Resenha - A Twist In The Myth - Blind Guardian

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Blind Guardian é uma banda única. A evolução que os alemães atravessaram desde os seus primeiros trabalhos, onde executavam um power metal épico e vigoroso, até alcançar o ápice com a dupla de álbuns "Imaginations From The Other Side" e, principalmente, "Nightfall In A Middle-Earth", os transformou em um dos maiores nomes da história do heavy metal. Neste período, a banda construiu um som único e apaixonante, conquistando milhões de fãs em todo o mundo.

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Dito isso, vamos falar de "A Twist In The Myth", novo disco do grupo. Na minha opinião, e na da maioria dos fãs, os já citados "Imaginations ..." e "Nightfall ..." representam o auge criativo do Blind Guardian. E, como bem sabe quem trabalha com criatividade, após a benção de se atingir o topo é natural passar por um momento de baixa, de incerteza, onde uma espécie de vazio surge, já que alcançamos o que sempre procuramos e não sabemos muito bem para que caminho seguir.

"A Night At The Opera", trabalho anterior do grupo, representa a fase descrita no parágrafo acima. Mesmo inconscientemente (e acredito que não foi o caso), a banda intensificou os climas épicos e os arranjos grandiosos que caíram tão bem em "Imaginations ..." e "Nightfall ...", fazendo com que o álbum soasse um tanto exagerado em certos aspectos, desagrandando uma parcela dos fãs.

Pois bem: essa característica foi corrigida em "A Twist In The Myth". O que se ouve, desde o riff inicial da primeira música, "This Will Never End", é um som mais simples, intricado na medida certa, e que nos leva de volta aos tempos de "Imaginations From The Other Side", o ponto zero da sonoridade que o Blind Guardian explorou nos últimos anos. As características principais da banda, e que fazem a sua música soar única em um universo tão rico quanto o do heavy metal, continuam marcando presença. Os arranjos orquestrados, os corais grandiosos, as linhas vocais de Hansi Kursh, as guitarras únicas de Andre Olbrich e Marcus Siepen, tudo está lá, mas em "A Twist In The Myth" todas estas características tem um motivo de ser, um porque, trabalhando em favor da musicalidade de cada canção, o que infelizmente não ocorreu em diversos momentos de "A Night At The Opera", onde estas mesmas características soaram gratuitas muitas vezes.

Não à toa, o primeiro verso cantado por Hansi no álbum é um emblemático "once upon a time", deixando bem claro que a temática baseada na fantasia, um dos pontos marcantes do grupo e que tanto agrada os fãs mundo afora, continua a mesma. A produção deixou os instrumentos bem na cara, dando um ar ainda mais agressivo às músicas. Marcam presença os refrões grandiosos e grudentos, potentes como há algum tempo não ouvíamos em um disco do Blind Guardian.

Os fãs mais ortodoxos podem ficar bem tranquilos, pois não há em "A Twist In The Myth" grandes inovações sonoras. O máximo de ousadia que podemos ouvir está em "Fly", o primeiro single. Esta é a única canção que foge um pouco do estilo desenvolvido pelo grupo ao longo dos anos, inserindo pequenas inovações percussivas em seu arranjo, mas sem comprometer o resultado final. Aliás, escrevi há um tempo atrás, na resenha que fiz sobre o single, que "Fly" era uma canção que não me agradava tanto, mas quero aqui me redimir com a banda e com os fãs, pois ela é, sem dúvida, um dos pontos altos de "A Twist In The Myth".

Mas há outros acertos no disco. A já citada "This Will Never End" é um tapa na cara. A introdução clássica de "Otherland" abre caminho para um das melhores composições gravadas pelo Blind Guardian nos últimos anos. Já "Turn The Page" reforça a escolha pela fantasia e pela sonoridade épica, e possui um belíssimo refrão.

Duas belas beladas também se destacam em "A Twist In The Myth". "Carry The Blessed Home" é uma canção épica ao extremo, grandiosa, bem ao gosto dos bardos que vivem o som do grupo como uma filosofia de vida. No caminho oposto, "Skalds And Shadows" retoma a sonoridade acústica sempre presente dos trabalhos do grupo, seguindo o caminho de clássicos como "A Past And Future Secret", "Lord Of The Rings" e do hino "The Bard´s Song - In The Forest".

Não posso encerrar esta resenha sem citar a melódica "Straight Through The Mirror", a ótima "Lionheart" e as excelentes "The Edge" e "The New Order", estas duas últimas acrescentando elementos progressivos ao som do grupo.

Individualmente, este é um álbum de Hansi Kursh. Não digo isso menosprezando as performances de Andre Olbrich e Marcus Siepen, e muito menos do ótimo baterista Frederick Ehmke, que não deixa saudades de Thomen Stauch, todos com excelente participação no disco, mas o fato é que Hansi segue a tendência dos últimos lançamentos da banda e se consolida de vez como a cara, a voz e a alma do Blind Guardian. Imaginar o som do grupo hoje sem a sua presença é virtualmente impossível.

Concluindo, "A Twist In The Myth" traz um Blind Guardian olhando para o passado, buscando em sua rica história os caminhos para se manter vivo, influente e relevante por um bom tempo ainda. Os fãs não ficarão decepcionados, e quem não conhece (alguém pode me responder em que planeta vive essa pessoa?) pode experimentar sem medo.

Faixas:

1. This Will Never End
2. Otherland
3. Turn The Page
4. Fly
5. Carry The Blessed Home
6. Another Strange Me
7. Straight Through The Mirror
8. Lionheart
9. Skalds And Shadows
10. The Edge
11. The New Order
12. Dead Sound Of Misery
13. Interview (Bonus Track)

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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