Resenha - William Shakespeare's Hamlet - Vários
Por André Toral
Postado em 30 de novembro de 2001
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Após dois anos de esforços para sua concretização, temos a maior celebração às bandas nacionais de heavy metal. Inúmeras coletâneas foram gravadas ao longo do tempo com o intuito de divulgarem o poderio nacional, mas nenhuma com uma idéia tão brilhante como William Shakespeare’s Hamlet, que, sem dúvidas, é o melhor trabalho de apresentação do metal tupiniquim ao mundo.

O trabalho para arquitetar o álbum foi fascinante, contando-se com 27 poemas de Shakespeare; 14 foram musicados. O responsável por isso foi Adriano Villa, um jovem poeta. Além disso, teve-se todo um trabalho de tradução dos poemas para o inglês de época feita por Alexandre Callari, que também é baterista do Delpht e foi o produtor. Quanto a escolha das bandas, foi perfeita; todas elas já tem seus trabalhos lançados no mercado. Isso sem contar que, notadamente, as letras foram divididas por estilo das bandas, para que houvesse uma conexão perfeita. Quanto a mixagem e masterização, foram feitas pelo conceituado Sascha Paeth, alemão, (guitarristas do Heavens Gate), sendo que toda a coordenação das gravações foi assumida por Philip Colodetti. Tudo isso só poderia resultar em tremendos petardos, e o resultado o leitor pode conferir por partes.
- Delpht: executa "From Hades to Earth", sendo uma excelente abertura com peso característico, melodia e instrumental afinadíssimo. Ronaldo Simola (vocalista) vai do agressivo ao melódico e pode-se dizer que esta composição tem toques de Elegy bem claros.
- Santarem: em "Sweet Flavour of Justification" mostra-se a quem conhece seu primeiro álbum que, aqui, manteve-se intacto o estilo único e original, em uma canção bem arranjada, melodiosa e com altas influências do rock progressivo e psicodélico, incluindo o tradicional hard rock que vem consagrando esta excelente banda.
- Hammer of the Gods: ao ouvirmos "Visions of the Beyond" percebemos um som mais moderno e que se assemelha bastante ao cenário americano atual, mas que não foge dos propósitos do projeto.
- Krusader: temos em "The King’s Return" um ótimo power metal, tocado com raça, incluindo passagens clássicas e coros.
- Nervochaos: eis um momento grandioso de Hamlet, justamente com "The Truth Appears", onde sentimos um thrash com toques death metal e vocal gutural; o clima é de devastação, e se encaixa com a letra designada para trabalho.
- Vers’Over: apostando, sempre, no heavy melódico com traços fortes e inconfundíveis de progressivo e instrumental variado, "A Letter to Ophelia" traz coros clássicos peso e melodia. Nota-se que a banda explorou um lado mais, digamos, direto e reto nesta música, mas sem fugir de sua natureza existente em seu primeiro álbum, ou seja, "Love, Hate & Everything Between".
- Sagga: apostando num heavy metal melódico com efeitos de vozes em "Dagger of Words", ouvimos garra sonora, teclados magistrais e um vocalista de primeira qualidade.
- Imago Mortis: com "Prayers in the Wind", os cariocas destilam seu som sombrio e obscuro, inserindo uma dose de loucura e desespero em uma canção mais que propícia e adequada à letra. Destaque absoluto para o instrumental e arranjos, sendo que Alex Voorhes (vocalista) atua de forma esplêndida, do gutural ao melódico. Por falar nisso, o público amante do metal dramático está ansioso por um novo álbum da banda, até porque o sucesso de "Images From the Shady Gallery", o primeiro álbum, foi fato consumado.
- Symbols: "Stormy Nights" mostra um heavy com classe, riffs inspirados e o vocal mágico de Edu Falaschy (atual Angra); realmente é uma pena que a banda tenha terminado.
- Hangar: embalado pelo recente lançamento de "Inside Your Soul", seu novo álbum, a banda apresenta "Hidden by Shadows", deixando de lado determinada complexidade, mas mantendo-se fiel às variações de ritmo, rapidez e bateria versátil, em um momento grandioso de Hamlet.
- Torture Squad: "Mandate for Freedom" é um metal mais sólido, tocado com instrumental afinado e soando thrash/death . Vale dizer que temos mudanças de andamento incríveis. Verdadeiramente um sucesso!
- Fates Prophecy: para os saudosos fãs do heavy tradicional, temos "Trap", não fugindo das características de "Into the Mind", primeiro álbum que consagrou a banda no Brasil. Aliás, é outro ponto forte de Hamlet, que conta com um vocalista novato (Sérgio Faga) que veio a substituir André Boragina na gravação, com classe e perfeição, o que nos faz torcer para que a banda lance logo o seu novo material. Por falar nisso, André, durante os trabalhos para este projeto, encontrava-se debilitado e veio a falecer devido a complicações de câncer. O Whiplash! e o público metal sentem muito pelo acontecido, certo de que perdemos um grande amigo e ardoroso músico do heavy metal. Que o André esteja em paz e com Deus, levando sua inspiração metálica aonde estiver.
- Eterna: detonando "Good by my Dear Ophelia", a banda não foge de suas raízes e põe peso, melodia e classe no instrumental refinado, em um som extremamente empolgante. Os vocais estão espetaculares e a divisão feita por Danilo Lopes e Leandro Coçoilo é maravilhosa.
- Tuatha de Dannan: com suas influências celtas, em "The Last Words", a banda usa e abusa de passagens medievais de forma esplêndida. Realmente notável a tamanha musicalidade.
- Vários: "To Be..." é uma composição operística feita com todos os vocalistas de Hamlet, além de André Matos (ex- Angra), idealizada e concretizada pelo maestro José Luís Ribalta, soando de forma estupenda!
Como pôde-se reparar, William Shakespeare’s Hamlet é algo grandioso e indispensável para os amantes do metal nacional. Sem sobra de dúvidas temos as melhores bandas brasileiras, que uniram-se para produzir algo sensacional. Realmente temos a agradecer a seus idealizadores pelo bem prestado, mas não nos esquecendo de que seria ótimo poder contar com mais trabalhos deste nível. A qualidade também é fenomenal, onde as bandas contaram com um trabalho ultra- profissional, o que deu ares internacionais ao Hamlet. Desta forma, parabéns a todos os que se envolveram em torno do projeto, certo de que também puseram no mercado um material altamente cultural.
Para acessar o site oficial: www.diehard.com.br
Outras resenhas de William Shakespeare's Hamlet - Vários
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
Os dois membros do Sepultura que estarão presentes no novo álbum de Bruce Dickinson
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
O bastidor bizarro envolvendo músico do Brasil e P!nk: "Eu estava de cueca e o Slash entrou"
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
O que vai acontecer com o Angra? Quando seria bom voltar do hiato? Marcelo Barbosa opina
O músico que detestou abrir shows do Guns N' Roses no início dos anos 1990
As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
Grammy omite Brent Hinds (Mastodon) da homenagem aos falecidos
O melhor disco de thrash metal de cada ano da década de 90, segundo o Loudwire
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
Marcelo Barbosa rebate crítica sobre Angra: Alguém pagou pelo hiato?
O hit dos próprios Beatles que inspirou o clássico absoluto "All You Need Is Love"
Mas afinal... o que é rock progressivo?
A música triste do Iron Maiden que tem o mesmo título de música do Marillion


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



