Ideologia Rock: a fase suja dos Titãs
Por David Oaski
Fonte: Ideologia Rock
Postado em 29 de junho de 2013
A história dos Titãs é curiosa, pois ao contrário de outras bandas, esta que hoje é considerada uma das maiores – senão a maior – banda do rock nacional, esteve próxima de ficar sem gravadora e com um destino totalmente incerto.
Após o lançamento dos dois primeiros álbuns: "Titãs", de 1984 e "Televisão", de 1985, a banda não obteve o sucesso que era esperado pela gravadora WEA, pois apesar dos sucessos "Sonífera Ilha" e "Televisão", as melodias eram realmente pouco inspiradas, tanto que muitas faixas seriam sucesso anos depois com nova roupagem, como "Marvin", "Go Back", "Insensível" e "Pra Dizer Adeus".
Os rumos da banda mudariam de forma decisiva após a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto por posse de drogas. Munidos de toda revolta causada pelo fato, os Titãs gravariam um dos melhores álbuns da história do rock: "Cabeça Dinossauro", de 1986 que mostrava uma banda mais madura e entrosada, incluindo boa dose de peso em suas canções os caras finalmente mostraram a que vieram, arrebatando crítica e público.
A banda lançaria na sequência duas outras obras primas: "Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas", em 1987 e "Õ Blésq Blom", em 1989, formando talvez a melhor trinca de discos lançados na sequência por uma banda nacional.
E assim acabavam os anos 80, a fase de ouro e mais lembrada do rock nacional até hoje, de onde os Titãs saiam mais do que prestigiados, com álbuns que flertavam com punk, rock de garagem, funk, reggae, MPB, eletrônico e tudo que mais que pintasse pela frente, sempre com letras interessantes, ora geniais, ora despretensiosas, mas nunca soando vazias.
Na década seguinte, o rock não gozou da mesma alegria, pois com a ascensão de ritmos como pagode e sertanejo, somados ao desgaste natural da super exposição das bandas e a catastrófica gestão Collor, o período era de incertezas para o rock nacional.
A banda resolve então voltar a investir no rock cru e pesado e lançaria dois álbuns sensacionais, mal compreendidos na época e obscuros atualmente: "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora", de 1991 e "Titanomaquia", de 1993.
O primeiro foi produzido pela própria banda e traz uma sonoridade crua, remontando o rock de garagem dos anos 70 e trazendo influência do ascendente rock alternativo americano, da cena que ficaria conhecida como grunge, trazendo guitarras distorcidas e canções com um andamento mais rápido do que a banda vinha fazendo. O álbum foi taxado na época como infantil e escatológico, devido principalmente às letras de "Isso Para Mim É Perfume", de Nando Reis, com frases do tipo: "amor, eu quero te ver cagar" e "Saia de Mim", de Arnaldo Antunes. Porém a análise se mostra extremamente equivocada, pois analisadas dentro do contexto do disco e da melodia que se encontram fazem todo sentido. O álbum contem ainda verdadeiras pérolas, como "Clitóris", "O Fácil É O Certo" e "Eu Não Sei Fazer Música".
Já o segundo é ainda melhor, mantendo a pegada agressiva, a banda adere de vez a onda grunge, recrutando o produtor Jack Endino, famoso por trabalhos com Nirvana, Soundgarden e Mudhoney. Esse disco marca também o primeiro registro sem Arnaldo Antunes, que saiu da banda para investir em projetos pessoais, mas ainda assim assina autoria de diversas faixas em parceria com os outros integrantes. Trata-se de um baita disco de rock que traz como destaques: "Será Que É Isso Que Eu Necessito", "Nem Sempre Se Pode Ser Deus", "Disneylândia", "Estados Alterados Da Mente" e "A Verdadeira Mary Poppins". As letras são novamente um show a parte, trazendo a sempre positiva diversidade de composições, porém dessa vez trazendo temas mais obscuros, característica também oriunda do som de Seattle.
É curioso notar que uma banda tão boa e com uma carreira tão consistente como os Titãs chegou num nível tão alto com os três petardos dos anos 80, que é comum ao avaliar a discografia dos caras colocar esses dois álbuns da fase mais crua e suja numa qualidade menor, no entanto, nem por isso são discos a serem desprezados, muito pelo contrario, são ótimos discos de um tipo de rock raro no país.
Depois dessa fase, os Titãs voltariam ao rumo mais comercial de seu som, mas lançando bons discos até hoje e fazendo shows por todo o Brasil.
Que o tempo reconheça o valor da fase raivosa dos Titãs, o que seria muito garboso.
David Oaski
Disponível também em:
http://rockideologia.blogspot.com.br/2013/06/a-fase-suja-dos-titas.html
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O músico que James Hetfield diz ser a razão de o Metallica existir
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
Com Roger Daltrey e Eddie Vedder, Best of Blues and Rock 2026 confirma atrações
Mike Portnoy - o melhor baterista de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Nergal anuncia que o Behemoth suspenderá atividades em 2027
Banda venezuelana Van Der Dijs perde todos os integrantes em terremoto
A canção do Iron Maiden que arrepia Bruce Dickinson; "genial"
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
"Linda!"; a canção especial do Led Zeppelin destacada por Robert Plant
A única banda de rock nacional que não virou peça de museu, segundo Regis Tadeu
Afonso Nigro revela por que chamou Kiko Loureiro pro Dominó: "Preciso desse cara"
Don Airey explica por que Simon McBride mudou o Deep Purple após Steve Morse
A banda que Lars Ulrich do Metallica adorava: "Ele caiu de joelhos e me abraçou"
Eric Forrest reassume temporariamente os vocais do Voivod


Charles Gavin critica Nicolás Otamendi, zagueiro da seleção argentina
7 clássicos do rock nacional com mais de cinco palavras no título
O membro dos Titãs que presenciou no local os atentados de 11 de setembro de 2001
10 músicas de rock nacional dos anos 1980 que ainda estão na memória afetiva do brasileiro
Assista ao "Sons de SP: Rock" documentário da TV Globo sobre o estilo musical
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney


