Matérias Mais Lidas

Raimundos: Canisso reforça que Digão surtou pois chama até João Gordo de pela sacoRaimundos
Canisso reforça que Digão surtou pois "chama até João Gordo de pela saco"

Loudwire: o pior álbum de 25 grandes bandas de rock e heavy metal, por Joe DivitaLoudwire
O pior álbum de 25 grandes bandas de rock e heavy metal, por Joe Divita

Iron Maiden: por que Paul Di'Anno adotava visual tão diferente de outros do metalIron Maiden
Por que Paul Di'Anno adotava visual tão diferente de outros do metal

Alter Bridge: a postura de Eddie Van Halen ao ir a show da banda, segundo MylesAlter Bridge
A postura de Eddie Van Halen ao ir a show da banda, segundo Myles

Nightwish: Tuomas admite que pensou em acabar com a banda após Marko Hietala sairNightwish
Tuomas admite que pensou em acabar com a banda após Marko Hietala sair

Kiss: as cirurgias às quais Paul Stanley precisou ser submetido devido às turnêsKiss
As cirurgias às quais Paul Stanley precisou ser submetido devido às turnês

Black Sabbath: Bill Ward deveria ter feito show final com eles? Tommy Clufetos respondeBlack Sabbath
Bill Ward deveria ter feito show final com eles? Tommy Clufetos responde

Motörhead: Mikkey Dee pensa em Lemmy de uma forma totalmente positivaMotörhead
Mikkey Dee pensa em Lemmy de "uma forma totalmente positiva"

Anthrax: Scott Ian diz que ficou louco de ciúmes quando ouviu Metallica a primeira vezAnthrax
Scott Ian diz que ficou "louco de ciúmes" quando ouviu Metallica a primeira vez

Black Sabbath: as músicas com as melhores atuações do lendário Bill Ward, pela KerrangBlack Sabbath
As músicas com as melhores atuações do lendário Bill Ward, pela Kerrang

Bruce Dickinson: novo filme sobre o show de 1994 durante a guerra em SarajevoBruce Dickinson
Novo filme sobre o show de 1994 durante a guerra em Sarajevo

Eduardo Costa: ele diz que se inspirou em Cazuza e Renato Russo para sertanejo políticoEduardo Costa
Ele diz que se inspirou em Cazuza e Renato Russo para sertanejo político

Cannibal Corpse: Corpsegrinder diz que ninguém bate cabeça melhor que ele no mundoCannibal Corpse
Corpsegrinder diz que ninguém "bate cabeça" melhor que ele no mundo

Alice In Chains: para Nancy Wilson era óbvio que Layne perderia a luta contra as drogasAlice In Chains
Para Nancy Wilson era óbvio que Layne perderia a luta contra as drogas

Capital Inicial: comercial com Dinho Ouro Preto na final do BBB 21 é criticado na webCapital Inicial
Comercial com Dinho Ouro Preto na final do BBB 21 é criticado na web


MOPD
Arte Musical
Stamp

Resenha - Fresh Cream - Cream

Por Denio Alves
Em 18/09/02

Naquele cinzento outono de 65 em Londres (e por acaso já houve alguma época não cinzenta na capital inglesa?), John Mayall acabava de congratular aquele jovem talentoso guitarrista que, escorado em um dos seus enormes "cubos" Marshall, alisava carinhosamente o braço de sua Gibson, como se de uma manhosa British pussycat se tratasse. Em poucas horas estava finalizada mais uma gravação dos legendários Bluesbreakers, e a primeira em que aquele franzino garoto de Ripley, elevado à condição de "deus" por inúmeros jovens fãs ingleses de blues, se arriscava nos vocais – a música era uma versão de "Rambling On My Mind", e o guitar man em questão, então com apenas 20 anos de idade, era Eric Clapton, o popular "Slowhand", desde a época em que havia causado frisson tocando com os Yardbirds no Crawdaddy Club.

Naquela mesma semana, no entanto, surgiam os boatos de que Clapton estaria ensaiando com uma rapaziada diferente no meio musical, e logo ele tornou claro a Mayall, apesar do apreço que ambos sempre tiveram um pelo outro, que a parceria de ambos nos Bluesbreakers, um dos mais bem sucedidos combos de blues britânico até hoje lembrados, estava por chegar a uma conclusão. Logo, jornalistas das principais revistas e fanzines de blues, intelectuais, dândis, existencialistas e admiradores de longa data estariam se informando em Covent Garden para ver quem conseguia saber primeiro um boato, um rumor sequer, sobre com quem estaria Clapton tocando agora, que banda era essa, e onde estariam ensaiando naquele exato momento. Meses depois, ainda no finalzinho de 1965, sai uma nova coletânea de bandas de blues inglês chamada What’s Shakin’, um dos primeiros grandes sucessos da gravadora Elektra em sua filial britânica (a Elektra é americana, e celebrizou-se com bandas clássicas do rock ianque – Love, The Doors, The Stooges etc.). Tal disco trazia, para os mais afoitos, finalmente, uma pista do que estaria por vir do "deus": três faixas de um grupo chamado The Powerhouse, do qual constavam, além de Clapton, Jack Bruce (baixista, integrante da Graham Bond Organization), Ben Palmer (pianista), Paul Jones (sim, aquele do velho Manfred Mann), e o duo Steve Winwood e Pete York (teclados e batera de outro grupo de grande sucesso, o Spencer Davis Group). Era, sem dúvida, o nascimento de uma vertente do rock que ainda daria muito o que falar: o supergrupo, a banda composta por integrantes de outras bandas célebres, às vezes instantânea, formada para durar só uma noite, ou apenas alguns discos, mas capaz de arrebatar todos os fãs daquelas bandas e outros mais, contagiados pela novidade do som. Sim, foi o que aconteceu com o Powerhouse – duraram só aquele disco, naquelas três faixas (recriações de velhos clássicos do blues americano com sabor de chá das cinco), mas foi o que bastou para que Clapton e Bruce, não satisfeitos com apenas aquilo, usassem a proposta como ponto de partida para algo que nenhum de seus fãs londrinos imaginariam. Sem saberem, haviam acabado de germinar o Cream, uma das mais inventivas e brilhantes bandas da história do rock.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A grande surpresa, para a New Musical Express e outras vedetes da mídia inglesa, veio com uma inesperada participação no Festival de Windsor. Era julho de 1966, e Windsor era uma exposição musical variada aos moldes dos grandes concertos de jazz que já começavam a se celebrizar com outra forma de música também, o rock, e que desembocariam em Monterey, Isle of Wight, e aquele que eu nem preciso citar o nome: um período de dias repletos de shows com uma seleção eclética de vários artistas, venda esgotada de ingressos para jovens drop-outs e enlouquecidos de rock e erva, e muito happening no palco e na platéia. De repente, no último dia do festival, chega aquele trio inusitado, vestido em indumentárias militares (a grande piração do Cream naqueles primeiros tempos de sua fulminante carreira), e manda ver uns blues americanos clássicos, revisitados com poder total de improviso e energia, aquecendo a platéia. Os solos de Clapton estão mais cristalinos do que nunca – ladeado por uma cozinha excelente e autônoma como nunca se vira antes na música pop, ele tem liberdade para disparar fraseados de blues cada vez mais matadores, um após o outro. Os responsáveis por tal magia não ficam atrás: o já conhecido Jack Bruce, e na batera, o exímio Ginger Baker, outro egresso da Graham Bond Organization.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Naquela histórica apresentação de estréia, apesar de mostrarem que algo novo estava surgindo, com o ineditismo de um som que mesclava entrelaçamentos jazzísticos entre os intrumentos, marteladas tribais de percussão e uma firme imposição de guitarra/baixo, quase que num duelo consistente, o Cream ainda não tinha tido a chance de apresentar material próprio (pois nem o tinham), e haviam se detido ao velho esquema de "algumas canções de blues". A partir de então, cantados pelas gravadoras, – excitadas pelo alarde que a imprensa musical fizera sobre o show de Windsor - restava ao Cream a assinatura de um belo contrato e a transposição, para o ambiente dos estúdios, de sua recém-chegada porra-louquice musical. O selo Reaction foi o felizardo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O primeiro single, "Wraping Paper", lançado quatro meses depois, no entanto, causou um susto. Não estava ali nada do impacto esperado em virtude da apresentação ao vivo do grupo – no lugar daquele blues mega amplificado e virtuoso, semi-jazzístico, estava uma simpática canção vaudeville, conduzida com leveza ao piano de Bruce e seus vocais calmos. Hoje, revista com os detalhes da era da música digital e sob um outro ângulo, é uma excelente canção, mas, naqueles tempos, o ouvinte que esperava solos acachapantes de Clapton tinha que se contentar com intermezzos escalonados de sua guitarra, só audíveis pela adição de um insistente efeito de eco que gerava uma estranha sensação nostálgica, enquanto Baker se comportava como se um velho músico de jazz fosse, timidamente marcando o ritmo. Aquele definitivamente não era o Cream do Festival de Windsor, e uma pálida sombra dele só poderia ser encontrada na tradicional "Cat’s Squirrel", faixa instrumental, no lado B do compacto. Ali, diante de um aflitivo loop de gaitas e guitarras, se sobressaía algo do Cream arrebatador de semanas antes. Mas nada da massa de som incrível imposta por pérolas como "Stepping Out" e "Hideaway", integrantes do repertório ao vivo do grupo. Como estréia em vinil, foi decepcionante. O trio ainda estava devendo uma apresentação fonográfica considerável.

Até hoje, não se sabe ao certo se pela fria recepção do compacto de estréia ou se pelas críticas de jornalistas da época que não apostavam nada no primeiro LP do grupo – ou, ainda, se simplesmente por um toque de curiosidade... mas a verdade é que o Cream se enfiou no Rayvic Studio (em Chalk Farm, Londres), e estudou com afinco técnicas de gravação, utilização de efeitos em estéreo, justaposição de sons, solos, se esmerando em exaustivas jams, e testando distanciamento de microfones, distorções, reverberação, etc. etc. e o diabo-a-quatro, e de lá saíram, nos últimos dias de novembro de 1966, com um registro sonoro de deixar bobo qualquer fã de Revolver, dos Beatles, ou de A Quick One, do The Who, os outros sucessos em LP daquele ano. Saía, afinal, Fresh Cream.

Na capa, a foto com a velha primeira imagem comercial da banda, vestidos de militares da Força Aérea Inglesa (um ano depois, seria trocada por aquela outra, mais famosa, de cabelos eriçados black power e roupas psicodélicas multi-coloridas). E na bolacha preta, uma coleção de petardos que, ainda hoje, nos maravilham e nos confundem por fundirem a mágica iridescente e colorida do som ácido da Swingin’ London com o nascente hard rock. Pela primeira vez, se ouvia um verdadeiro blues pesado. Estavam ali, nos esporros primais de "NSU", os acordes crus e agressivos do gênero; no andamento calcado em riffs de "Sweet Wine", e no solo viajante, ancorado por um massacre de baixo e bateria, a fórmula seguida, anos depois, por Black Sabbath e outros roqueiros; e, na reinterpretação para "I’m So Glad", de Skip James, o momento em que o rythim n’ blues deu luz ao rock pauleira. Para acabar de completar, Mr. Baker, que ensina a meio mundo, no disco inteiro, como se deve tocar uma bateria no rock, arrasa tudo o que pode de seu instrumento com a impagável "Toad".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Duas faixas de Fresh Cream , além de tudo, merecem menção honrosa: a primeira é o hit que os elevou à condição de new darlings do rock britânico, e os lançou para as paradas de sucesso européias em grande estilo. "I Feel Free" apresenta uma estrutura rítmica de soul e um refrão tão bem feito, com uma pegada e um corinho vocal tão contagiantes, que permanecerá, sempre, como um dos mais ilustrativos exemplos do bom rock inglês da década de sessenta – além de tudo, há aquele solo hipnótico de Clapton que conquista o ouvinte de cara e fez muita gente furar o disco de tanto repeti-lo. E a segunda é "Spoonful", um blues monumental de Willie Dixon que, se já era mortal na voz gutural do autor, com o peso do Cream (leia-se: Ginger Baker), os vocais, baixo e gaitas brilhantes de Jack Bruce, mais a viagem guitarreira de Clapton, se transforma num monstro blues de quase sete minutos!

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

E ali então, para ninguém reclamar, estava enfim o som ao vivo do Cream, o primeiro supergrupo a durar, o primeiro power trio, os primeiros a fazer um hard rock de qualidade, os primeiros a... bem, e o melhor de tudo, excelentemente gravado em estúdio.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

💬 Ler e postar comentários


Korzus
Edu Falaschi - Vera Cruz
Pentral
publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp


Lista: 20 grandes bandas de rock e heavy metal que surgiram em LondresLista
20 grandes bandas de rock e heavy metal que surgiram em Londres

Apocalyptica: versão para música do Cream com participação de vocal do Papa Roach


1968: 35 discos de rock lançados há meio século1968
35 discos de rock lançados há meio século

Proto-Metal: 10 das canções mais pesadas feitas nos anos sessentaProto-Metal
10 das canções mais pesadas feitas nos anos sessenta

Judas Priest: Os 10 discos que mudaram a vida de Rob HalfordJudas Priest
Os 10 discos que mudaram a vida de Rob Halford


Slipknot: como são os membros da banda sem as máscaras?Slipknot
Como são os membros da banda sem as máscaras?

Steven Tyler: primeira vez aos 7 anos, com duas gêmeasSteven Tyler
Primeira vez aos 7 anos, com duas gêmeas


Sobre Denio Alves

Denio Alves, natural de Valença-RJ, é crítico, escritor, ensaísta, diletante de poesia, ouvinte e praticante, nas horas vagas, de rock e todas as demais formas de música popular ou de vanguarda que do gênero advenham. Além de técnico em computação, professor de inglês e estudante de Direito, é também pesquisador cultural e artístico das demais mídias de expressão e comunicação, já havendo atuado como colaborador de diversos fanzines na década de 90 do século passado e fundador do célebre veículo alternativo Eram os Deuses Zineastas?. Participou ativamente, em Ituiutaba-MG, onde reside, do processo de formação e criação das bandas de garagem Bloody Garden e Essence, ao lado de Edgar Franco, Gazy Andraus e demais personalidades do underground do Triângulo Mineiro, como guitarrista, vocalista e compositor. Atualmente, participa da concepção de um novo projeto de expressão do RPB - Rock Popular Brasileiro, o Mondo Cane, além de colaborar periodicamente com artigos no site WHIPLASH.

Mais matérias de Denio Alves no Whiplash.Net.