O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
Por Bruce William
Postado em 12 de janeiro de 2026
Quando Mick Taylor saiu dos Rolling Stones, no fim de 1974, a banda caiu naquele dilema que parece simples no papel e vira dor de cabeça na vida real: achar alguém bom o bastante, mas que não "mude" o jeito do grupo tocar. E, no caso dos Stones, o básico sempre foi meio sagrado - guitarra, amplificador, e a mão do cara fazendo o resto.
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Bill Wyman contou para a Classic Rock que eles chegaram a testar uma turma de peso nessa fase. Segundo ele, Jeff Beck foi um dos que passaram por ali, assim como Rory Gallagher, Wayne Perkins e mais gente que foi "aparecendo e tocando por uma ou duas noites", como se fosse uma espécie de rodada de avaliação informal.
Só que, em meio a esse desfile de nomes, teve um caso específico que virou exemplo do que não encaixava na banda. Wyman disse que um dos candidatos - Harvey Mandel, do Canned Heat - estava com "efeitos demais, ecos e pedais", e aí o clima começou a azedar, porque a proposta dos Stones não era virar vitrine de equipamento.
Foi nesse ponto que Keith Richards, do jeito Keith Richards de ser, teria encerrado a conversa com uma frase bem direta. Wyman lembra Richards mandando um "Dane-se isso tudo, só toque a porra da guitarra!" e completando a ideia com outra definição que resume o "manual" da banda: "A gente não era uma banda de firula".
A ironia é que não faltava talento naquele grupo todo que apareceu. O problema era outro: para tocar nos Stones, às vezes tocar "muito" pode ser exatamente o defeito. Não por falta de técnica, mas porque a banda sempre funcionou melhor quando a guitarra parece falar o necessário e sair de cena sem pedir aplauso.
No fim, quem acabou entrando na vaga foi Ronnie Wood, que ainda estava no Faces quando começou a se aproximar do grupo. Ele participou das sessões de "Black and Blue" (lançado em 1976) e segurou a função nas turnês de 1975, até virar parte fixa do time.
E aí a coisa assentou: Wood não chegou para "mostrar" nada, e sim para somar dentro do que os Stones já eram. O resultado prático é conhecido - ele segue com a banda há mais de cinco décadas, exatamente do jeito que Richards queria: sem truque, sem malabarismo, só tocando.
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