Resenha - Punk Goes Metal - Vários Artistas

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Thiago Sarkis
Enviar correções  |  Ver Acessos


Quando recebi essa coletânea, tive a certeza de que ela iria me proporcionar momentos hilariantes. E realmente isso aconteceu. Porém, não pelos motivos iniciais que imaginei, como músicos de baixa qualidade tentando fazer coisas fora de seu alcance e soando ridículos. Minhas risadas apareceram por criações e variações insanas que as bandas aqui presentes inseriram em vários clássicos do hard rock/metal.

Dave Mustaine: "Kiko é o primeiro que me intimida desde Friedman"Fotos de Infância: Amy Lee, do Evanescence, muito antes da fama

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Temos três diferentes situações nesse disco. Algumas bandas optaram por acelerar as músicas e deixar todas as características do estilo punk marcadas em suas versões. É o caso de Divit, com "Breakin' The Law" (Judas Priest), Jughead's Revenge em "Talk Dirty To Me" (Poison), A New Found Glory com "Heaven" (Warrant), The Ataris tocando "I Remember You" (Skid Row), Ten Foot Pole interpretando "Love Song" (Tesla) e Swindle em sua horrorosa versão de "Youth Gone Wild" (Skid Row). Aliás, esta última é a única faixa descartável da coletânea. Não vale a pena nem perder tempo ouvindo.

Alguns grupos preferiram ser mais fiéis às versões originais e todos eles se saíram muito bem. Inclusive com os instrumentistas dando conta do recado. Boas empreitadas de AFI com "My Michelle" (Guns N' Roses), Strung Out com "Bark At The Moon" (Ozzy Osbourne), Guttermouth levando "Sexual Abuse" (St. Madness), Dynamite Boy mandando "TNT" (AC/DC), Diesel Boy com "Looks That Kill" (Mötley Crüe) e The Aquabats em "Why Rock?" (Leather Pirate). Destaque para os competentes músicos do Turnedown e do Death By Stereo, que gravaram covers perfeitos, sem tirar nem pôr, de "I Don't Know" (Ozzy Osbourne) e "Little Fighter" (White Lion), respectivamente.

Para completar, temos os conjuntos que poderíamos colocar na categoria "manicômio punk goes metal". Cada um mais louco que o outro, em casos de severas lesões mentais, que levariam qualquer psicólogo/psiquiatra a indicar a internação. Começando pelos casos mais leves. O Bigwig até que não pirou tanto. Levou "War Ensemble" (Slayer) numa boa, até metade da música, onde decidiu, sabe lá por quê, inserir uma parte totalmente blues, com solo de guitarra sem distorção e bastante suingue. O pessoal do Link 80 também não enlouqueceu muito; sua interpretação de "Harvester Of Sorrow" (Metallica) é bem fiel à versão original, exceto pelo instrumento de sopro inserido, que faz umas linhas diferentes, principalmente durante o solo de guitarra. Já os membros do Rx Bandits são casos gravíssimos a serem estudados; pessoas que conseguem enxergar e introduzir reggae em "Holy Wars" (Megadeth) não podem estar muito bem da cabeça. É um choque dos mais divertidos quando começam a aparecer as raízes jamaicanas no meio da música. Depois fica ainda mais hilário, com o vocalista incorporando Bob Marley e mandando aqueles "yeah yeah" típicos. No final, o cara volta ao metal e manda uns berros de dar inveja a muito vocalista do estilo. Coisa de louco.

Brincadeiras a parte, todos os grupos, com exceção do Swindle, fizeram excelentes trabalhos, dando uma aula de originalidade e criatividade. Idéias inteligentes e diferentes, como essa de colocar grupos punks tocando metal, são uma boa pedida para sair da mesmice dos tributos que andam sendo lançados por aí.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs

Dave Mustaine: Kiko é o primeiro que me intimida desde FriedmanDave Mustaine
"Kiko é o primeiro que me intimida desde Friedman"

Fotos de Infância: Amy Lee, do Evanescence, muito antes da famaFotos de Infância
Amy Lee, do Evanescence, muito antes da fama


Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

Mais matérias de Thiago Sarkis no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336