Resenha - A Gaze Between The Past And The Future - Tarkus
Por Marcos A. M. Cruz
Postado em 28 de setembro de 2005
Lançado originalmente em 2002, este CD de estréia do TARKUS, formado por três ex-integrantes do LEI SECA (Zamboni, Mickey e Cesar), agora ganha uma reedição pela Rock Symphony, contando com uma faixa adicional e arte gráfica mais condizente com a proposta sonora da banda, calcada no Progressivo Sinfônico dos anos setenta e totalmente cantado em inglês.

Ao contrário do que o nome sugere, o disco pouco ou nada têm a ver com EMERSON, LAKE & PALMER, mas sim com outros nomes daquela época, tais como CAMEL, LE ORME, PREMIATA FORNERIA MARCONI, e até mesmo um pouco de GENESIS e JETHRO TULL, este último por causa do uso quase ostensivo de flauta, embora aqui o instrumento não esteja em primeiro plano, mas seja usado apenas como um complemento na execução dos temas.
A primeira faixa, "Exit From Calcutta", é totalmente inspirada nos ingleses do CAMEL, embora sua introdução seja uma adaptação de "The Coming From Kohoutek", do ARGENT ("Nexus", 1974); em seguida, "You Want The Real Me", que conjuga de forma interessante a flauta e o mandolin, compondo um arranjo de muito bom gosto.
Depois a releitura adaptada de alguns trechos de "Dies Irae", do DEVIL DOLL, único momento em que o grupo abandona um pouco a sonoridade setentista, já que esta (monumental) obra foi lançada em 1996; daí uma espécie de "balada", a canção "Blue Light", com ênfase no vocal e na flauta e um final bem melódico, remetendo desta vez ao GENESIS fase Peter Gabriel.
Então é a vez de um dos pontos altos do disco: "The Raft Of Medusa", suíte épica de mais de doze minutos inspirada na tela "A Jangada do Medusa" de Théodore Géricault, que retrata um lamentável episódio ocorrido na costa do Senegal em 1816, quando, por ocasião de um naufrágio, o capitão e a tripulação de um navio tomaram os barco salva-vidas, que puxavam uma jangada improvisada com 150 passageiros amontoados, e a certa altura decidiram cortar a corda que puxava a balsa, deixando os passageiros à deriva sob um sol escaldante por mais de dez dias, sem comida nem água, que chegaram a praticar canibalismo para tentar sobreviver - mas só quinze conseguiram...
Por último, a faixa bônus, "Hold Me Now", que começa com uma guitarra mais afiada que as outras canções, depois retoma o clima de Progressivo Sinfônico, volta brevemente ao peso durante o solo e finaliza de forma melancólica e suave.
A instrumentação é precisa e bem colocada, sem espaço para virtuosismos excessivos, já que os arranjos foram feitos na medida certa, de forma a realçar o conjunto da obra em si, não a atuação individual de algum músico. E a produção e mixagem estão satisfatórias, realçando com clareza cada detalhe.
De novidade este álbum, de fato, não traz nada, mas também não se limita a amontar clichês, há boas idéias aqui e ali executadas de forma competente, portanto quem realmente gosta de Progressivo Sinfônico setentista deve dar uma conferida, a chance de decepção é praticamente nula!
Faixas:
- Exit From Calcutta
- You Want The Real Me
- Fragments From Dies Irae
- Blue Light
- The Raft Of Medusa
- Hold Me Now (bonus track)
Total Time: 48:17
Formação:
- Mr. Zamboni (lead vocal, lead acoustic, eletric guitars & mandolin)
- Beto Guimarães (guitar & backing vocals)
- Mickey Nicolas (keyboards and backing vocals)
- Cesar Frezzato (drums)
- Luiz Teixeira (bass and backing vocals)
- Leandro Guimarães (flute)
Website oficial: www.tarkusrock.com.br.
Outras resenhas de A Gaze Between The Past And The Future - Tarkus
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
O disco que talvez seja a definição mais perfeita de "classic rock"
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
A banda que Robert Plant definiu como "clinicamente morta" após ir a show deles
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
Metal Hammer lista discos achincalhados que merecem uma segunda chance
O álbum do Led Zeppelin que Ozzy Osbourne considerava um dos grandes discos de metal
O hit do Led Zeppelin que Robert Plant acha ótimo: "Rock progressivo enlouquecido"
O maior cantor de rock de todos os tempos, segundo James Hetfield do Metallica
As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
Axl Rose: "Queen é a maior banda e Freddie Mercury é o maior frontman"
A banda marcante dos anos 2000 que para Gastão é supervalorizada
Psicanalista faz uma análise freudiana sobre Ozzy Osbourne

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



