Resenha - Songs for the Deaf - Queens Of The Stone Age
Por Bruno Romani
Postado em 23 de setembro de 2002
Nota: 9 ![]()
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Ainda choras por Kurt Cobain? Não conseguiu assimilar a dissolução do Soundgarden? Tenta entender os álbuns do Pearl Jam desde o "Vs"? Realmente o grunge está morto há um bom tempo, mas eis que agora o Queens Of The Stone Age, através de seu terceiro disco "Songs for the Deaf", surge como alento para os usuários das famosas camisas de flanela.
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O grupo Californiano (nem tudo é perfeito, Seattle ficou para trás), que não é novato na área, vinha sendo apontado há um bom tempo como um filho bastardo do grunge, mas parecia faltar a fagulha final para que eles explodissem e viessem a ocupar um lugar no primeiro escalão do rock. Com "Songs for the Deaf" finalmente a banda parece ter chegado lá.
Engana-se porém aquele que pensa que o disco soa ultrapassado e cheira a nafatlina. Ao contrário, a sonoridade do álbum é bem "fresh", moderna e renovada. Levadas como "No One Knows" e "God is in the Radio" parecem estar um patamar acima no estágio evolucional grunge. O cuidado com a produção, a cargo de Eric Valentine, Adam Kasper e do próprio Josh Homme, é impecável. Cada nota aparenta ter sido extraída com máximo de cuidado possível, ao mesmo tempo em que a espontaneidade da banda não foi censurada.
A dose de equilíbrio de "Songs" é algo também a se destacar. Os momentos sombrios do álbum, liderado pela canção "Song for the Deaf", convivem harmoniosamente com as escapadas mais experiementais ou pop, fazendo com que as sombras do álbum não sejam tão escuras assim, mas também fazendo com que o experimentalismo, ou a "popice", não sejam acéfalas. Tudo têm um propósito, começo, meio e fim, e nada surge, ou surgiu, de graça nessa obra, nos levando a cair, de novo, no tema meticulosidade, produção…
O disco é uma obra sólida, por isso não apresenta melhores momentos. Todos os momentos são melhores, mas para quem o tem pela primeira vez em mãos, vale ouvir "No One Knows", "First it Giveth", "The Sky is Fallin’", God is in the Radio" e "Another Love Song". Apesar de serem bônus, as presenças de Dave Grohl, aquele, na bateria e de Mark Lanegan, ex-Screeming Trees, participando como compositor e vocalista também valem a audição. Grohl relembra seus momentos aúreos de Nirvana em canções como "No One Knows" e "Song for the Dead", e Lanegan tem uma ótima participação em "Hangin’ Tree", entre outras.
Dave Grohl certa vez disse que esse era o melhor álbum em que tocava desde o clássico "Nevermind" do Nirvana. Apesar de polêmica, a frase apresenta uma certa veracidade. O QOTSA agora faz parte do primeiro escalão do rock mundial, e as viúvas de Kurt Cobain, Laney Staley e do Soundgarden podem finalmente dar paz para seus ídolos. Bom para o rock e bom para os fãs. Realmente somente sendo "Deaf" (surdo) para não ouvir e apreciar o novo petardo dos Californianos.
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