Resenha - Symphony: Alive IV - Kiss
Por Raphael Crespo
Postado em 28 de dezembro de 2003
Texto originalmente publicado no
JB Online e no Blog Reviews & Textos.
Amando ou odiando, é difícil achar uma pessoa que conheça um pouco de música e consiga ser indiferente ao Kiss. Desprezada por poucos, que a acusam de ser meramente comercial e se preocupar mais com marketing do que com a música, a banda é idolatrada por milhões, muitas vezes não só pelo som, mas pelas mesmas razões pelas quais é criticada. Ao longo de seus 30 anos de estrada, o Kiss criou ícones, lendas e tradições, sendo uma delas o lançamento de álbuns ao vivo, um com mais estardalhaço que o outro. Kiss - Symphony: Alive IV, CD duplo, chega às lojas de todo mundo trazendo um caminhão de novidades, pois, se não tivesse novidades, não seria o Kiss.

O álbum foi gravado em 28 de fevereiro de 2003, em Melbourne, na Austrália, e conta com a participação da Orquestra Sinfônica de Melbourne, com 60 componentes, todos com os rostos pintados, como os quatro integrantes do Kiss. O primeiro CD é dividido em dois atos, sendo o primeiro com uma performance elétrica, só com a banda, e o segundo com um set acústico, tendo a participação de algumas cordas da orquestra. O segundo CD conta com grandes clássicos da banda e é inteiramente acompanhado por todos os músicos de Melbourne.
Além do CD, a banda ainda lança um DVD com o show, que também será transmitido em pay-per-view, em dezembro. E como o Kiss - que sempre deu tanta importância para o lado visual quanto para o musical - não dá ponto sem nó, o encarte do CD, com belas fotos do show, inclusive dos membros da orquestra com as caras pintadas, já deixa qualquer um com água na boca para os lançamentos em video.
Com três quartos de sua formação original, o Kiss conta com o guitarrista Tommy Thayer no lugar de Ace Frehley, que abandonou o barco. Como a banda toca mascarada, não dá para notar a diferença, pois o novo guitarrista executa todos os riffs e solos com precisão impressionante e, muitas vezes, chega a soar até melhor que o original.
O primeiro ato do CD 1 tem apenas seis músicas, mas passeia por toda a carreira da banda, com músicas do primeiro registro de estúdio (Kiss, de 1974) - Deuce e Strutter -, ao último - Psycho Circus (do álbum de mesmo nome, lançado em 1998) -, passando pela fase em que o grupo tirou a máscara, como Lick it up.
A banda abre o segundo ato com a balada Beth, cantada pelo baterista Peter Criss, seguida pela bela Forever, além de Goin' Blind, Sure Know Something e Shandi. Serve para tomar um fôlego para o que vem a seguir, no CD 2, praticamente um greatest hits, com clássicos como Detroit rock city, Shout it out loud, God of thunder, Love Gun, Black diamond e, como não poderia deixar de ser, Rock and roll all nite, músicas que chegam até a ganhar mais peso com o acompanhamento da orquestra. Simplesmente magistral.
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