The Doors: filme de Oliver Stone resgata a banda nos anos 90
Por Adriano Carlos Tardoque
Fonte: Blog Sonoro Panegírico
Postado em 08 de dezembro de 2012
Em 2009, após dezoito anos do lançamento do filme nos cinemas, The Doors, de Oliver Stone foi lançado em DVD, pela Sony Pictures. O box continha dois discos: o primeiro com o filme que apresenta versões de áudio e legendas em português (aleluia!) e o segundo com extras de produção, cenas excluídas, locações e depoimentos, todos estes relacionando o casting com a própria trajetória da banda. Surpreendente é ver no verso da capa do DVD, um selo da APCM (Associação Anti-Pirataria Cinema e Música), ao lado da indicação "não recomendado para menores de 18 anos... contém: conflitos psicológicos, violência, sexo e consumo de drogas". Deixando a questão da censura para outro momento, The Doors – O Filme é um dos casos clássicos em que os responsáveis pelos direitos do filme "clamaram" pela pirataria. Levando-se em conta o papel do longa em seu período de lançamento, seu sucesso junto ao público, impulsionado pelo forte apelo comercial da indústria fonográfica que "re-descobria" o rock, levar quase uma década para tal lançamento foi, no mínimo, burrice! O filme foi interminavelmente copiado em VHS, DVD e digital! Algo óbvio, uma vez que o fã de cinema e rock certamente desejará tê-lo na estante, tamanha sua importância. O duro é saber que só foi permitido o lançamento agora, em vésperas da transição do atual formato para a tecnologia blue-ray (que já dispunha do título, bem antes). Brasileirices.
O "SOLDADO CONHECIDO": OLIVER STONE
Todas as vezes que você souber do lançamento de um filme do cineasta Oliver Stone, jamais deixe de observar o contexto de acontecimentos históricos, pelo menos nos cinco anos anteriores a sua estreia. Quando tomou as telas em 1991, o filme The Doors tinha como pano de fundo principal, no contexto norte-americano, a Guerra do Golfo e, no panorama mundial, os "cacos" do Muro de Berlim. Eternamente contrário ao "sonho republicano" dos grandes mandatários da política do Tio Sam (indústrias armamentista e petrolífera – ambas necessárias para se fazer guerras), Stone recuperou sua memória atormentada de ex-soldado no Vietnã (já explicitada por ele de forma impressionante em Platoon, de 1986 e Nascido em 4 de Julho, de 1989), quando em meio às alucinações de dor e terror, se entregava ao delírio e sensualidade da poesia de Jim Morrison. Portanto não havia um período mais indicado para a efetivação de uma obra cinematográfica que retratasse toda a rebeldia embalada pelo bom e velho rock, do que aquela que unia no "Rei Lagarto", a síntese da loucura psicodélica, libertação sexual e pluralidade de crenças dos anos 60. Mas, não foi somente isso...
A INDÚSTRIA FONOGRÁFICA: SEMPRE ELA!
Com as bandas de Seattle, metendo os pés na mídia dos anos 90, dominada pela música pop, um filão de bandas chamadas "antigas" voltaram a dar o ar de sua graça[1]. No respiro que o rock conseguiu dar neste contexto (e desde os anos 50 sempre foi assim!), fosse com pseudo-punks, hard-farofa, "old-new-ages" ou dinossauros jurássicos, novamente passou a ocupar seu lugar nas alturas. O período marcava a transição dos LP’s (ainda amados por muitos), para os CD’s (cuja promessa de durabilidade nos enganou a todos!). Com o sucesso do filme "biográfico" (Stone não aceita essa ideia) de Jim Morrison e banda, a indústria fonográfica (sempre ela!) arregalou os olhos e durante pelo menos cinco anos consecutivos, lançou incontáveis títulos, fossem estes da discografia original ou ao vivo, não somente do The Doors, mas de todos os ícones do rock dos anos 60 e 70: The Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Led Zeppelin (apenas para citar alguns). Dos porões das gravadoras, surgiram centenas e milhares de gravações "inéditas", conversas entre músicos, vídeos, fotos perdidas, textos manuscritos, etc, que rechearam os encartes de disquinhos prateados no decorrer dos próximos 15 anos.
OS ANOS 90, CONSTROEM SEU "MITO". E DEPOIS?
Tendo seu fôlego retomado, o rock requisitou aquilo que tanto fez na sua trajetória sexagenária: construir mitos. Mais importante do que as bandas que retomaram suas atividades e fizeram shows pelo mundo, o marco da década foi o suicídio de Kurt Cobain que, aos 27, encontrou a morte, objeto de tanto fetiche do "xamã" Jim Morrison. Depois disso, nada mais foi igual no rock. Nem mesmo o atual revival dos anos 90, com bandas retornando a ativa e fazendo shows, tem empolgado. A geração dos "2000" não foi capaz de se quer produzir um mito, uma vez que Amy Winehouse, pouco conseguiu "fazer" após sua morte. Assim, é possível entender às tantas e infindáveis manifestações a Michael Jackson, na sua recente partida. Começo a imaginar que as gerações vão derrapando pela sua incapacidade de gerar mitos (Jung explica!), característica essa que marcou o cheiro da juventude pelos tempos. This is the end?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Gravação de ensaio do Guns N' Roses em 1986 vaza online
A única banda de metal que Paulo Ricardo realmente curte: "Muito bons músicos"
A melhor banda de todos os tempos, segundo Jimmy Page do Led Zeppelin
O álbum em que o Black Sabbath se encontrou, de acordo com Bill Ward
A limitação do Slayer e Exodus que James Hetfield não quis seguir no Metallica
Mille Petrozzza (Kreator) sobe ao palco com o Arch Enemy na Alemanha
Vocalista do Godsmack defende opção por Mike Mangini como novo baterista
4 bandas clássicas da Irlanda que todo fã de rock precisa conhecer
A grande lição do documentário sobre Paul Di'Anno, segundo seu diretor
70000 Tons of Metal anuncia primeiras atrações para viagem de 2027
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
A música do Pink Floyd que David Gilmour adora, mas se recusa a tocar
A melhor música do Rainbow de todos os tempos, segundo Ritchie Blackmore
Tony Iommi ficou decepcionado com críticas que primeiro disco do Black Sabbath recebeu
Rolling Stones igualam marca histórica dos Beatles com "Foreign Tongues"

O verdadeiro significado de "The End", clássico dos Doors cercado por mistérios e polêmicas
13 bandas de rock e metal que nasceram na faculdade e conquistaram o mundo
A canção que fez Ray Manzarek decidir montar os Doors com Jim Morrison
4 hits de rock de 1971 que praticamente sumiram do rádio, segundo a American Songwriter
O vocalista que recusou The Doors e Deep Purple, mas depois entrou em outra banda gigante
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney


