Resenha - Armageddon Over Wacken - Live 2004
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 04 de junho de 2005
Um dos maiores e mais tradicionais festivais de metal do mundo ganha seu registro em cd de sua edição 2004. O ano passado marcou a 15º edição do Wacken Open Air, realizado na Alemanha, com seu recorde de público atual: 44 mil pessoas.

A presente compilação tem o óbvio objetivo de levar para ouvintes de todo o mundo a sensação que é esta celebração de uma das maiores religiões do planeta (o metal, claro!). Consegue? Claro que não! Seria impossível consegui-lo, mas para pessoas que como eu (ou talvez você) não possuem U$$ 2,500,000 – tirando por baixo – disponíveis para viajar até a Alemanha e conferir o festival, este álbum triplo (em sua versão completa, já que a analisada é apenas um promo) torna-se realmente interessante.
O CD um começa com duas músicas do Dio, as mais do que clássicas-manjadas-tocadas exaustivamente "Holy Diver" e "Don’t Talk To Strangers", que dispensam qualquer comentário. Segue-se o Motörhead fazendo o seu trivial com "We Are Motörhead" e "Life Is A Bitch", que soam apenas medianas, e em seguida o Nevermore decepciona por não conseguir reproduzir ao vivo toda a intensidade e singularidade de sua performance em estúdio, fazendo com que "Enemies Of Reality" perca com isso. O modorrento Bal Sagoth dá espaço a duas pérolas do gothic metal (para simplificar a coisa), o Orphanage e o Weinhold, surpreendentemente fantásticos, duas bandas que merecem mais reconhecimento em nosso país (a última em especial).
O apuradíssimo thrash metal do Death Angel empolga consideravelmente com "Thicker Than Blood", assim como o bom heavy tradicional do Brainstorm em "Hollow Hideaway".
Daí pra frente a brutalidade toma conta com a seqüência dos ótimos Mayhem, Children Of Bodom (Sixpounder de novo?), Cathedral e Cannibal Corpse, sendo subitamente interrompidos pela emotiva e sedutora balada "Für Immer" de Doro Pesch, este é o momento de todos os alemães cantarem juntos!
O cd 01 fecha com os porra loucas do Elekäläiset, banda finlandesa que mistura diversos instrumentos e timbres bizarros com loucuras mil para parodiar clássicos do rock, a selecionada aqui foi "Jump" do Van Halen que ficou sensacional e fez valer a adição na coletânea.
A segunda parte começa com uma trinca arrepiante de thrash metal, duas do Anthrax, "Indians" e "Only", que só ratificam sua posição como uma das melhores e mais queridas bandas da atualidade e a fúria bestial do Destruction com "Nailed To The Cross", apenas mais um exemplo da irresistível escola germânica. O contrabalanço de Kotipelto (da rançosa "Reasons") e do medíocre Mystic Prophecy soam como um triste anti-clímax. Aí vem o razoavelmente empolgante Feinstein (irmãozinho do Dio para quem não sabe) de Rebelution seguido da seção underground-europeu-quase-obscuro (excetuando os americanos do Mnemic) que não traz grandes atrativos por serem meros pastiches de conjuntos maiores, melhores e mais famosos. A coisa melhora com o puro rock n’ roll old-school do Zodiac Mindwarp e os mestres do death sueco Unleashed. Segue a versão de "Fear Of The Dark" com Blaze Bayley e Doro Pesch que é musicídio (não existe o termo? acabei de inventar!) puro. Vá lá que o adendo da orquestra ficou interessante, mas Blaze canta muitos tons acima do tradicional (relapsidade ou incompetência?) e Doro não se encaixou nada nada nela. A festa acaba com os muito bem recebidos JBO, e sua "Arschloch Und Spass Dabei", que apresenta semelhanças gritantes com o Rammstein e justamente por isso consegue ser ótimo.
A produção está bem bacana, consistente em todas as bandas e captando excelentemente a energia do público, fundamental para a proposta do álbum. Lembrando que há ainda um terceiro cd que não foi colocado à nossa disposição para avaliação (bem mais underground que os outros) e que a ordem de certas músicas, e até a aparição de bandas podem variar de acordo com a versão da coletânea conferida – há algumas delas circulando por aí. E sabe-se-lá-porquê, não encontrei nada de Arch Enemy, Satan, Grave Digger, Amon Amarth, The Quireboys, After Forever, Hypocrisy e Saxon nas versões que vi sendo lançadas.
A escolha das faixas que estariam nesta compilação foi de critério das próprias agrupações, e aí cabe um puxão de orelhas em gente como Dio (o cara é deus mas não é intocável droga!), Children Of Bodom, Kotipelto e Blaze Bailey (que na verdade fez apenas uma participação especial no show da Doro, mas cantou várias outras músicas) que poderiam terem feito escolhas menos óbvias e mais interessantes.
Espero ter ajudado com este modesto track-by-track, sem rodeios e meias palavras. E que a edição deste ano seja ainda mais devastadora! Metal Rulz!
Lançado pela Armageddon Music.
Site Oficial: http://www.armageddon-over-wacken.com
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