Resenha - 12: 5 - Pain Of Salvation
Por Daniel Dutra
Postado em 21 de agosto de 2004
O rock não morreu, muito menos é incapaz de apresentar novidades. Para azar ainda maior dos "mudernos" de plantão, o heavy metal é responsável pelo surgimento de bandas que, de uma maneira ou de outra, fazem diferença. Depois de quatro excelentes discos de estúdio, o Pain of Salvation apostou no formato acústico para o seu primeiro trabalho ao vivo e provou mais uma vez que é um dos grupos mais relevantes e criativos do rock pesado contemporâneo. Só isso já seria motivo suficiente para você comprar 12:5, mas o disco é mesmo primoroso.
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Gravado em Eskilstuna, na Suécia, o CD é dividido em três partes - "Book I: Genesis", "Book II: Genesister" e "Book III: Genesinister" - e conta com músicas de todos os álbuns e novas composições: Brickwork Descend e Brickwork Ascend, cada uma dividida em duas partes. 12:5 abre com Leaving Entropia, que conta com os vocais sensacionais (e meio atormentados) de Daniel Gildenlöw e ficou ainda melhor que a versão original. O clima calmo é mantido com as curtas This Heart of Mine e Song for the Innocent - belíssimas e com um quê de Marillion - e Brickwork Descend 1.
O show particular de Daniel continua na volta a Leaving Entropia e com Winning a War, numa ótima interpretação do guitarrista, vocalista e principal compositor do grupo sueco. Winning a War, aliás, ganhou uma melodia árabe na introdução, uma resposta aos que o criticaram por seu discurso contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush - não é necessário explicar as razões, certo? Reconciliation tem um belo tema de piano e, preciso fazer o registro, uma breve menção ao tema de Darth Vader em "Guerra nas Estrelas". Bom gosto a todo momento...

O piano é novamente destaque na maravilhosa Dryad of the Woods, uma das músicas mais bonitas do Pain of Salvation, e na linda Undertown, esta pop e sombria ao mesmo tempo. Junto às ótimas Oblivion Ocean e Chainsling, esta com grandes backings e hamornias vocais, provam que a genialidade de Daniel como compositor tem o respaldo mais do que eficiente do restante da banda. O acústico acaba privilegiando os teclados de Fredrik Hermansson, mas Johan Langell (bateria), Kristoffer Gildenlöw (baixo) e Johan Hallgren (guitarra) há tempos já deram amostras suficientes de talento.
As partes 1 e 2 de Brickwork Ascend abrem o "livro três" de maneira fenomenal, com um instrumental preciso destacando os violões na primeira e os teclados na segunda. Bonita e mais pop, conseqüentemente acessível, Second Love abre caminho para a excelente Ashes, com uma veia rock'n'roll bem Elvis Presley - não, você não leu errado - e outra na praia do soul. Brickwork Descend 2 fecha a apresentação num clima de jam espontâneo, com solos sensacionais de piano e violão sem descambar para o virtuosismo gratuito. Está esperando o que para comprar 12:5?
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