Resenha - Suspiria - Darkwell
Por Leandro Testa
Postado em 13 de fevereiro de 2003
Nota: 8 ![]()
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Quer fazer uma viagem até a Áustria no melhor estilo gótico? Em caso afirmativo, basta rumar até a sua loja de confiança e pedir por Suspiria, a fina estréia deste emergente grupo formado no fim do século passado, mais precisamente no ano de 1999. De fato, é uma empreitada relativamente nova, assim como são jovens alguns de seus integrantes, contudo, sempre muito bem escorados por Roland Wurzer (o chefe, baixista) e Moritz Neuner (bateria), na época nomes conhecidos na cena underground do seu país, devido ao trabalho realizado em diversos conjuntos de lá, incluindo também o italiano Evenfall com quem fizeram uma extensa turnê ao lado do Dimmu Borgir e do Dark Funeral.

Mas eles queriam colocar as suas idéias em prática e tanto pela diferente musicalidade, como por se tratarem de profissionais contratados, isso se tornava um tanto inviável. Para isso, precisavam ter a sua própria banda, tendo então optado por uma vocalista feminina, a qual foi encontrada, por indicação de um amigo, na figura de Alexandra Pittracher, dona de uma voz suave, que quase lembra uma japonesa cantando, de origem clássica, prontamente aprovada para o cargo.
Como já dei a dica acima, o som do Darkwell passa longe de todo o black metal praticado nos outros empregos da dupla, e investe numa proposta que transborda melancolia (gothic em seu estado puro), dosando todas as medidas para que nenhum dos instrumentos aparecesse mais que o outro, primando pelo bom gosto de ponta a ponta nesta primeira investida. Quer dizer, excetuando-se aí o refrão de "The Salvation" que, longe de ser ruim, apenas não se encaixa perfeitamente ao meu gosto, e da repetição instrumental que permeia o estribilho de "The Rejuvination", é tudo de se encher os ouvidos, ou seja, um álbum altamente recomendável.
Antes que os leitores associem erroneamente uma coisa à outra, vale alertar que aqui as vocalizações masculinas são limpas e pra lá de sorumbáticas, não havendo, portanto, espaço para os típicos urros de um After Forever ou de um Tristania, para citar exemplos mais recentes. Também, ‘pelamordedeus’, não tem nada a ver com o Nightwish, exceto se desenterrássemos a magnífica "The Carpenter" destes finlandeses. Aliás, o Darkwell distancia-se bastante de tais vertentes, ainda mais se levantados os pontos do peso e da velocidade, que aqui se apresentam extremamente mais discretos, devido ao poderio quase tosco e canções que beiram o ‘mid-tempo’, variando para mais e para menos, até mesmo dentro de si próprias.
Assim, basta embarcar em temas como "Ladie’s Choice", que entra com um sintetizador bem sinistro e partes sussurradas; ou a lindíssima "Path to Salvation" com diálogos e ênfase nos teclados/piano, servindo de introdução para a trilogia "Two Souls Creature", que tem em sua parte inicial um direcionamento maior às guitarras; ou ainda, "Realm of Darkness", realmente pegajosa, escolhida como estandarte para o trabalho de divulgação, não podendo de modo algum me esquecer da faixa-título e seus dois bumbos em evidência, dona de uma linha harmoniosa inexplicavelmente bela... Ou seja, a qualidade se mantém CD afora e assim por diante... tudo muito climático, nada tão diversificado, mas de satisfação certamente garantida. A propósito: há tempos a Hellion vem matando a pau...
Duração – 46:50 (10 faixas)
Website oficial: www.darkwell.org
Lançado originalmente em 18.setembro.2000
No Brasil, foi disponibilizado recentemente, quase que em simultâneo ao EP Conflict of Interest.
Material cedido por:
Hellion Records – www.hellionrecords.com
Rua 24 de Maio, 62 – Lojas 280 / 282 / 308 – Centro
CEP: 01041-900 São Paulo – SP – Brasil
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