Resenha - Prophecy - Soulfly

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Por Raphael Crespo
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É praticamente impossível para um fã de Sepultura evitar uma certa nostalgia a cada novo lançamento do Soulfly, que tem como líder o vocalista/guitarrista Max Cavalera, co-fundador e voz, por 14 anos, da maior banda de heavy metal do Brasil em todos os tempos. Afastado dos ex-companheiros, inclusive do baterista Igor, seu irmão, Max procurou se distanciar fisicamente da ex-banda, mas, musicalmente, manteve uma linha parecida com o Roots, último álbum pelo Sepultura, em seus lançamentos com o Soulfly. O mais novo deles, o quarto, é Prophecy.

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Talento indiscutível do som pesado, Max é polêmico, tem opiniões e atitudes controversas, mas, uma coisa não dá para negar: ele é a alma do Soulfly. Talvez por ser o dono da banda. Para o sucessor do álbum 3, o mais velho dos irmãos Cavalera decidiu trocar toda a banda e convocou Mark Rizzo, do Il Niño, para a guitarra; Joe Nunez, baterista do segundo álbum, Primitive; e dividiu o baixo entre Bobby Burns e David Ellefson, lendário baixista do Megadeth, que aparece em cinco faixas: Prophecy, Defeat U, Mars, I Believe e In the meantime.

Com músicos novos ou não, tudo no Soulfly gira em torno de Max. Uma das vozes mais poderosas do metal, ele é também um dos músicos mais inventivos do estilo e tem coragem por fugir dos rígidos padrões do hermético mundo metálico. Por isso, passa longe de ser uma unanimidade. Pelo contrário, é muito discutido.

Prophecy é mais uma viagem experimental de Max, que começou a ousar no Roots, ainda com o Sepultura, e vem misturando world music com metal desde Soufly o primeiro com sua atual banda. O álbum abre com a faixa-título, que está entre as mais pesadas e varia da levada pula-pula, primeiramente consagrada em Roots, ao puro thrash metal.

O experimentalismo é deixado de lado e a pancadaria come solta nas seguintes, Living sacrifice, Execution Style e Defeat U, músicas em que Max volta, com autoridade de ícone do estilo, ao bom e velho thrash metal. Mars vem na sequência e, igualmente pesada, já começa a dar um novo direcionamento, terminando em clima de reggae.

A pesadíssima I Believe é a faixa em que mais aparece o lado espiritual de Max Cavalera, assim como a seguinte Moses, que também é a mais experimental e tem uma levada reggae, devido à participação da banda sérvia Eyesburn.

Born Again Anarchist e Porrada trazem o lado mais hardcore de Max, sendo que a segunda, a única em português, com uma letra até certo ponto infantil, recheada de palavrões, tem uma introdução meio jazz/bossa nova e um final de samba, emoldurando a pancadaria.

Depois de In the meantime, ótimo cover do Helmet, o álbum termina com duas músicas lentas: a instrumental/batucada Soulfly IV e Wings, que tem um belo vocal feminino de Asha Rabouin, mas acaba com uma chata música de circo. Na versão digipack, Prophecy conta com seis faixas-bônus gravadas ao vivo, em 2001, entre elas Roots Bloody Roots e Spit, do Sepultura.


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Sobre Raphael Crespo

Raphael Crespo é jornalista, carioca, tem 25 anos, e sempre trabalhou na área esportiva, com passagens pelo jornal LANCE! e pelo LANCENET!. Atualmente, é editor de esportes do JB Online, mas seu gosto por heavy metal o levou a colaborar com a seção de musicalidade do site do Jornal do Brasil, com críticas de CDs e algumas matérias especiais, que também estão reunidas em seu blog (http://www.reviews.blogger.com.br). Sua preferência é pelo thrash metal oitentista, mas qualquer coisa em termos de som pesado é só levantar na área que ele mata no peito e chuta. Gosta também de outros tipos de som, como MPB, jazz e blues, mas só se atreve a escrever sobre o que conhece melhor: o metal.

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