Resenha - Arockalypse - Lordi

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 10


Depois de vencerem surpreendentemente a versão 2006 do tradicional concurso europeu Eurovision com o single de "Hard Rock Hallelujah", os finlandeses do Lordi chamaram a atenção do mundo e tornaram-se uma verdadeira mania no velho continente. Muito antes disso, dois anos para ser exato, este que vos escreve já tinha descoberto o som deste quinteto por meio do único álbum lançado no Brasil, a coletânea "The Monster Show". E devo dizer que há muito tempo, muito mesmo, não me divertia tanto ao descobrir uma nova banda. Não parei mais de escutar àquele CD. Ouvi todas as músicas que consegui. Virei fã mesmo. E sou obrigado a dizer, para o ódio dos detratores obrigatórios, que "The Arockalypse", o novo disco de inéditas da banda, entrou disparado na minha lista de melhores do ano. E está tocando sem parar no meu discman.

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Antes de mais nada, cabe aqui uma breve explicação conceitual: o Lordi é uma banda que mistura as máscaras, maquiagens e fantasias do Gwar (Slipknot My Ass!), as temáticas de filmes de terror gore/trash/B do White Zombie/Rob Zombie, a performance de palco cheia de pirotecnias do Kiss e a sonoridade hard rock pesada e festeira de Mötley Crüe e Twisted Sister. Se você já conseguiu visualizar alguma coisa desta breve descrição (e mistureba), creio que você já sabe se vai amar ou odiar o Lordi. Acredite em mim: as reações costumam ser extremas mesmo.

Exatamente como em "The Monster Show", o disco abre com uma divertida vinheta introdutória - só que, ao invés da narração de um trailer de filme de horror, o que se ouve é uma transmissão ao vivo de um noticiário local, anunciando a invasão mundial dos monstros e, na seqüência, a mensagem de seu líder. E eis que, para iniciar o chamado "Arockalypse", surge a primeira faixa do disco: "Bringing Back the Balls to Rock". A primeira canção é reflexo do que pode se esperar do restante do álbum: um refrão irresistível e aquele tipo de melodia que dá vontade de cantar, chacoalhar a cabeça e pular junto.

Além da deliciosa "Hard Rock Hallelujah", o disco traz outros hinos obrigatórios do universo monstruoso, como a inacreditável "Who's Your Daddy?" (que, pelo tema, caberia perfeitamente em um disco de qualquer "hair metal band" dos anos 80) e "Night of the Loving Dead", que consegue ser romântica e zumbística (Salve, George Romero!) ao mesmo tempo. Se você já assistiu ao filme "Shaun of The Dead" - que aqui ganhou o sofrível título de "Todo Mundo Quase Morto" - sabe que isso é perfeitamente possível.

As participações especiais, no entanto, são mesmo a cereja do bolo, a começar pelo guitarrista Bruce Kulick (Kiss, Grand Funk Railroad) que dá as caras em "It Snows in Hell", preenchendo bem as seis cordas lado a lado com o competente monstrinho Amen. Já a excelente "Chainsaw Buffét" ganha um riff suingado, cortesia de Jay Jay French, guitarrista do Twisted Sister, e que não poderia combinar mais com o estilo da banda. E em um dos melhores momentos de "The Arockalypse", o vozeirão rasgado de Mr.Lordi divide os vocais de "They Only Come Out at Night" com uma voz conhecida dos headbangers de plantão: Udo Dirkschneider (UDO, Accept). Reza a lenda, aliás, que Udo consegue ser ainda mais feio naturalmente do que Mr.Lordi e sua máscara de látex, mas não vamos entrar neste mérito.

Se você é um daqueles puristas que acreditam naquelas bobagens do tipo "isso não é true metal" e afins, recomendamos manter distância do Lordi. Trata-se de uma banda cujo objetivo é, antes de tudo, divertir despretensiosamente fazendo ótima música. E isso estes cinco monstrengos finlandeses fazem com maestria. Altamente recomendado. Gene Simmons ficaria orgulhoso.

Line-up:
Mr.Lordi - Vocal
Amen - Guitarra
Ox - Baixo
Kita - Bateria
Awa - Teclado

Tracklist:
1. SCG3 Special Report
2. Bringing Back the Balls to Rock
3. Deadite Girls Gone Wild
4. Kids Who Wanna Play with the Dead
5. It Snows in Hell
6. Who's Your Daddy?
7. Hard Rock Hallelujah
8. They Only Come out at Night
9. Chainsaw Buffét
10. Good to Be Bad
11. Night of the Loving Dead
12. Supermonstars (The Anthem of the Phantoms)

Gravadora:
Sony / BMG (Finlândia) - Importado




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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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