Neil Peart: um pouco de sua história

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Por Ivan da Luz, Fonte: Fanpage Memórias do Rock
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Embora o primeiro álbum do Rush tenha sido lançado em 1973, a banda foi formada pelo menos cinco anos antes. Jeff Jones era o baixista e vocalista. John Rutsey era o baterista. Alex Lifeson o guitarrista. Você não leu errado! Alex é o único membro original da banda canadense. Mais tarde, Geddy Lee entra no lugar de Jones que resolvve entrar na banda gospel Ocean, lançando um single de sucesso no Canadá e, nas décadas seguintes se envolveu em muitos projetos de bandas naquele país. Já Rutsey gravou o primneiro álbum do Rush, e devido a complicações por conta de uma diabetes piorada por causa de seus hábitos alcoólicos, o baterista se viu obrigado a sair da banda, mais tarde se tornando fisiculturista e trabalhando no mercado desse segmento.

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Inicialmente inspirado por Keith Moon e John Bonham, Neil Peart tinha 22 anos quando entrou no Rush em 1974 e, desde então, trilhou um caminho que o consolidou, com méritos, como um dos maiores bateristas da música mundial, não só do Rock. Embora não seja membro original da banda, jamais foi coadjuvante, não só por criar solos e linhas de bateria que tornaram-se uma das marcas registradas dos discos e shows do Rush, com sua aparelhagem enorme, como se fosse uma espécie de gaiola, proporcionando uma enorme gama de sonoridades. Mas também por ser o letrista da maioria das músicas da banda, devido seus interesses por filosofia, ficção científica e política.

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Com o passar do tempo, Neil começou a se inspirar em músicos de jazz e big bands, como Gene Krupa e Buddy Rich . Em 1994, Peart tornou-se amigo e aluno do instrutor de jazz Freddie Gruber . Foi nesse período que Peart decidiu renovar seu estilo de tocar, incorporando elementos de jazz e swing.

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Sua paixão por literatura inspirou Neil a escrever letras que abordam temas diversos, incluindo ficção científica, fantasia e filosofia, bem como temas religiosos e humanitários. Ele também escreveu sete livros de não-ficção, principalmente baseados em suas viagens,outra paixão.

Neil começou na música tendo aulas de piano até que, aos 14 anos, recebeu de seu pai uma kit de bateria de presente. Até o fim da adolescência ele tocaria em pelo menos 3 bandas locais da região onde morava, no sul de Ontário.

Na idade adulta, Neil foi para Londres a fim de tentar carreira profissional de músico. Conseguiu alguns bicos como músico de estúdio, se viu obrigado a trabalhar numa loja de jóias para se sustentar. Em Londres ele conheceu os livros da filósofa objetivista Ayn Rand, o que influenciou a escrita de várias letras que faria para o Rush mais tarde.

Um ano e meio depois de ir para Londres, desiludido, resolve voltar para o Canadá e vai trabalhar na loja de peças de máquinas agrárias do pai. Ao que tudo indica, Neil passa a fazer parte da banda JR Flood, e com ela grava um disco em 1969, onde pela primeira vez é creditado. O disco não é lançado na época e a banda acaba poco depois de sua gravação. Nessa época Neil passa a andar de motocicletas.

Enquanto trabalhava na loja do pai, Neil tentava se firmar como músico. Em meados de 1974 ele é chamado para fazer uns testes no Rush. Neil e Lee descobrem afinidades literárias e isso causa empatia entre os dois, fazendo com que Lee convencesse Lifeson a dar uma chance para o baterista. Essa formação, que se tornaria clássica, estreou naquele ano abrindo para o Uriah Heep. Neil agradou os 11 mil pagantes e também a crítica no ano seguinte quando foi lançado Fly By Nigth, segundo álbum do Rush e o primeiro com a nova formação.

O restante da história todos temos uma idéia de como se sucedeu...

Para fugir de toda alienação causada pelo assédio da mídia e gravadora, o baterista vazia longas viagens em suas motos. essa paixão de Neil por viagens em motocicletas se intensificou a partir de uma infeliz tragédia.

Em 1997 sua vida mudou completamente. Num espaço de apenas dez meses, o baterista passou por uma grande tragédia familiar. Em agosto daquele ano, sua única filha Selena, que tinha apenas 19 anos, faleceu em um acidente da carro. Sua esposa, Jacqueline, entrou então em uma depressão profunda, falecendo vítima de câncer dez meses depois. Arrasado, Neil pegou a sua moto (uma BMW que havia ganhado de presente de Jacqueline) e saiu sem rumo para o norte do Canadá e percorreu 88 mil quilômetros em estradas de gelo, fugindo do que deixou para trás.

Toda essa experiência está contada no seu livro "A Estrada da Cura", onde o músico afirma que dirigia sem sentido porque assim conseguia focar em algo que não deixava o seu cérebro pensar sobre as perdas que havia sofrido. Neste período, Geddy e Alex só recebiam notícias de Neil através dos cartões postais enviados pelo baterista. A banda quase acabou na época.

Mas o baterista seguiu em frente. Neil conheceu a fotógrafa Carrie Nuttall, e o casamento aconteceu em 2000. Com a estabilidade emocional voltando aos eixos, Peart conversou com Geddy Lee e Alex Lifeson pra conversar. A banda retornou com "Vapor Trails" em 2002, após 6 anos sem lançar nada inédito.

No final de 2009, sua filha Olivia, nasceu. Em 2015 a menina teria espalhado aos amigos da escola de que era filha de um baterista aposentado. Desde então especula-se sobre o fim do Rush, que não deve voltar mesmo.

Peart construiu um legado incontestável. Os álbuns que gravou com o Rush influenciaram e inspiraram muitos músicos, famosos e não famosos. E sua história ficou ainda maior ao superar uma terrível tragédia pessoal e retomar sua carreira, mostrando enorme respeito pela música, pelos colegas de banda e pelos fãs. O que se sabe é que suas viagens de moto ainda continuam. Na última turnê européia da banda, ele viajava grandes distâncias de moto entre uma cidade e outra em que a banda estava agendada.

Sua obra é eterna. E nós, admiradores da boa música, somos eternamente gratos por sua contribuição impressionante à arte.

Mais histórias no recém criado Canal Memórias do Rock.

Ivan Da Luz, com Jayro Teles, é criador do canal Memórias do Rock e editor da fanpage deste canal.

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