Resenha - William Shakespeare's Hamlet - Vários

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Por André Toral
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Após dois anos de esforços para sua concretização, temos a maior celebração às bandas nacionais de heavy metal. Inúmeras coletâneas foram gravadas ao longo do tempo com o intuito de divulgarem o poderio nacional, mas nenhuma com uma idéia tão brilhante como William Shakespeare’s Hamlet, que, sem dúvidas, é o melhor trabalho de apresentação do metal tupiniquim ao mundo.

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O trabalho para arquitetar o álbum foi fascinante, contando-se com 27 poemas de Shakespeare; 14 foram musicados. O responsável por isso foi Adriano Villa, um jovem poeta. Além disso, teve-se todo um trabalho de tradução dos poemas para o inglês de época feita por Alexandre Callari, que também é baterista do Delpht e foi o produtor. Quanto a escolha das bandas, foi perfeita; todas elas já tem seus trabalhos lançados no mercado. Isso sem contar que, notadamente, as letras foram divididas por estilo das bandas, para que houvesse uma conexão perfeita. Quanto a mixagem e masterização, foram feitas pelo conceituado Sascha Paeth, alemão, (guitarristas do Heavens Gate), sendo que toda a coordenação das gravações foi assumida por Philip Colodetti. Tudo isso só poderia resultar em tremendos petardos, e o resultado o leitor pode conferir por partes.

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- Delpht: executa "From Hades to Earth", sendo uma excelente abertura com peso característico, melodia e instrumental afinadíssimo. Ronaldo Simola (vocalista) vai do agressivo ao melódico e pode-se dizer que esta composição tem toques de Elegy bem claros.

- Santarem: em "Sweet Flavour of Justification" mostra-se a quem conhece seu primeiro álbum que, aqui, manteve-se intacto o estilo único e original, em uma canção bem arranjada, melodiosa e com altas influências do rock progressivo e psicodélico, incluindo o tradicional hard rock que vem consagrando esta excelente banda.

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- Hammer of the Gods: ao ouvirmos "Visions of the Beyond" percebemos um som mais moderno e que se assemelha bastante ao cenário americano atual, mas que não foge dos propósitos do projeto.

- Krusader: temos em "The King’s Return" um ótimo power metal, tocado com raça, incluindo passagens clássicas e coros.

- Nervochaos: eis um momento grandioso de Hamlet, justamente com "The Truth Appears", onde sentimos um thrash com toques death metal e vocal gutural; o clima é de devastação, e se encaixa com a letra designada para trabalho.

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- Vers’Over: apostando, sempre, no heavy melódico com traços fortes e inconfundíveis de progressivo e instrumental variado, "A Letter to Ophelia" traz coros clássicos peso e melodia. Nota-se que a banda explorou um lado mais, digamos, direto e reto nesta música, mas sem fugir de sua natureza existente em seu primeiro álbum, ou seja, "Love, Hate & Everything Between".

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- Sagga: apostando num heavy metal melódico com efeitos de vozes em "Dagger of Words", ouvimos garra sonora, teclados magistrais e um vocalista de primeira qualidade.

- Imago Mortis: com "Prayers in the Wind", os cariocas destilam seu som sombrio e obscuro, inserindo uma dose de loucura e desespero em uma canção mais que propícia e adequada à letra. Destaque absoluto para o instrumental e arranjos, sendo que Alex Voorhes (vocalista) atua de forma esplêndida, do gutural ao melódico. Por falar nisso, o público amante do metal dramático está ansioso por um novo álbum da banda, até porque o sucesso de "Images From the Shady Gallery", o primeiro álbum, foi fato consumado.

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- Symbols: "Stormy Nights" mostra um heavy com classe, riffs inspirados e o vocal mágico de Edu Falaschy (atual Angra); realmente é uma pena que a banda tenha terminado.

- Hangar: embalado pelo recente lançamento de "Inside Your Soul", seu novo álbum, a banda apresenta "Hidden by Shadows", deixando de lado determinada complexidade, mas mantendo-se fiel às variações de ritmo, rapidez e bateria versátil, em um momento grandioso de Hamlet.

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- Torture Squad: "Mandate for Freedom" é um metal mais sólido, tocado com instrumental afinado e soando thrash/death . Vale dizer que temos mudanças de andamento incríveis. Verdadeiramente um sucesso!

- Fates Prophecy: para os saudosos fãs do heavy tradicional, temos "Trap", não fugindo das características de "Into the Mind", primeiro álbum que consagrou a banda no Brasil. Aliás, é outro ponto forte de Hamlet, que conta com um vocalista novato (Sérgio Faga) que veio a substituir André Boragina na gravação, com classe e perfeição, o que nos faz torcer para que a banda lance logo o seu novo material. Por falar nisso, André, durante os trabalhos para este projeto, encontrava-se debilitado e veio a falecer devido a complicações de câncer. O Whiplash! e o público metal sentem muito pelo acontecido, certo de que perdemos um grande amigo e ardoroso músico do heavy metal. Que o André esteja em paz e com Deus, levando sua inspiração metálica aonde estiver.

- Eterna: detonando "Good by my Dear Ophelia", a banda não foge de suas raízes e põe peso, melodia e classe no instrumental refinado, em um som extremamente empolgante. Os vocais estão espetaculares e a divisão feita por Danilo Lopes e Leandro Coçoilo é maravilhosa.

- Tuatha de Dannan: com suas influências celtas, em "The Last Words", a banda usa e abusa de passagens medievais de forma esplêndida. Realmente notável a tamanha musicalidade.

- Vários: "To Be..." é uma composição operística feita com todos os vocalistas de Hamlet, além de André Matos (ex- Angra), idealizada e concretizada pelo maestro José Luís Ribalta, soando de forma estupenda!

Como pôde-se reparar, William Shakespeare’s Hamlet é algo grandioso e indispensável para os amantes do metal nacional. Sem sobra de dúvidas temos as melhores bandas brasileiras, que uniram-se para produzir algo sensacional. Realmente temos a agradecer a seus idealizadores pelo bem prestado, mas não nos esquecendo de que seria ótimo poder contar com mais trabalhos deste nível. A qualidade também é fenomenal, onde as bandas contaram com um trabalho ultra- profissional, o que deu ares internacionais ao Hamlet. Desta forma, parabéns a todos os que se envolveram em torno do projeto, certo de que também puseram no mercado um material altamente cultural.

Para acessar o site oficial: www.diehard.com.br

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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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