece a banda, acaba sendo também uma boa opção, já que ele representa um grande passo na evolução do grupo durante sua carreira — apesar deste tipo de lançamento sempre ter um fundo financeiro para quem o lança —, mesmo que esta versão já seja conhecida dos gringos desde 2004. Alguns detalhes são notados em relação ao anterior, "The Gallery", de 1995, como a afinação mais baixa das guitarras pela primeira vez e a inovação pela busca por assuntos metafísicos nas letras.

Quanto às faixas, todas as características principais do Dark Tranquillity estão presentes, como os riffs pesados, mas sem perder a melodia, os vocais gritados de Stanne e a velocidade. Na abertura “Dreamlore Degenerate” já mostra isso tudo e tem um ritmo legal, com várias paradinhas.

As duas próximas, “Zodijackyl Light” e “Hedon”, são grandes destaques, figurando até hoje nos sets ao vivo dos suecos. As duas têm muitas mudanças de andamento, ora velozes, com o vocal “vomitando” as letras, ora apostando em passagens mais lentas, que só aumentam o peso. Aliás, o trabalho instrumental é mais que notável, muito sólido e funcionando sempre como um conjunto.

Além do som mais habitual, há faixas diferentes, como “Insanity's Crescendo”, com um violãozinho no começo, antes de emendar em trechos mais agressivos. No meio, há um contraste com vocais femininos e linhas de guitarra baseadas na introdução, que dão um efeito bem legal nos sete minutos da composição. “Tongues” é outra marcante, com riffs que grudam na cabeça e Stanne se esgoelando mais ainda e o “The Mind’s I” é encerrado com a música homônima, com novas passagens acústicas.

Como o que mais interessa são os bônus, vamos a eles. São três músicas tiradas do mini CD “Enter Suicidal Angels”, que promoveu “Zodijackyl Light” também em 1996, e dois vídeos. Entre as primeiras, “Razorfever” é uma música na linha mais veloz, enquanto “Shadowlit Facade” aposta suas guitarras na parte melódica do death metal dos gotemburguenses.

E, quando tudo parece estar acabando muito bem, eis que surge “Archetype”. A faixa não passa de uma música eletrônica das mais insuportáveis, com tudo aquilo que os headbangers costumam odiar e ainda algumas breves aparições de guitarras distorcidas e o vocal de Stanne. Conselho: ouça até a 14ª faixa e não tenha medo, pule direto para os vídeos!

Na parte visual, o que se tem são os clipes de “Hedon” e “Zodijackyl Light”. O primeiro é muito bem dirigido, todo em preto e branco e contendo muitas críticas políticas e sociais, combinando bem com o som. Já o outro se baseia só na performance dos suecos, mas com uma aposta bem legal em criar um efeito com água na frente da câmera.

Outra melhora foi na arte gráfica, principalmente no interior do encarte, já que a capa, pouco modificada, não é de tão bom gosto quanto o som.

Fãs ou apreciadores do Gothenburg Metal e do Dark Tranquillity, o fato é que “The Mind’s I” é um item que merece estar na coleção de quem curte o estilo simplesmente pelas suas 12 primeiras músicas, que foram as que puseram suas marcas na história do grupo. Melhor para quem ainda não tem e pode sair com alguns bônus.

Track List
1. Dreamlore Degenerate
2. Zodijackyl Light
3. Hedon
4. Scythe, Rage and Roses
5. Constant
6. Dissolution Factor Red
7. Insanity's Crescendo
8. Still Moving Sinews
9. Atom Heart 243.5
10. Tidal Tantrum
11. Tongues
12. The Mind's Eye
13. Razorfever
14. Shadowlit Facade

Formação no disco:
Mikael Stanne – vocal
Niklas Sundin – guitarra
Fredrik Johansson – guitarra e programações
Martin Henriksson – baixo
Anders Jivarp – bateria
Sara Svensson – convidada nos vocais em “Insanity’s Crescendo”

Lançamento Rock Machine Records – nacional – 2007

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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