Santana e Hendrix: separados por uma "carreira"
Por Felipoud Tramparia
Fonte: Carlos Santana - Tom Universal
Postado em 31 de maio de 2018
Dois dinossauros da guitarra se encontraram na década de 60, CARLOS SANTANA, um novato mexicano cheio de swing e JAMES MARSHALL HENDRIX, um talentoso negro maluco americano.
SANTANA estava lá para aprender, enquanto HENDRIX, para tocar, gravar e deixar seu mundo mais colorido com gotinhas lisérgicas.
CARLOS nunca foi santo, mas sabia de seus limites, não perdeu para as drogas e persistiu no canto. Diferente de JIMI, que nunca aprendeu isso e acabou a sete palmos do chão.
Histórias à parte, agradecemos a ambos pelas obras-primas compostas, as quais poderão ser ouvidas, até chegar o momento de nos encontrarmos com HENDRIX.
Confira como foi o encontro épico de CARLOS e JAMES, no trecho retirado do livro Tom Universal, escrito por CARLOS SANTANA, Ashley Kahn e Hal Miller.
Local de Publicação: Rio de Janeiro| Ano: 2015 | Páginas: 608 | Editora BestSeller | Foto de Capa: Rubén Martín | Capa adaptada da original de Alisson J. Warner.
A primeira vez que JIMI HENDRIX e eu realmente nos falamos como músicos foi em agosto, em Bay Area, embora aquela não fosse a primeira vez que nos encontrávamos.
Em 1967, uma semana depois de a nossa banda ter sido demitida por Bill por chegar atrasada, Caravello conseguiu, de alguma forma, fazer com que entrássemos naquele show do The Fillmore para conhecer HENDRIX.
Estávamos tentando nos esquivar de Bill, e não tínhamos nenhum dinheiro conseguimos entrar exatamente quando a passagem de som estava começando.
De qualquer maneira, Bill não iria se importar muito, porque ele estava mais ocupado com os amplificadores que não funcionavam.
Tudo estava dando microfonia, guinchando como se fossem porcos eletrocutados.
Finalmente, eles conseguiram consertar, e nós ficamos nos bastidores, pouco antes de a banda entrar. JIMI e eu não havíamos dito nada um ao outro, a não ser nos cumprimentado, e de repente todo mundo foi ao banheiro todo mundo.
Alguém disse: "Ei, cara, está afim de se juntar a nós?"
Eu era jovem, mas sabia o que eles iam fazer. "Não, cara. Não estou afim de cheirar cocaína."
"Tem certeza? É do Peru muito boa."
"Vá em frente, cara. Eu já estou legal".
Foi quando comecei a usar o meu mantra em relação aos excessos de tais celebrações.
"Eu já estou legal, cara. Não quero ir além disso".
E então JIMI tocou e os dois shows daquela noite foram incríveis. Eu não conseguia acreditar o modo como ele obrigava sua guitarra a produzir aqueles sons.
Já não soava mais como cordas e amplificadores seu som era intergaláctico, com frequências espectrais que vinham das notas, mas que resultavam em algo muito maior do que isso. Às vezes, parecia o Grand Canyon gritando.
Fiquei pensando: "Puta merda." GABOR também estava naquele programa, e naquela primeira noite seu som pareceu bom, mas tenho certeza absoluta de que GABOR nunca mais iria querer que HENDRIX abrisse um show seu novamente.
Foi ele quem me disse isso quando moramos na mesma casa por um tempo, em 1971, e quase lançamos uma banda juntos.
Este era o impacto de HENDRIX ele surgiu e atravessou o cenário como se fosse um conquistador empunhando sabres de luz e raios lasers, armas que ninguém nunca tinha visto ou ouvido antes.
Eu o assisti cerca de sete vezes no total, e aquela noite foi sensacional.
Mas nenhum show de HENDRIX superou o que eu o vi fazer em uma feira no condado de Santa Clara, em San Jose, em 1969. Nunca o ouvi se saindo melhor do que aquilo.
Essa matéria faz parte da categoria Trecharias BioRockers no Portalblog Misterial.
Faixa 2: Treat | Álbum - Lado B: Santana (1969) | Gravadora: Columbia Records | Produtores: CARLOS SANTANA, Brent Dangerfield
Contracapa livro CARLOS SANTANA - O Tom Universal
Faixa 10: Caravan* | Álbum: Jazz Raga (1966) | GABOR SZABO foi um guitarrista da Hungria | Produtor: Bob Thiele |* Música original composta pelo trompetista porto-riquenho JUAN TIZOL.
Faixa 1: Freedom | Lado A - Álbum: Cry Of Love (1968-1970) | Gravadora: Reprise Records | JIMI HENDRIX
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