Resenha - Killing the Devil Inside - Mad Dragzter
Por Maurício Dehò
Postado em 10 de dezembro de 2006
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Após três anos do muitíssimo bem recebido Strong Mind, o Mad Dragzter volta a aparecer com o seu segundo álbum, Killing the Devil Inside, lançamento da Encore Records. A banda, eleita revelação de 2003 pela mídia especializada, traz um som moderno e renovado, sem perder as características que a alavancaram no cenário thrash. Mais que isso, esse disco mostra a real cara do quarteto, uma intenção deles próprios, que além do peso e da velocidade apostam na melodia, em letras politizadas e até em efeitos bem diferentes. O Whiplash esteve presente na audição para os amigos da banda, no estúdio Nimbus, onde ocorreram as gravações, para analisar o novo som.

A evolução é visível logo de cara, com "The World Ends Tomorrow". Apesar de não gostarem muito de comparações, ela tem uma levada que lembra o Kreator, principalmente na introdução. O peso, a rapidez, a chuva de riffs e baquetadas, além do vocal agressivo já dão o ar da graça, numa das melhores faixas. Ao contrário do thrash metal mais genérico do debut (mas de muita qualidade), Tiago Torres (vocal e guitarra), Gabriel Spazziani (guitarra), Armando Benedetti (baixo) e Eric Claros (bateria) realmente mostram que vieram acrescentar e inovar no metal nacional.
Um dos pontos altos fica pela produção bem profissional capitaneada por San Issobe, que também trabalhou em "Strong Mind", e pelos próprios músicos. Um pormenor fica pelo vocal, que em algumas passagens é "envolto" pelos outros instrumentos.
As modernidades seguem com "EVIL.COM", que tem um trabalho de voz bastante agressivo de Tiago, que, como ele próprio disse, tentou sentir mais as letras para passar emoção nas músicas. O resultado é positivo, quando comparado com o anterior. Outro ponto importante são os climas criados dentro das composições. Nesta, chega a haver até violão, o que não é uma novidade para eles, e criancinhas cantando antes de voltar a velocidade e a faixa acabar quebrando tudo.
"Jaws" mantém o pique e também se destaca. Já a faixa-título, tem tudo o que consta nas anteriores, só que com mais intensidade. Porém, os climas diferenciados e os efeitos acabam sendo um pouco exagerados, se sobressaindo numa música que é originalmente muito boa (e olha que a dita cuja fica na cabeça!). Detalhe, todos estes efeitos que permeiam as 13 faixas são feitos exclusivamente com guitarras num trabalho bem criativo com o instrumento. E haja pedais. Para as gravações, os músicos garantem que foram escolhidos os melhores takes, como é comum, mas que o som está bem ao vivo, com poucas modificações no computador.
Por falar nas seis cordas, a dupla Tiago e Gabriel têm um timbre próprio e que faz a diferença, misturando um som bem sujo e agressivo com a afinação baixa. E os solos não são pura "fritação". Pelo contrário, eles optam pela musicalidade, o que é sempre bom e acrescenta em qualidade às composições.
"Talking to the Shadows" tem um refrão com uma melodia marcante e muitas variações no tempo. Ela precede o melhor momento de "Killing the Devil Inside", o seu segundo terço. Neste momento, as músicas são mais diretas, aquele "thrashão" matador, em que é difícil ficar parado. Aliás, um dos motivos para isso está atrás da bateria. Eric Claros, MUITO técnico e rápido, só acrescentou com a sua entrada e, como admite, já se enturmou durante os dois anos de composição do álbum, com um trabalho que impressiona.
Duas faixas se destacam: "Nation of Fear" e "Buried". A primeira tem letras bem politizadas e critica o que vem pela frente, como se vê na bela capa assinada por Paulo Arashiro e Mauricio Brancalion, onde aparecem esboços de Hitler, Bin Laden e até do presidente Lula. Sobra até para as Lojas Marabrás (aquela do "preço menor ninguém faz"...), mostrando que o metal também tem potencial para tentar mudar a realidade atual. Além disso, as letras também abordam temas da mente humana, como foi feito recentemente pelo Angra (no "Aurora Consurgens") e o Mindflow (no "Mind Over Body"). A faixa em si é muito boa, com frases de guitarra cortantes. Detalhe é a parte lenta, com um dueto a la Master of Puppets. Já "Buried", também bem rápida, traz a influência da Bay Area com riffs e até aquela paradinha típica do Slayer.
"Surreal" retoma os vilões, mas só esconde o peso da nona música e "I, Psycho" mantém o nível lá em cima, com bons vocais, mais gritados e lembrando o James Hetfield das antigas, além do destaque para o baixo de Armando Benedetti. Encerrando, "No Money", com uns coros bem legais e bem divertida e "Whisper of Fear". As duas prendem o ouvinte até o final, que não cansa após os 60 minutos (só se for de chacoalhar a cabeleira...).
"Killing the Devil Inside" já entra nos tops de 2006 (e é um bom presente pro Natal!), fazendo o Mad Dragzter subir um degrau na carreira, com um CD que realmente merece a atenção. Ah, e olha que os caras ainda deixaram engavetada uma balada. Segundo Tiago: "Pó, não sei cantar (risos). Já começo a puxar pros overdrives, não dá...".
Com os planos em andamento para licenciar o álbum no exterior (Japão, Europa e Estados Unidos), resta esperar que o Mad Dragzter caia no gosto dos gringos, como o Brasil precisa que aconteça com suas bandas. Boa música, atitude e pinta para serem grandes os caras têm, só falta dar certo! E que venha a nova tour!
Formação
Tiago Torres – guitarra e vocal
Gabriel Spazziani – guitarra
Armando Benedetti – baixo
Eric Claros - bateria
Tracklist (60 minutos)
1. The World Ends Tomorrow Morning
2. EVIL.COM
3. Jaws
4. Killing the Devil Inside
5. Talking to the Shadows
6. Curriculum Mortis
7. Nation of Fear
8. Buried
9. Surreal
10. I, Psycho
11. Level 42
12. No Money
13. Whisper of War
Lançamento da Encore Records, previsto para a semana de 15 a 20 de dezembro.
Produção de San Issobe.
Outras resenhas de Killing the Devil Inside - Mad Dragzter
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Baterista de Piracicaba vence concurso do Metallica com galinha de borracha
Gravação inédita de Raul Seixas cantando Rolling Stones é lançada oficialmente
A música esquecida do Led Zeppelin que Robert Plant acha simplesmente "linda"
A música considerada a "ovelha negra" do "Black Album", segundo a Louder
O clássico do rock que causou sono na plateia quando foi tocado ao vivo pela primeira vez
O ex-colega de banda no Pink Floyd com quem David Gilmour nunca mais falou
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
A música do Pink Floyd que David Gilmour nunca mais vai tocar ao vivo
O hit do Foo Fighters que Dave Grohl odeia: "Parece uma canção dos Eagles"
O álbum que é o ápice do tédio empacotado para a geração Z, segundo Regis Tadeu
As três músicas punk que Lemmy escolheu entre as maiores de todos os tempos
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
O artista que é "a essência do rock", segundo James Hetfield do Metallica
A letra de Ronnie James Dio que Tony Iommi e Geezer Butler quase vetaram
O subgênero do rock que Freddie Mercury desprezava: "Montanha de besteira"
A opinião de Dave Mustaine sobre habilidades de James Hetfield na guitarra
AC/DC: como Angus responde a um copo de cerveja atirado?


Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto



