Os caras não sabem com o que estão se metendo; quando Santana fez um alerta pros Stones
Por Bruce William
Postado em 14 de outubro de 2025
Há músicas que parecem fogo de artifício: acendem, iluminam e deixam a plateia hipnotizada. "Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones, é dessas - desde 1968, um coro de "woo-woo" que lota estádios e arrepia pescoços.
Carlos Santana reconhece o impacto, mas põe o pé no freio. Em entrevista com a NME (via Far Out), ele disse que curte o pulso da faixa, só que não embarca na mensagem. "Eu não tenho simpatia pelo diabo. Gosto da batida da música, mas nunca me identifico com a letra." A partir daí, veio o aviso: "Jagger e Richards não sabem bem a dimensão do que estão falando. Se soubessem no que estão se metendo quando cantam essa música, não fariam isso. O diabo não é Papai Noel. É real."

Ou seja: Santana não condena a canção pelo som, condena a brincadeira com o tema. Para ele, há limites invisíveis que a arte cruza sem perceber. E "Sympathy" cruzaria um deles, ao vestir a máscara de Lúcifer com charme e ironia.
Do outro lado da conversa, Keith Richards sempre tratou o assunto com uma mistura de sarcasmo e filosofia. Nos anos 1970, quando chamavam a banda de "do mal", ele devolveu: "Ah, eu sou o mal, mesmo? Então isso faz você pensar sobre o que é o mal... Tem ocultistas que acham que atuamos como agentes de Lúcifer sem saber, e outros que acham que somos o próprio Lúcifer. Todo mundo é Lúcifer."
Décadas depois, em 2002, Richards reforçou o ponto: "'Sympathy' é uma música pra encarar o Diabo de frente. Ele está aí o tempo todo... As pessoas enterram o mal e esperam que ele desapareça. Essa música diz: não esqueça dele. Se você o confronta, ele perde o emprego."
Fica, então, um choque de leitura: Santana ouve um flerte perigoso com o que não deve ser romantizado; Richards enxerga um espelho desconfortável apontado para a maldade que fingimos não ver. Os dois partem do mesmo ponto (a canção funciona), mas chegam a lugares bem diferentes sobre o que ela faz no mundo.
No fim, você pode cantar o "woo-woo" por catarse ou fechar a cara e mudar de faixa - os Stones nunca foram de pedir unanimidade. Santana preferiu o segundo caminho. Richards defende o primeiro. E "Sympathy for the Devil" continua acendendo debates desde que acendeu o primeiro fósforo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dave Mustaine explica por que não vai convidar Kiko Loureiro para show com Megadeth
Vinheteiro chama Angra de "fezes puríssima" e ouve resposta de Rafael Bittencourt
Quatro bandas internacionais que fizeram mais de 50 shows no Brasil
As 10 músicas mais emocionantes do Slipknot, segundo a Metal Hammer
O maior cantor de rock de todos os tempos, segundo Axl Rose; "abriu minha mente"
O solo de guitarra mais difícil do Dire Straits, segundo Mark Knopfler
70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Thiê rebate Dave Mustaine e diz acreditar em sondagem por Pepeu Gomes no Megadeth
A música do Led Zeppelin que Robert Plant considera perfeita
Baixista do Nazareth opina sobre versão do Guns N' Roses para "Hair of the Dog"
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Novo vocalista foi "presente dos deuses", diz baixista do Nazareth
Judas Priest escondeu por 10 anos que vivia sem dinheiro, segundo K.K. Downing
Tem alguma música do Guns N' Roses que é a mais difícil de tocar? Duff McKagan responde
O guitarrista clássico idolatrado e ao mesmo tempo zoado pelos caras do Angine de Poitrine
Como a mesma pessoa compôs os maiores hits de Carlos Santana e do Gabriel, o Pensador?
A resposta de Prince quando chamavam ele de "novo Jimi Hendrix"
Carlos Santana elege o melhor solo de guitarra de Eric Clapton
Carlos Santana diz que perdoou homem que abusou dele quando era criança


