Resenha - A Gaze Between The Past And The Future - Tarkus

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Por Marcos A. M. Cruz
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Lançado originalmente em 2002, este CD de estréia do TARKUS, formado por três ex-integrantes do LEI SECA (Zamboni, Mickey e Cesar), agora ganha uma reedição pela Rock Symphony, contando com uma faixa adicional e arte gráfica mais condizente com a proposta sonora da banda, calcada no Progressivo Sinfônico dos anos setenta e totalmente cantado em inglês.

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Ao contrário do que o nome sugere, o disco pouco ou nada têm a ver com EMERSON, LAKE & PALMER, mas sim com outros nomes daquela época, tais como CAMEL, LE ORME, PREMIATA FORNERIA MARCONI, e até mesmo um pouco de GENESIS e JETHRO TULL, este último por causa do uso quase ostensivo de flauta, embora aqui o instrumento não esteja em primeiro plano, mas seja usado apenas como um complemento na execução dos temas.

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A primeira faixa, "Exit From Calcutta", é totalmente inspirada nos ingleses do CAMEL, embora sua introdução seja uma adaptação de "The Coming From Kohoutek", do ARGENT ("Nexus", 1974); em seguida, "You Want The Real Me", que conjuga de forma interessante a flauta e o mandolin, compondo um arranjo de muito bom gosto.

Depois a releitura adaptada de alguns trechos de "Dies Irae", do DEVIL DOLL, único momento em que o grupo abandona um pouco a sonoridade setentista, já que esta (monumental) obra foi lançada em 1996; daí uma espécie de "balada", a canção "Blue Light", com ênfase no vocal e na flauta e um final bem melódico, remetendo desta vez ao GENESIS fase Peter Gabriel.

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Então é a vez de um dos pontos altos do disco: "The Raft Of Medusa", suíte épica de mais de doze minutos inspirada na tela "A Jangada do Medusa" de Théodore Géricault, que retrata um lamentável episódio ocorrido na costa do Senegal em 1816, quando, por ocasião de um naufrágio, o capitão e a tripulação de um navio tomaram os barco salva-vidas, que puxavam uma jangada improvisada com 150 passageiros amontoados, e a certa altura decidiram cortar a corda que puxava a balsa, deixando os passageiros à deriva sob um sol escaldante por mais de dez dias, sem comida nem água, que chegaram a praticar canibalismo para tentar sobreviver - mas só quinze conseguiram...

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Por último, a faixa bônus, "Hold Me Now", que começa com uma guitarra mais afiada que as outras canções, depois retoma o clima de Progressivo Sinfônico, volta brevemente ao peso durante o solo e finaliza de forma melancólica e suave.

A instrumentação é precisa e bem colocada, sem espaço para virtuosismos excessivos, já que os arranjos foram feitos na medida certa, de forma a realçar o conjunto da obra em si, não a atuação individual de algum músico. E a produção e mixagem estão satisfatórias, realçando com clareza cada detalhe.

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De novidade este álbum, de fato, não traz nada, mas também não se limita a amontar clichês, há boas idéias aqui e ali executadas de forma competente, portanto quem realmente gosta de Progressivo Sinfônico setentista deve dar uma conferida, a chance de decepção é praticamente nula!

Faixas:
- Exit From Calcutta
- You Want The Real Me
- Fragments From Dies Irae
- Blue Light
- The Raft Of Medusa
- Hold Me Now (bonus track)
Total Time: 48:17

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Formação:
- Mr. Zamboni (lead vocal, lead acoustic, eletric guitars & mandolin)
- Beto Guimarães (guitar & backing vocals)
- Mickey Nicolas (keyboards and backing vocals)
- Cesar Frezzato (drums)
- Luiz Teixeira (bass and backing vocals)
- Leandro Guimarães (flute)

Website oficial: www.tarkusrock.com.br.

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Sobre Marcos A. M. Cruz

Fanático por rock setentista.

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