Venom: os pais do Black Metal estão de volta

Resenha - Metal Black - Venom

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Por Bruno Sanchez
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Nota: 6

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E os pais do Black Metal estão de volta! Após uma tentativa frustrada de volta com a formação original em Cast In Stone (1997) e três anos depois, com o Resurrection, a banda volta com um novo lançamento, Metal Black, prometido por Conrad Lant, o Cronos, como o álbum mais pesado do grupo.
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Antes de partir para a resenha em si, vamos a uma pequena análise: como você já deve ter percebido, o Venom virou um projeto pessoal de Cronos assim como o Megadeth de Dave Mustaine, o Annihilator de Jeff Waters e o Rage de Peter “Peavey” Wagner, o que é uma pena porque, por mais competente que o baixista/vocalista seja no que está fazendo (e claro que ele é), muito da criatividade se perdeu no caminho com a saída de Abaddon e, especialmente, Mantas.

O "Metal Black" é tosco, exatamente como você espera de um trabalho dos caras (ou do cara). O instrumental é sujo, o vocal de Cronos é urrado mas surpreendentemente a qualidade da gravação está muito boa para o padrão da banda. Quem já ouviu os primeiros álbuns, especialmente o "Welcome To Hell", sabe que um dos charmes do Venom é justamente a gravação abafada, mas isso não acontece aqui; Todos os instrumentos estão bem audíveis o que não diminui em nada a tosqueira do grupo, pelo contrário: realça.

Mas aí chegamos às músicas e os problemas começam a aparecer. O Venom já soube se atualizar no tempo (o álbum Prime Evil – mesmo sem Cronos – é um exemplo) e não tem necessidade de se repetir eternamente com aquela pose de adoradores de Satã e músicas “Oh, como eu sou malvado / viva o capeta”, mas Cronos parece não se ater a este detalhe e temos a impressão de que o Metal Black, a começar pela capa (uma mistura do Welcome To Hell e Black Metal) e também sonoridade, é apenas uma grande repetição de tudo o que eles já fizeram ao longo dos anos, especialmente nos três primeiros álbuns. O problema é que há 25 anos, esse som era um verdadeiro massacre sonoro, hoje em dia parece apenas uma banda cover tentando soar como Cronos, Mantas e Abaddon nos bons tempos.

Fica aquela sensação de “dejavú” ao ouvir Cronos cantando as mesmíssimas coisas de duas décadas atrás e, na boa, o Venom é uma banda histórica que definitivamente não precisa desse tipo de coisa. O Slayer começou como uma banda “satânica” e soube evoluir com o tempo não se prendendo a eterna necessidade de soarem malvados. Lógico, eles continuam blasfemando por aí, mas o foco não é mais "The Antichrist" ou "Black Magic". Para o Venom, ainda falta essa maturidade, talvez certa ousadia em trazer algo novo e falo isso como um grande fã da banda.

Outra coisa: Mike Hickey tem seu talento, já fez parte de uma formação clássica da banda (inclusive quando os caras vieram ao Brasil em 1986), mas seu estilo na guitarra definitivamente não combina com o Metal cru dos ingleses. Ele encheu as músicas de notas harmônicas e solos que nada tem a ver com a proposta do Venom e, ainda bem, já pulou fora logo após a gravação do álbum.

Antony Lant, o Antton e irmão de Cronos nas horas vagas, é um ótimo baterista, tecnicamente superior a Abaddon e trouxe uma pegada muito interessante, arriscando até algumas passagens no pedal duplo puxando pro Death, mas infelizmente, essa nova qualidade não é explorada como deveria e as músicas se prendem à fórmulas desgastadas do passado e não digo somente do passado do Venom mas também do passado das bandas que surgiram, especialmente no final dos anos 80, influenciadas pela banda em questão como o Deicide e o Morbid Angel.

Destaques vão para "Burn In Hell", "House Of Pain" e "Lucifer Rising", que tentam trazer algum elemento novo ao som e são realmente bem pesadas, mas é pouco, muito pouco para quem já produziu clássicos do calibre de "Welcome To Hell", "In League With Satan", "Black Metal", "Angel Dust", "Witching Hour", "To Hell And Back", "Buried Alive", "Countess Bathory", "Prime Evil" entre tantos outros.

Venom - Metal Black
(2006 - Castle Records / Sanctuary Group – importado)

01. Antechrist
02. Burn In Hell
03. House Of Pain
04. Death & Dying
05. Rege Satanas
06. Darkest Realm
07. A Good Day To Die
08. Assassin
09. Lucifer Rising
10. Blessed Dead
11. Hours Of Darkness
12. Sleep When I’m Dead
13. Maleficarum
14. Metal Black

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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