Wilco: uma breve análise da discografia da banda

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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O Wilco foi formado em 1994 na cidade norte-americana de Chicago. No início a banda era associada à cena do alt country, formada por uma nova geração de artistas que buscavam atualizar o tradicional gênero e torná-lo mais atraente para novos ouvintes ao aproximá-lo de estilos como rock alternativo, indie e southern.

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A origem do Wilco está no Uncle Tupelo, um dos nomes pioneiros e mais legais do country alternativo (a dica pra saber mais sobre o gênero é ouvir o próprio Uncle Tupelo e também o Whiskeytown, cujo destaque era o vocalista e guitarrista Ryan Adams). Após a saída do vocalista Jay Farrar, os integrantes do Uncle Tupelo decidiram seguir em frente e rebatizaram o grupo, adotando o nome Wilco.

A espinha dorsal, a alma e o coração do Wilco atendem pelo mesmo nome: Jeff Tweedy. Vocalista, guitarrista e compositor, Tweedy é o centro da banda. É a partir dele e ao seu redor que tudo se desenvolve. Em um primeiro momento, a parceria com o guitarrista Jay Bennett foi a força motriz do grupo. Inclusive, é possível dividir a carreira do Wilco em duas fases distintas: a primeira, com Bennett na guitarra, e a segunda, onde Nels Cline assume o posto.

Com nove álbuns na carreira, o Wilco iniciou a sua trajetória seguindo a cartilha do alt country, mas foi desenvolvendo uma identidade própria com o passar dos anos. Talvez o principal elemento de sua música seja a melancolia, onipresente e traduzida através de lindas melodias e arranjos que, invariavelmente, tocam a alma do ouvinte. Uma música que vai muito além da atração inicial, tornando-se parte do que o ouvinte é como indivíduo e assumindo diferentes significados ao longo de sua vida.

Com Bennett, o Wilco gravou quatro álbuns: "A.M." (1995), "Being There" (1996), "Summerteeth" (1999) e "Yankee Hotel Foxtrot" (2011). A estreia foi uma grata surpresa, que se transformou em certeza com o duplo Being There, lançado em 29 de outubro de 1996. Produzido pela própria banda, o disco é um dos maiores clássicos do alt country e um dos grandes discos da década de 1990. Foi com "Being There" e suas excelentes canções que o Wilco chamou pela primeira vez a atenção de um público além do seu próprio nicho. Se nunca ouviu, está aí um disco para ser descoberto.

"Summerteeth", que chegou às lojas em 9 de março de 1999, tem algumas das mais belas canções da banda, como a ótima "She's a Jar". Mas o maior destaque é a transcendental "How to Fight Loneliness", incluída na trilha do filme Garota Interrompida. Nela, Tweedy canta sobre a dor da solidão, apresentando a sua fórmula cínica de como vencê-la. Uma canção que possui diversos significados, que se revelam a cada nova audição.

E chegamos a "Yankee Hotel Foxtrot", o disco que mostrou ao mundo do que o Wilco era capaz. A banda gravou o álbum, mas a gravadora o reprovou alegando que ele não tinha força comercial suficiente. Então, após uma batalha jurídica, a banda saiu fora da Reprise e lançou o trabalho primeiramente de forma independente, e logo após através da Nonesuch. Trata-se de um álbum bastante experimental, mas que consegue equilibrar o minimalismo dos arranjos e da instrumentação com momentos de brilhantismo pop como "Kamera", "War on War", "Heavy Metal Drummer" e "Pot Kettle Black". O grande destaque, no entanto, é a faixa cinco, "Jesus, etc", levada por uma lindíssima melodia de violinos e com uma letra sensacional escrita por Tweedy. É a minha música preferida do Wilco, e uma das canções que tenho certeza que estará ao meu lado até o final dos meus dias.

Bennett deixou a banda em 2001, levando o Wilco a um breve hiato. Nels Cline, músico com origem no jazz e que havia realizado colaborações com gente como Mike Watt (Minutemen) e Thurston Moore (Sonic Youth), veio para o Wilco em 2004, iniciando uma nova fase na carreira dos norte-americanos. O primeiro disco dessa nova fase foi "A Ghost is Born", lançado em 22 de junho de 2004 e um dos meus preferidos. O álbum traz uma influência muito grande de Neil Young e dos Beatles, e soa, em alguns momentos, como se o bardo canadense fosse o guitarrista do Fab Four. A faixa de abertura, "At Least That's What You Said", funciona como uma espécie de carta de intenções, com Tweedy declamando a letra de forma calma e quase sussurrada até ser interrompido de forma violenta por Cline, que despeja um solo orgásmico repleto de dissonância e microfonia, fazendo jus ao status de 82º melhor guitarrista de todos os tempos atribuído pela Rolling Stone. Além disso, temos canções deliciosas como "Hummingbird" e "Theologians", onde a melodia assume o protagonismo em um resultado incrível.

Veio então aquele que é, na minha opinião, o melhor álbum do Wilco: "Sky Blue Sky". Lançado em 15 de maio de 2007, o disco é o ponto de partida perfeito para quem nunca ouviu a banda. São doze canções excelentes, mantendo a influência Beatle do trabalho anterior e incrementando a mistura com um belíssimo trabalho de guitarra. "Impossible Germany" é o ápice dessa alquimia, uma canção cativante construída a partir de um inspirado arranjo de seis cordas. Já com três guitarristas em sua formação - além de Tweedy e Cline, Pat Sansone também empunha o instrumento -, o Wilco explora todas as possibilidades que um trio de guitarras pode proporcionar, alcançando um resultado que soa como uma espécie de country tocado por um Lynyrd Skynyrd adolescente. Sensacional!

Se você nunca ouviu o Wilco, a tríade "Yankee Hotel Foxtrot", "A Ghost is Born" e "Sky Blue Sky" é uma bela indicação.

Em 2009 a banda lançou o consistente "Wilco (The Album)", que trouxe boas canções como "One Wing", "Bull Black Nova", "You and I" e "I'll Fight", e que foi seguido por um retorno ao experimentalismo de "Yankee Hotel Foxtrot" em "The Whole Love" (2011), expressado através da genial faixa de abertura, "Art of Almost". "Star Wars" (2015) completa a discografia de estúdio da banda, mas confesso que passei meio batido por esse disco e não tenho como falar muito a seu respeito.

Como dica final fica a coletânea "What's Your 20? Essential Tracks 1994-2014", lançada em formato duplo no ano de 2014. Como o próprio título deixa claro, trata-se de uma compilação trazendo duas dezenas de canções que repassam os primeiros vinte anos da carreira da banda. Nunca ouviu Wilco? Também dá pra começar por aqui.

A banda retornará ao Brasil no final do ano após mais de uma década, para se apresentar no Popload Festival, que acontece no dia 8 de outubro em São Paulo. Até lá, vale revisitar ou ter o primeiro contato com a discografia do grupo, que é sensacional. Ainda que esteja ligada equivocadamente ao cenário indie em nosso país, o Wilco vai muito além e é muito maior que o mundo hipster, e possui um trabalho sólido que vale muito a pena ser conhecido por quem ama a música.

Experimente, você vai curtir!




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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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