Resenha - Split CD - Larusso & Solstício
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 13 de março de 2007
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Sei que já falei sobre este assunto aqui mesmo, no Whiplash, mas juro que não consegui pensar em outra pessoa a não ser nele enquanto ouvia este disco: você sabe quem é o Rodrigo Koala? Eu explico, caro leitor: trata-se de um dos principais compositores de parte dos "geniais" hits de bandas como o CPM 22 e o Hateen (que é praticamente um CPM 22 genérico, sejamos sinceros). Pois é. Quando se tem em mãos um material como este CD conjunto das bandas Larusso e Solstício, não dá para não lembrar de Koala e sua turma. Não dá para deixar de imaginar o quão estranho é rotular, sob o selo de "hardcore cantado em português", tanto odes radiofônicos à dor-de-cotovelo quanto estas pauladas político-sociais sem concessões.

Na boa e velha tradição dos chamados "splits" (que pode ser uma surpresa para os mais novos, mas é termo já conhecido para os veteranos da cena underground), este álbum traz seis faixas dos santistas do Larusso e mais seis dos cariocas do Solstício. As sonoridades de ambas são nitidamente diferentes, mas dá para notar claramente dois pontos em comum: ótimas composições em português e uma agressividade inata e verdadeira.
A bolacha começa pelo Larusso (sobrenome do personagem principal dos filmes da franquia "Karatê Kid"), descrito pelos próprios como um "hardcore rápido, com a afinação baixa e muita falta de educação". Não poderia ser uma avaliação mais acertada. Vale a pena especialmente pelas letras – "Esperando um Tapa na Cara", por exemplo, é indicadíssima para quem já chegou aos 30 anos e ainda não se encontrou de verdade na vida – e pela diversidade do instrumental, violento e acelerado mas que mostra uma tendência a tentar fugir minimamente da obviedade. Que o digam os riffs inicial e final de "Isso Não É O Que Você É".
No entanto, o que derruba a nota do disco como um todo é justamente o vocal de Fábio, apenas e tão somente gritado de maneira exagerada e sem propósito. Não é um cantor gutural, como talvez coubesse ao conceito. É um grito. E só um grito. Talvez um urro, vá lá. Além de não valorizar em nada as letras (que mal podem ser entendidas, a não ser com o devido acompanhamento do encarte), já na terceira canção este tipo de condução do frontman torna-se cansativo e repetitivo, tirando um tanto do brilho do trabalho num contexto geral.
A partir da sétima faixa, é a vez do Solstício mostrar a que veio, em faixas maiores e ainda mais trabalhadas do que as dos colegas do Larusso. Aqui, a diversidade é ainda maior e muito mais bem-vinda. O excelente trabalho de guitarras ásperas carrega uma tonalidade metálica. É hardcore, mas consegue ter muito groove – basta ouvir "A Democracia Burguesa e a Perpetuação do Capitalismo" e a deliciosa levada de baixo de "Negros Tempos", uma porrada contra o preconceito e que sem sombra de dúvidas é o ponto alto do CD ("Pode um Jesus de olhos azuis nos redimir?", diz a letra em momento altamente inspirado).
Aqui, o trabalho do vocalista Marcelo consegue ser violento e parrudo, sem precisar apelar para os berros. Quase falado, em determinados momentos ele remete a uma espécie de trova urbana meio rap, com ecos de Rage Against The Machine ("Leis São Paz"). Para completar, ainda cabe uma homenagem ao cenário independente do Rio de Janeiro com o cover de "Meu Caminho", dos veteranos do Reajuste.
Larusso:
Fábio – Vocal
Leonardo – Guitarra
André – Baixo
Marcelo – Bateria
Solstício:
Marcelo – Vocal
Daniel – Guitarra
Davi – Guitarra
Buzunga – Baixo
Dudu – Bateria
Tracklist:
01. O Que os Olhos Não Vêem
02. Esperando um Tapa na Cara
03. Isso Não é O Que Você É
04. Um Começo e Não o Fim
05. Tente Outra Vez…Falhe Outra Vez…
06. Tem Alguém Aí, McFly?
07. A Democracia Burguesa e a Perpetuação da Ditadura do Capitalismo
08. Quando Morrem os Sonhos
09. Admirável Mundo Novo (Propaganda & Marketing)
10. Negros Tempos
11. Leis São Paz
12. Meu Caminho
Gravadora:
Caustic Records
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Akira Takasaki (Loudness) sobe ao palco com o Angra para tocar clássico do Deep Purple
A banda que Dave Grohl chamou de circo e comparou a cerveja velha e sem graça
Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
O disco mais odiado do Metallica que Jimmy Page e Jack White adoraram
A pergunta estranha que Clive Burr teria feito a Nicko McBrain
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
O pior disco do Kiss: Paul Stanley escolhe dois, e Marty Friedman discorda
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
As 10 músicas mais pesadas do Queen, incluindo uma raridade que quase ninguém conhece
O nome em "Livin' on a Prayer" que Jon Bon Jovi vetou: "Não posso cantar"
O que Ronnie James Dio disse a Scott Ian cinco anos depois de um envelope por baixo da porta
Os "aditivos legais" que Dave Lombardo consumiu durante as gravações de "Reign in Blood"
A música do Slayer que produtor Ross Robinson considera tão boa quanto "Angel of Death"
O guitarrista que Angus Young considera o mais superestimado do rock
Vocalista reflete sobre onda de haters contra o Greta Van Fleet
A bizarra cena que Kiko presenciou em show do Megadeth que o fez ter saudades do Brasil
Quando os irmãos do Van Halen se interessaram pelas irmãs do Heart
A estratégia que Frejat usou em "Puro Êxtase" para não ser acusado de apologia

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



