Por que o Pink Floyd recusou proposta de US$ 250 milhões por reunião?
Por João Renato Alves
Postado em 12 de janeiro de 2026
Em 2005, o Pink Floyd se tornou o grande nome do Live 8, evento beneficente organizado por Bob Geldof. Foi a primeira vez em mais de duas décadas que Roger Waters se reuniu com os antigos colegas em um palco. Também acabou se tornando a última vez que a banda subiu em um palco. O tecladista Richard Wright faleceu três anos depois e as relações nunca deixaram de ser estremecidas.
Os membros da banda contaram à revista Word, em outubro de 2005, como se deu o processo de convencimento. Especialmente de David Gilmour, relutante quanto à proposta. O baixista e vocalista, afastado da própria criação, explicou o seu lado, conforme resgate da Classic Rock.

"Recebi um e-mail de Nick Mason dizendo que Bob Geldof estava falando ao telefone com ele, insistindo que reunisse o Pink Floyd para tocar no Live 8. Aparentemente, Bob já havia abordado Dave Gilmour e recebido uma resposta negativa. Bob queria que Nick tentasse persuadir Dave. Nick topou, mas não achava que tinha muita chance de influenciar Dave. Será que eu deveria me intrometer? Pareceu-me uma boa causa, então peguei o número de Bob com Nick e liguei para ele."
David – que não admite ser chamado de Dave, o que talvez leve Waters a usar o diminutivo do nome só para provocar – confessou a situação inesperada ao receber a ligação do eterno desafeto. "Meu celular tocou 'Olá, aqui é o Roger, tudo bem?' Foi... surpreendente."
Ninguém chorou as mágoas nem houve uma troca de acusações, como Roger deixou claro à reportagem. "Foi uma conversa cordial. 24 horas mais tarde, meu telefone toca. Era Dave, dizendo: 'Ok, vamos fazer isso'."
Coube a Gilmour se manifestar após a divulgação oficial do Live 8. "Como a maioria das pessoas, quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para persuadir os líderes do G8 a assumirem grandes compromissos com o alívio da pobreza e o aumento da ajuda ao terceiro mundo. Quaisquer desavenças que Roger e a banda tenham tido no passado são insignificantes neste contexto, e se a reunião para este concerto ajudar a chamar a atenção, então certamente valerá a pena."
O evento nem tinha acontecido e a ideia de levar o reencontro além surgiu na mente de vários empresários, como Roger recorda. "Saí para jantar com um amigo e chegou uma oferta – literalmente em cima da mesa – para nós quatro, do Pink Floyd, fazermos uma turnê novamente. Uma oferta de 250 milhões de dólares. Garantido."
No entanto, todos os envolvidos sabiam que isso não aconteceria, como o baixista e vocalista deixou claro desde o começo. "O show no Live 8 foi incrível, deixamos todas as besteiras de lado. Mas sinto que teria sido prejudicial, irreal e desonesto seguir adiante. Como um grupo de pessoas que não se suportam trabalhando juntas pode se autodenominar um grupo?"
Richard Wright concordou à época. "Devido a todas as discussões e problemas que Roger teve comigo e com David, foi maravilhoso que finalmente tenhamos conseguido subir ao palco e fazer isso juntos. Mas aprendemos algo. Seria muito difícil para nós quatro fazermos uma turnê mundial, simplesmente porque nossas ideias musicais são muito diferentes."
Gilmour foi curto e enfático, traçando um paralelo que não precisa de muitas explicações para ser compreendido. "O show no Live 8 foi ótimo, mas foi um ponto final. Foi como dormir com a ex-esposa. Não há futuro para o Pink Floyd."
Em 2011, já sem a presença do tecladista, David Gilmour e Nick Mason participaram de um show de Roger Waters em Londres, durante a turnê "The Wall Live" – de longe, a excursão mais bem-sucedida do músico e de qualquer projeto envolvendo o nome Pink Floyd. Logo a seguir, o guitarrista e o baixista voltariam a brigar, o que se mantém até os dias atuais – exceto por uma trégua pró-Palestina que pode ser conferida no link abaixo.
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